Notícia - 24 - jun - 2007
Juan Felipe Carrasco, coordenador da campanha de Engenharia Genética da Espanha, afirma que falta de regras contribuiu para a contaminação genética no país.
A Espanha cultiva transgênicos desde 1998. A primeira variedade
autorizada foi o milho Bt176, da Syngenta. Em 2000, foi autorizada
uma segunda variedade, a MON810, da Monsanto - a mesma aprovada
agora no Brasil pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança
(CTNBio) e autorizada pelo Conselho Nacional de Biossegurança
(CNBS).
Estima-se que, atualmente, cerca de 11% do milho espanhol seja
transgênico - o que dá mais ou menos 63 mil hectares de área
plantada.
"No entanto, a expectativa é de que essa área com transgênicos
chegue a 100 mil hectares na próxima safra - os dois últimos anos
foram muitos secos e quebraram a safra de milho em geral", afirma
Juan Felipe Carrasco, coordenador da campanha de Engenharia
Genética da Espanha.
"No entanto, assim como no Brasil, as autoridades se baseiam
apenas nas declarações dos próprios agricultores para fazer suas
estimativas. Ou seja, os números não são precisos. Até porque os
agricultores preferem não declarar que plantam transgênicos -
primeiro para evitar problemas com seus vizinhos, e segundo porque
não querem ser obrigados a tomar medidas para isolar suas
propriedades (e evitar a contaminação)", diz Carrasco.
O Greenpeace da Espanha publicou em 2006 um relatório com os
casos de contaminação registrados no ano anterior nas regiões de
Aragón e Catalunya. Depois da publicação do relatório, novos casos
foram registrados.
Atualmente, a diretriz da União Européia para coexistência entre
cultivos transgênicos e convencionais/orgânicos recomenda uma
distância mínima de 25 metros entre uma plantação e outra. Existe
uma proposta de lei na Espanha, discutida desde 2003 e ainda não
aprovada, que determina distâncias entre 150 e 220 metros. O
Greenpeace Espanha defende uma distância mínima de 1
quilômetro.
"O problema é que essa proposta não traz nenhuma
responsabilização para o contaminador e nem para a empresa que
vendeu o transgênico", critica Carrasco. "Atualmente, os cultivos
transgênicos na Espanha estão acontecendo sem qualquer distância ou
isolamento obrigatória, uma vez que não existe legislação de
coexistência."