Ativistas do Greenpeace bloqueiam sede da Tata, na Índia, exigindo que a empresa demonstre responsabilidade ambiental. A Tata quer construir um porto numa região de procriação de tartarugas.
A empresa indiana Tata está mais preocupada com sua imagem do
que com a destruição que poderá provocar em um santuário marinho
com a construção de um porto em Dhamra (Orissa), nas proximidades
do Santuário Marinho de Gahirmatha e do Parque Nacional de
Bhitarkanika. A obra coloca em risco o habitat natural das
tartarugas-olivas, espécie ameaçada.
A Tata entrou esta semana com uma ação legal na Justiça indiana
contra o Greenpeace para impedir que o grupo faça novos protestos
criticando as obras do porto, como o realizado no último dia 20 na sede da
empresa em Mumbai (Índia).
Os ativistas convocaram o presidente da empresa, Ratan Tata, a
assumir compromisso de proteger as tartarugas e o frágil
ecossistema de Dhamra (Orissa).
"A Tata demonstrou preocupação com sua imagem mas não com os
impactos que a construção do porto terá sobre as tartarugas e seu
habitat. Eles parecem não se preocupar com o fato de que muitos de
seus clientes querem que o porto seja transferido e que mais de 200
cientistas nacionais e internacionais, incluindo 30 especialistas
em tartarugas, já pediram o cancelamento das obras do porto. Eles
não se preocupam com o fato de que milhares de pescadores de Orissa
também querem a suspensão das obras do porto", afirma Ashish
Fernandes, da campanha de Oceanos do Greenpeace Índia. "Em vez de
aceitar e retificar seu erro, a empresa procura a Justiça para
silenciar seus críticos", disse Ashish.
O Greenpeace vem fazendo campanha há anos para impedir que a
Tata construa o porto em Dhamra, Orissa. Depois do protesto do
Greenpeace realizado no dia 20 de agosto, a Tata divulgou um
comunicado de imprensa afirmando que tinha interesse em discutir o
assunto com o Greenpeace.
Surpreso com a medida da Tata, Ashish Fernandes afirmou: "Depois
de ignorar as últimas três cartas do Greenpeace endereçadas ao sr.
Tata, é surpreendente que a Tata diga à imprensa que eles estão
abrindo espaço para o diálogo! No último dia 22 de agosto,
escrevemos de novo ao sr. Tata pedindo para marcar uma reunião. É
um absurdo que a Tata diga à imprensa que está aberta a
conversações e ao mesmo tempo vá à Justiça para impedir novos
protestos do Greenpeace. Em vez de responder à nossa carta, a Tata
procura calar os protestos contra seu projeto ecologicamente
destrutivo com ações legais."
Segundo Ashish, "o Greenpeace afirmou em sua última carta ao sr.
Tata que sempre esteve aberto ao diálogo, mas que qualquer diálogo
tem que ser aberto, transparente e gravado, devido ao histórico
passado de compromissos verbais feitos pela empresa que não foram
cumpridos. Considerando os últimos compromissos feitos pelo sr.
Tata, é imperativo que qualquer diálogo leve em consideração
preocupações ecológicas. A bola está no campo da empresa Tata e
eles agora demonstrarão se suas preocupações ambientais e sociais
são para valer."
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