Suíça vota “não” a plantações geneticamente modificadas

Notícia - 27 - nov - 2005
Em referendo realizado ontém, a maioria da população suíça decidiu pela proibição por cinco anos do cultivo transgênico

Em referendo realizado ontem, a maioria da população suíça decidiu por uma moratória de cinco anos para as plantações geneticamente modificadas no país. Isso significa que o cultivo de transgênicos para fins comerciais será proibido por esse período, mas campos experimentais ainda serão permitidos.

"A Suíça, país natal de uma das gigantes do setor de transgênicos, a Syngenta, não quis arriscar sua segurança alimentar e a saúde de seu meio ambiente e de seus cidadãos, e optou pela proibição de cultivos transgênicos", afirmou Yves Zenger, do Greenpeace da Suíça. O sistema legislativo no país é o único no mundo que permite às pessoas opinarem sobre a aprovação ou não de novas leis diretamente em referendos realizados regularmente.

Pela moratória, produtos derivados de animais que foram alimentados com transgênicos poderão ser importados, mas nova legislação para regulamentar com mais rigor alimentos transgênicos e ração animal ainda deverá ser votada. Hoje, o Greenpeace Suíça divulgou nova pesquisa de opinião que mostra que a maioria dos suíços quer que a moratória também englobe alimentos transgênicos, além de serem contra experimentos com organismos geneticamente modificados. A grande maioria também quer rotulagem de todos os produtos derivados de animais alimentados com produtos transgênicos.

"A Suíça mostrou seriedade na implantação do Princípio de Precaução nos protocolos de biossegurança, ao contrário do Brasil, que não consegue sequer implementar a rotulagem, que é direito essencial do consumidor", disse Ventura Barbeiro, engenheiro agrônomo do Greenpeace Brasil. Por exemplo, haverá audiência conjunta das comissões de Meio Ambiente e Direito do Consumidor da Câmara dos Deputados no dia 8 de dezembro, para avaliar a denúncia do uso de soja transgênica no óleo de cozinha, sem a devida rotulagem, pelas empresas Bunge e Cargill.

"O Greenpeace espera que a rejeição da Suíça aos transgênicos inspire outros países pelo mundo a dizer 'não' ao uso indiscriminado de engenharia genética. Também encorajamos o povo suíço a continuar a fazer oposição a esse tipo de tecnologia altamente arriscada. Qualquer rota possível de contaminação deve ser fechada, até que as pessoas possam estar seguras de que não vai haver transgênicos em seus pratos e nas suas plantações. Queremos a produção sustentável de alimentos, que atende aos interesses da população, dos fazendeiros e do meio ambiente", disse Geert Ritsema, coordenador da campanha de engenharia genética do Greenpeace Internacional.

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