Bispo completa 10 dias de greve de fome contra transposição do Velho Chico

Notícia - 5 - dez - 2007
É a segunda vez em dois anos que o religioso protesta contra o projeto do governo federal, criticado por ser caro e ineficaz contra a seca.

Projeto de transposição do rio São Francisco, do governo federal, é caro - R$ 4,5 bilhões - e não resolve o problema da seca no Nordeste brasileiro.

Há momentos que, por falta de diálogo, atitudes extremas precisam ser tomadas para que um determinado problema ganhe visibilidade na sociedade e seja então discutido para que o pior não aconteça. Atos pacíficos, mas radicais, como as ações diretas realizadas pelo Greenpeace são bons exemplos disso. Assim como a greve de fome do bispo d. Luiz Flávio Cappio, de Sobradinho (BA), que luta contra o projeto do governo federal de transposição do rio São Francisco.

Há dois anos, ele já tinha ficado 11 dias sem comer para alertar a opinião pública sobre o grande erro que estava para ser cometido. Apesar dos inúmeros protestos de entidades da sociedade civil, ONGs, associações de moradores, parlamentares e Ministério Público, o governo estava disposto a gastar R$ 4,5 bilhões no projeto que pretende ligar a bacia do rio São Francisco com as bacias hidrográficas do Nordeste setentrional.

O ato de d. Cappio chamou a atenção da opinião pública e, com o apoio de organizações como o Greenpeace, conseguiu interromper o projeto. O governo reabriu o debate para discutir sobre a melhor forma de usar o rio São Francisco no combate à seca na região.

Dois anos se passaram, a discussão não andou e o governo retomou a obra na Bahia, com os homens do Exército iniciando os trabalhos em junho deste ano.

D. Cappio não viu outra alternativa a não ser retomar a greve de fome. O jejum completou dez dias e o padre já está debilitado, tendo que tomar soro para minimizar a desidratação que vem sofrendo.

O que o bispo d. Cappio e as entidades como o Greenpeace mais criticam no projeto de transposição do rio São Francisco é o fato dele ser caro e ineficaz para combater a seca, atendendo mais as demandas de cidades que já contam com bom abastecimento de água. A alternativa mais econômica e eficaz seria a revitalização do rio, o uso de cisternas e microbarragens para atender os afetados pela seca, e o uso racional da água por todos na região.

Parlamentares, o Ministério Público estadual, governos estaduais e municipais também são contra a transposição e formaram a Frente Nacional em Defesa do Rio São Francisco e contra a Transposição do São Francisco para lugar contra o projeto.

Em vez dessa obra gigante, o governo federal deveria priorizar opções mais baratas e eficazes, algumas já postas em prática no semi-árido brasileiro por ONGs e associações de moradores. O problea da região, em que vivem mais de 17 milhões de brasileiros, não se resume à falta d'água, mas sim sua gestão.

Tópicos