A morte simbólica encenada por ativistas em São Paulo homenageou as vítimas do césio-137, acidente que ocorreu há 20 anos em Goiânia.
Vestidos de preto, os ativistas deitaram no chão enquanto uma
pessoa disfarçada de morte representava os riscos da energia
nuclear. A morte simbólica foi uma maneira de lembrar os quase 60
mortos e as milhares de pessoas afetadas pelo acidente com a
cápsula radioativa de césio-137 em Goiânia, que completa 20 anos
esta semana.
O ato foi iniciativa do Greenpeace e da Fundação SOS Mata
Atlântica e contou com a participação de Santos Francisco de
Almeida, representante da Associação dos Militares Vítimas do
Césio-137 (AMVC-137). O secretário estadual de Meio Ambiente de São
Paulo, Xico Graziano, esteve presente ao ato.
"O estado de São Paulo não precisa de energia nuclear, que é
perigosa e desnecessária", afirmou Graziano.
Confira abaixo o vídeo feito no local do ato:
Na segunda-feira, um ato semelhante foi realizado em Salvador -
clique
aqui para saber como foi.
O acidente com o césio-137 ocorrido em Goiânia em 1987 é
considerado o pior acidente radioativo em área urbana do mundo.
Para saber um pouco mais sobre a história do acidente e participar
da cyberação contra a retomada do programa nuclear brasileiro (e
também a construção de Angra 3), clique aqui.
Estima-se que as 19 gramas de césio-137 contidas naquela fonte
fizeram mais de 60 vítimas e contaminaram mais de 6 mil pessoas,
segundo dados da AVICÉSIO. Os afetados sofrem com problemas como
câncer, defeitos genéticos, seqüelas psicológicas e preconceito. A
tragédia ainda deixou como herança mais de 20 toneladas de lixo
radioativo.
"Cerca de 500 militares foram atingidos pelo acidente. O atual
comando da PM mandou abrir uma sindicância que apurou que pelo
menos 202 destes militares estão doentes, com problemas graves como
câncer e alergias", afirmou Almeida.
Além do perigo radioativo, o acidente de Goiânia expôs a
incapacidade do governo federal em garantir a segurança das
instalações nucleares no Brasil. Essa incapacidade foi mais
recentemente detalhada pelo relatório da Câmara dos Deputados
"Fiscalização e Segurança Nuclear", publicado em 2006. O documento
aponta diversas falhas na estrutura de controle das atividades
nucleares no Brasil tais como a ambigüidade de funções da CNEN
(Comissão Nacional de Energia Nuclear), que acumula os papéis de
fomento, pesquisa e fiscalização das atividades nucleares do país.
"O governo brasileiro não tem capacidade de garantir a segurança
das instalações nucleares que já existem e, mesmo assim, decidiu
investir mais R$ 7 bilhões na construção da usina nuclear Angra 3.
Os enormes riscos e os altos custos envolvidos tornam este projeto
inaceitável", disse Rebeca Lerer, da campanha de energia do
Greenpeace.
As entidades promotoras do ato em São Paulo afirmam que o 20º
aniversário da tragédia de Goiânia serve como um momento de
reflexão para a sociedade brasileira. "Agora que o governo federal
anuncia a retomada do programa nuclear brasileiro, a sociedade deve
se mobilizar e deixar claro que não quer conviver com mais este
risco", afirmou Mário Mantovani, da SOS Mata Atlântica.
Na próxima quinta-feira (13), o Greenpeace apoiará os atos da
Associação das Vítimas do Césio-137 em Goiânia (GO).