Salvador é 30ª Cidade Amiga da Amazônia do País

Notícia - 16 - abr - 2006
Capital baiana é pioneira em aderir ao programa de consumo responsável de madeira no Nordeste; Greenpeace publica relatório sobre madeira ilegal

A bordo do navio Arctic Sunrise, do Greenpeace, o prefeito de Salvador, João Henrique (PDT-BA), assinou hoje termo de compromisso com o Cidade Amiga da Amazônia, tornando Salvador o 30º município a aderir ao programa de consumo responsável de madeira. O principal objetivo do programa é incentivar prefeituras brasileiras a adotarem leis locais que evitem o consumo de madeira de origem criminosa nas compras e licitações públicas. O termo de compromisso com a prefeitura foi assinado pelo Greenpeace e a ONG baiana Gamba (Grupo Ambientalista da Bahia).A solenidade reuniu diversos representantes da sociedade civil de Salvador, além de vereadores, técnicos das secretarias de meio ambiente, Ibama, Apedema (Assembléia Permanente de Entidades em Defesa do Meio Ambiente) e Iamba (Instituto de Ação Ambiental da Bahia)."Ao fechar suas portas para madeira ilegal, a prefeitura de Salvador está agindo concretamente para deter o desmatamento da Amazônia", comemora Rebeca Lerer, coordenadora do programa Cidade Amiga da Amazônia. Mais de 64% da madeira extraída da Amazônia é consumida pelo mercado brasileiro. As prefeituras utilizam grandes volumes de madeira em obras públicas como escolas e postos de saúde. "Participando do programa, as prefeituras tornam-se exemplos de consumidores responsáveis e evitam que o dinheiro público financie a destruição criminosa da Amazônia".Para Renato Cunha, do Gamba, a política de consumo responsável adotada por Salvador deve evitar também o consumo de madeira ilegal da Mata Atlântica. "A legislação vai abranger todos os tipos de madeira nativa utilizada nas obras da prefeitura", explica.Durante a solenidade, o Greenpeace lançou o relatório "Tolerância zero: Chega de madeira ilegal - Porque a exploração de madeira na Amazônia está fora de controle". Destinado a técnicos das prefeituras participantes do Cidade Amiga da Amazônia e de secretarias estaduais de Meio Ambiente, ONGs, institutos de pesquisa, empresas e consumidores, o relatório detalha os atuais sistemas governamentais de controle da atividade madeireira na Amazônia, bem como as fraudes mais comuns, e propõe soluções para reduzir a ilegalidade do setor. "Este documento pretende disponibilizar informações sobre o funcionamento da atividade madeireira e do sistema de controle do Ibama aos tomadores de decisão e ao público em geral", explica Marcelo Marquesini, engenheiro florestal do Greenpeace. "Para exigir padrões sustentáveis de produção, os consumidores e revendedores de madeira precisam entender a dinâmica da exploração e comércio desses produtos", conclui.Estima-se que entre 60% e 80% de toda madeira produzida na Amazônia seja ilegal. Nos últimos quatro anos, a Floresta Amazônica perdeu mais de 70 mil km2 de cobertura. Os principais vetores da destruição são a exploração criminosa de madeira e o avanço da agropecuária sobre novas áreas de florestas. Em todo o mundo, o Greenpeace trabalha pela criação de uma rede de áreas protegidas como parques e reservas de uso sustentável para deter o desmatamento e salvar as últimas florestas do planeta.EXPEDIÇÃOO navio Arctic Sunrise, do Greenpeace, está percorrendo a costa brasileira durante o mês de abril como parte da campanha global pela proteção das florestas. Com o objetivo de levar a realidade de regiões remotas da Amazônia para grandes centros urbanos do nosso litoral, o navio já esteve em Porto Alegre (RS) e Santos (SP) e, após Salvador, segue para Recife (PE) e Fortaleza (CE). Em todas estas cidades, o barco é aberto à visitação pública e as pessoas também poder visitar uma exposição de 72 fotos que retratam as belezas e as ameaças que colocam em risco a maior floresta tropical do planeta, além do trabalho da entidade na região.

Leia a íntegra do relatório "Tolerância zero: Chega de madeira ilegal - Porque a exploração de madeira na Amazônia está fora de controle"

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