As jubartes estão ameaçadas de extinção e por isso protegidas pela Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas (Cites).
Após semanas de pressão internacional, o governo japonês
anunciou nesta sexta-feira que desistiu de matar 50 baleias
jubartes no Oceano Antártico, mas manteve os planos de caçar outros
950 animais, das espécies minke e finn. O Japão promove este ano
sua maior caçada a baleias desde que a moratória à caça comercial
foi instituída em 1987. As jubartes não eram caçadas desde a década
de 1960 por ser uma espécie ameaçada de extinção.
O Greenpeace comemora a desistência do Japão em matar jubartes
mas continuará a pressionar o país a parar completamente a caça de
baleias, hoje disfarçada de 'caça científica', usada para burlar a
moratória à caça comercial.
"Este é apenas o primeiro passado para acabar de vez com a caça
de baleias no Oceano Antártico. Não queremos o fim apenas da caça
de uma espécie, em uma estação. Queremos o fim total da caça às
baleias", afirmou Karli Thomas, coordenadora da expedição do
Esperanza ao Oceano Antártico. O navio do Greenpeace está há
semanas na cola dos baleeiros japoneses para exigir o fim dessa
pretensa 'caça científica'.
"Continuaremos com as ações diretas para não permitir que matem
baleias na Antártica. O Japão diz que faz pesquisa científica, mas
em dois anos não apresentou resultados convincentes. Além disso, a
carne de baleia já não tem mais mercado no Japão e o dinheiro usado
para tudo isso é público. O Japão deveria voltar com sua frota
imediatamente ao porto", afirma Leandra Gonçalves, coordenadora
científica do programa não-letal A Trilha das Grandes Baleias, que
está a bordo do Esperanza.
O anúncio da desistência do Japão em caçar jubartes na Antártica
acontece no momento em que
governos e ambientalistas de todo o mundo pressionam o país pelo
fim da matança de baleias no Oceano Antártico. A Austrália
enviou um navio e um avião para monitorar a caça japonesa na região
e ameaçou fazer um protesto diplomático formal com a participação
de outros 20 países contra a matança de jubartes, por ser esta uma
espécie ameaçada de extinção e protegida pela Convenção sobre o
Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas (Cites).
"O Brasil, que comemorou esta semana os 20 anos da lei que
extinguiu a caça de baleias no país, deveria se juntar a esse
protesto internacional, para se manifestar publicamente contra a
caça promovida pelo Japão, por uma questão de princípios", afirma
Leandra Gonçalves.
A pressão internacional contra o Japão tem que ser intensificada
para que o país desista de vez da caça às baleias. O governo
japonês continua com planos de mais centenas de baleias no Oceano
Antártico e
há rumores de que pretende também construir um novo
navio-fábrica, que mata, captura, retalha e embala a carne de
baleia para venda no país. Essa nova embarcação teria três vezes a
capacidade do Nisshin Maru, atual navio-fábrica da frota baleeira
japonesa, e entraria em operação já no ano que vem.
Conheça detalhes da expedição científica e não-letal promovida pelo
Greenpeace com um grupo de 20 jubartes no Pacífico Sul.
Os bastidores da expedição e do dia-a-dia a bordo do Esperanza
na Antártica estão no blog
de Oceanos, pilotado por Leandra Gonçalves, coordenadora da
campanha de Baleias do Greenpeace Brasil.