Sem festa de boas vindas

Notícia - 14 - abr - 2009
Expedição de “caça científica” de baleia retorna ao Japão e é recebida com protesto do Greenpeace

Ativista do Greenpeace exibe placa com mensagem "Caça às baleias: encobrimentos, mentiras e 1,2 bilhões de iens de impostos" na chegada do Nisshin Maru ao porto de Shimonozeki.

Após cinco meses em alto-mar realizando a chamada "caça científica" de baleias, o navio-fábrica Nisshin Maru chegou ao porto de Shimonozeki, no Japão, sem as fanfarras ou festejos que marcaram as expedições anteriores. Ao invés de festa, a embarcação foi recebida por ativistas do Greenpeace com placas que cobravam o fim das mentiras sobre o programa baleeiro japonês e da caça às baleias.

Em maio do ano passado, caixas de carne foram interceptadas pelos nossos ativistas Junichi Sato e Toru Suzuki. Apesar de o conteúdo estar identificado como "papelão", cada caixa continha 23 quilos de carne de baleia contrabandeada. O escândalo expôs a venda ilegal de carne no mercado japonês, que já era uma prática realizada há muitos anos.  Apesar de trazer à tona uma irregularidade, Junichi e Toru foram indiciados por furto. Hoje eles aguardam julgamento e podem ser condenados a até dez anos de prisão.

Durante nove meses, Sato e Suzuki foram proibidos de ir ao escritório do Greenpeace no Japão. Só na última semana eles foram autorizados a voltar ao trabalho, mas em horários alternados, para não se encontrarem (Mais sobre esse retorno no blog de Junichi).

As acusações de contrabando feitas pelo Greenpeace foram rebatidas pelo governo japonês com o argumento de que a carne era "souvenir" para a tripulação. "Se dar souvenirs à tripulação é uma prática legítima, os contribuintes japoneses têm o direito de saber quanto de seu dinheiro está sendo gasto com presentes à tripulação", afirma Sato. Cerca de 1,2 bilhões de iens arrecadados com impostos, anualmente, são direcionados para subsidiar a caça.

Apesar da pior crise econômica vivida pelo Japão nesse século, o governo japonês insiste em subsidiar essa prática desnecessária, cara e cruel.  Este ano, o navio-fábrica retornou com 680 baleias caçadas. "Para um país que tem seus armazéns lotados de carne de baleia, caçar 680 animais é um absurdo.", completa Sato.

Para averiguar o destino da carne carne proveniente da expedição  desse ano, o Greenpeace solicitou à Agência de Pesca Japonesa que o descarregamento fosse monitorado. Nosso pedido foi negado.

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