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A bordo do navio Arctic Sunrise, do Greenpeace, o
prefeito de Salvador, João Henrique (PDT-BA), assinou hoje termo de
compromisso com o Cidade Amiga da Amazônia, tornando Salvador o 30º
município a aderir ao programa de consumo responsável de madeira. O
principal objetivo do programa é incentivar prefeituras brasileiras
a adotarem leis locais que evitem o consumo de madeira de origem
criminosa nas compras e licitações públicas. O termo de compromisso
com a prefeitura foi assinado pelo Greenpeace e a ONG baiana Gamba
(Grupo Ambientalista da Bahia).A solenidade reuniu diversos
representantes da sociedade civil de Salvador, além de vereadores,
técnicos das secretarias de meio ambiente, Ibama, Apedema
(Assembléia Permanente de Entidades em Defesa do Meio Ambiente) e
Iamba (Instituto de Ação Ambiental da Bahia)."Ao fechar suas portas
para madeira ilegal, a prefeitura de Salvador está agindo
concretamente para deter o desmatamento da Amazônia", comemora
Rebeca Lerer, coordenadora do programa Cidade Amiga da Amazônia.
Mais de 64% da madeira extraída da Amazônia é consumida pelo
mercado brasileiro. As prefeituras utilizam grandes volumes de
madeira em obras públicas como escolas e postos de saúde.
"Participando do programa, as prefeituras tornam-se exemplos de
consumidores responsáveis e evitam que o dinheiro público financie
a destruição criminosa da Amazônia".Para Renato Cunha, do Gamba, a
política de consumo responsável adotada por Salvador deve evitar
também o consumo de madeira ilegal da Mata Atlântica. "A legislação
vai abranger todos os tipos de madeira nativa utilizada nas obras
da prefeitura", explica.Durante a solenidade, o Greenpeace lançou o
relatório "Tolerância zero: Chega de madeira ilegal - Porque
a exploração de madeira na Amazônia está fora de controle".
Destinado a técnicos das prefeituras participantes do Cidade Amiga
da Amazônia e de secretarias estaduais de Meio Ambiente, ONGs,
institutos de pesquisa, empresas e consumidores, o relatório
detalha os atuais sistemas governamentais de controle da atividade
madeireira na Amazônia, bem como as fraudes mais comuns, e propõe
soluções para reduzir a ilegalidade do setor. "Este documento
pretende disponibilizar informações sobre o funcionamento da
atividade madeireira e do sistema de controle do Ibama aos
tomadores de decisão e ao público em geral", explica Marcelo
Marquesini, engenheiro florestal do Greenpeace. "Para exigir
padrões sustentáveis de produção, os consumidores e revendedores de
madeira precisam entender a dinâmica da exploração e comércio
desses produtos", conclui.Estima-se que entre 60% e 80% de toda
madeira produzida na Amazônia seja ilegal. Nos últimos quatro anos,
a Floresta Amazônica perdeu mais de 70 mil km2 de cobertura. Os
principais vetores da destruição são a exploração criminosa de
madeira e o avanço da agropecuária sobre novas áreas de florestas.
Em todo o mundo, o Greenpeace trabalha pela criação de uma rede de
áreas protegidas como parques e reservas de uso sustentável para
deter o desmatamento e salvar as últimas florestas do
planeta.EXPEDIÇÃOO navio Arctic Sunrise, do Greenpeace, está
percorrendo a costa brasileira durante o mês de abril como parte da
campanha global pela proteção das florestas. Com o objetivo de
levar a realidade de regiões remotas da Amazônia para grandes
centros urbanos do nosso litoral, o navio já esteve em Porto Alegre
(RS) e Santos (SP) e, após Salvador, segue para Recife (PE) e
Fortaleza (CE). Em todas estas cidades, o barco é aberto à
visitação pública e as pessoas também poder visitar uma exposição
de 72 fotos que retratam as belezas e as ameaças que colocam em
risco a maior floresta tropical do planeta, além do trabalho da
entidade na região.
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