Manifestantes de diversas regiões do Brasil participaram da manifestação
Mais de 200 pessoas de diversas regiões do país reuniram-se
nesta quarta-feira na Praça dos Três Poderes, em Brasília, para
protestar contra a construção da usina Angra 3 e o Programa Nuclear
Brasileiro. O ato público, liderado pelas entidades SOS Mata
Atlântica, Greenpeace e WWF-Brasil, contou com o apoio da Frente
Parlamentar Ambientalista e das redes Fórum Brasileiro de ONGs e
Movimentos Sociais (FBOMS) e Associação Brasileira de ONGs (Abong).
Uma comissão de manifestantes foi recebida por parlamentares na
rampa do Palácio do Planalto e protocolou uma
carta em repúdio à retomada da aventura nuclear brasileira. Os
manifestantes e o deputado Edson Duarte (PV-BA) entregaram essa
carta também à Comissão de Meio Ambiente da Câmara dos
Deputados.
As populações mais diretamente afetadas pela atividade nuclear
no Brasil foram representadas pela Associação das Vítimas do
Césio-137, de Goiânia/ GO, Sociedade Angrense de Proteção Ecológica
- Sapê, de Angra dos Reis/RJ e Associação Movimento Paulo Jackson
Ética, Justiça e Cidadania, afetados pela mina de urânio em Caetité
/ BA.
Os manifestantes se concentraram a partir das 9h em frente ao
Ministério de Minas e Energia e às 11h seguiram em passeata até a
Praça dos Três Poderes. Com palavras de ordem contra nuclear, pela
paz e pelas energias renováveis, os ativistas também formaram um
banner humano com a mensagem "nuclear não".
"A energia nuclear é a alternativa mais cara. Podemos evitar o
apagão de várias outras formas menos custosas para nossa
sociedade", avalia Mario Mantovani, da SOS Mata Atlântica. "Nossa
produção de energia eólica, solar e de biomassa pode ser muito
ampliada."
A data da manifestação foi escolhida para lembrar o aniversário
do ataque nuclear a cidades japonesas. Nos dias 6 e 9 de agosto de
1945, as bombas "Little Boy" e "Fat Man" foram lançadas sobre
Hiroshima e Nagasaki, respectivamente, resultando na morte de mais
de 300 mil pessoas e na total destruição das duas cidades.
Em reunião do dia 25 de junho de 2007, o Conselho Nacional de
Política Energética (CNPE) recomendou a retomada das obras da usina
de Angra 3. A decisão final sobre a expansão do parque atômico
brasileiro está nas mãos do presidente Luís Inácio Lula da Silva.
"O presidente Lula pode optar por investir bilhões de reais de
recursos públicos na expansão do parque atômico ou estruturar uma
matriz energética limpa e renovável que garanta a segurança
energética de que o Brasil precisa para crescer", declarou
Guilherme Leonardi, da campanha de energia do Greenpeace. "Investir
na geração nuclear é olhar para trás, é ir na contramão da
história. O Brasil tem enorme potencial para liderar uma revolução
na área das energias renováveis, o que falta hoje é vontade
política para estabelecer efetivamente este mercado no país",
complementou.
Criado durante a ditadura militar, o Programa Nuclear Brasileiro
é ultrapassado, caro e arriscado. Do ponto de vista da geração de
energia, a opção nuclear é a mais onerosa e exige fartos subsídios
governamentais. Com os R$ 7,4 bilhões previstos para a usina
nuclear, um parque de turbinas eólicas com o dobro da potência de
Angra 3 (1.350 MW) poderia ser instalado em apenas dois anos,
gerando 32 vezes mais empregos. Vale lembrar que o risco de
acidentes é inerente à tecnologia nuclear e ainda não existe
solução definitiva para o lixo radioativo, que permanece perigoso
por centenas de milhares de anos. Para questionar a política do
governo federal e mostrar que é possível conciliar desenvolvimento
social e econômico com sustentabilidade energética, a sociedade
civil, em parceria com universidades, desenvolveu cenários
alternativos. A "Agenda Elétrica Sustentável", da WWF/Unicamp, foi
lançada em setembro de 2006 e o "Revolução Energética", do
Greenpeace/USP, em fevereiro de 2007.
Para as entidades, "a sociedade brasileira vive hoje um clima de
insegurança e desconfiança devido a problemas como violência
urbana, caos aéreo, corrupção. O Brasil não precisa da ameaça
nuclear".
Veja mais fotos da manifestação:
Saiba mais:
Dez motivos para se opor à Angra 3 (Greenpeace)
Relatório Revolução Energética (Greenpeace)
Principais acidentes já registrados (EcoTerra Brasil)
Programa
Nuclear Brasileiro (Ministério da Ciência e Tecnologia)