Notícia - 10 - dez - 2007
Jaz o tauari gigante,
dos rios a montante,
em meio a tantos vultos
carbonizados, insepultos.
Monumento de uma floresta,
da qual apenas cinza resta,
de muitos devas foi abrigo,
um grande e fiel amigo.
A madeira sagrada,
fatalmente violada,
uma essência especial,
do mundo espiritual.
Em séculos de vida,
muita cena foi assistida
das alturas da sua copa
cheia de vida em volta.
Um verdadeiro arquivo,
enquanto ainda era vivo;
não bastasse ser decepado
ainda pelo fogo queimado.
Herança de um povo
extinto no mundo novo,
carente de inocência
e pleno em demência.
A vida efêmera e dramática,
de uma humanidade errática,
que exclui os recantos de paz
onde a natureza se compraz.
Homens de má sina
tramam na surdina
o fim do planeta vivo
em suicídio coletivo.
Humberto Pellizzaro
Brasília (DF), 08 de dezembro de 2007
www.recantodasletras.com.br
Poema para um magnífico exemplar de tauari (Couratari
guianensis), detrinta metros de altura, abatido e queimado em uma
Floresta Nacional nosul do estado do Amazonas.
O Tauari é conhecido no exterior como "carvalho brasileiro"
devido àssuas qualidades semelhantes ao carvalho europeu. Tauari,
ou tawari,também designa uma tribo indígena que habitava a margem
direita do rioEmbira, no Acre, e que foi extinta.