Notícia - 26 - fev - 2007
Greenpeace apela para senadores e dona Marisa para evitar estragos que a Medida Provisória 327 pode causar na biodiversidade brasileira. Parlamentares receberam carta e documento com argumentos contra a MP; esposa do presidente Lula ganhou cesta com produtos típicos nacionais que podem sofrer com a abertura do país aos transgênicos.
O Congresso Nacional terá nesta terça-feira mais
uma oportunidade de colocar a biossegurança do país na frente dos
interesses financeiros de grandes empresas de biotecnologia. A
Câmara teve sua chance em dezembro, mas fraquejou, aprovando a
Medida Provisória 327, que altera as regras brasileiras para o
plantio de transgênicos no entorno das Unidades de Conservação
Ambiental. E ainda embutiu duas emendas ainda mais desastrosas, uma
que prevê a liberação do algodão transgênico da Monsanto plantado
ilegalmente no país e outra que reduz o número de votos necessários
na CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança) para
aprovações comerciais de organismos geneticamente modificados -
duas emendas acatadas na Câmara pelo relator Paulo Pimenta
(PT-RS).
O Senado é a penúltima barreira disponível (a última é o
presidente Lula) para evitarmos que a biossegurança nacional seja
ameaçada por organismos geneticamente modificados que ainda deixam
muitas dúvidas no ar. Por isso o Greenpeace enviou por email aos
senadores um documento elaborado por diversas entidades da
sociedade civil que questiona a edição de sucessivas MPs na área de
biossegurança com o objetivo de legalizar crimes ambientais
cometidos por produtores rurais.
O documento também analisa as emendas à MP 327
acatadas pelo deputado federal Paulo Pimenta, mostrando que o
Brasil não tem nada a ganhar legalizando plantações irregulares de
algodão transgênico e diminuindo o quórum da CTNBio - muito pelo
contrário. No caso do algodão da Monsanto, é a política do fato
consumado desmoralizando a Lei de Biossegurança e a capacidade do
estado brasileiro de fazer cumpri-la.
Os senadores receberão também, hoje, uma carta com argumentos
contra a MP 327, assinada por dez entidades da sociedade civil:
Associação de Agricultura Orgânica (AAO), Assessoria e Serviços a
Projetos em Agricultura Alternativa (AS-PTA), Instituto Brasileiro
de Defesa do Consumidor (Idec), Fórum Brasileiro de ONGs e
Movimentos Sociais (Fboms), Greenpeace, Movimento de Mulheres
Camponesas (MMC), Movimento de Pequenos Agricultores (MPA),
Movimento de Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Terra de
Direitos e Via Campesina.
Para reforçar o apelo contra a MP 327, ativistas do Greenpeace
foram hoje de manhã ao Palácio do Alvorada fazer um apelo à
primeira-dama para que ela alerte o presidente Lula sobre a
importância de se garantir a biossegurança do país. Vestidos de
mestre-cucas, os ativistas levaram à residência oficial da
Presidência da República uma cesta de produtos típicos derivados de
milho para ser entregue à dona Marisa, que estava num compromisso
externo e não pode receber os ativistas do Greenpeace. Porém, seus
assessores garantiram que a primeira dama receberá a cesta. Pratos
com polenta são os preferidos do casal presidencial.
Ciente de que as mulheres são responsáveis no Brasil por 80% das
decisões relativas às compras numa residência padrão - segundo
pesquisa LatinPanel realizada em 2004 - o Greenpeace tem em dona
Marisa sua última esperança em garantir a biossegurança do país,
livrando o milho e seus deliciosos pratos da aventura transgênica.
Não engula essa, dona Marisa!
Leia a carta entregue à dona Marisa.