Ativista do Greenpeace exibe placa com mensagem "Caça às baleias: encobrimentos, mentiras e 1,2 bilhões de iens de impostos" na chegada do Nisshin Maru ao porto de Shimonozeki.
Após cinco meses em alto-mar realizando a chamada "caça
científica" de baleias, o navio-fábrica Nisshin Maru chegou ao
porto de Shimonozeki, no Japão, sem as fanfarras ou festejos que
marcaram as expedições anteriores. Ao invés de festa, a embarcação
foi recebida por ativistas do Greenpeace com placas que cobravam o
fim das mentiras sobre o programa baleeiro japonês e da caça às
baleias.
Em maio do ano passado, caixas de carne foram interceptadas
pelos nossos ativistas Junichi Sato e Toru Suzuki. Apesar de o
conteúdo estar identificado como "papelão", cada caixa continha 23
quilos de carne de baleia contrabandeada. O escândalo expôs a venda
ilegal de carne no mercado japonês, que já era uma prática
realizada há muitos anos. Apesar de trazer à tona uma
irregularidade, Junichi e Toru foram indiciados por furto. Hoje
eles aguardam julgamento e podem ser condenados a até dez anos de
prisão.
Durante nove meses, Sato e Suzuki foram proibidos de ir ao
escritório do Greenpeace no Japão. Só na última semana eles foram
autorizados a voltar ao trabalho, mas em horários alternados, para
não se encontrarem (Mais sobre esse retorno no
blog de Junichi).
As acusações de contrabando feitas pelo Greenpeace foram
rebatidas pelo governo japonês com o argumento de que a carne era
"souvenir" para a tripulação. "Se dar souvenirs à tripulação é uma
prática legítima, os contribuintes japoneses têm o direito de saber
quanto de seu dinheiro está sendo gasto com presentes à
tripulação", afirma Sato. Cerca de 1,2 bilhões de iens arrecadados
com impostos, anualmente, são direcionados para subsidiar a
caça.
Apesar da pior crise econômica vivida pelo Japão nesse século, o
governo japonês insiste em subsidiar essa prática desnecessária,
cara e cruel. Este ano, o navio-fábrica retornou com 680 baleias
caçadas. "Para um país que tem seus armazéns lotados de carne de
baleia, caçar 680 animais é um absurdo.", completa Sato.
Para averiguar o destino da carne carne proveniente da
expedição desse ano, o Greenpeace solicitou à Agência de Pesca
Japonesa que o descarregamento fosse monitorado. Nosso pedido foi
negado.
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