TCU pede ao Incra regularização de assentamentos na Amazônia

Notícia - 9 - jan - 2008
Greenpeace denunciou em agosto do ano passado esquema envolvendo os lotes e a exploração da floresta por madeireiras.

Incra acelerou a criação de dezenas de assentamentos nas áreas mais ricas em recursos madeireiros

O Tribunal de Contas da União (TCU) determinou ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) que regularize a situação de assentamentos na Amazônia que estão sem licenciamento ambiental. Muitos desses lotes servem de ponte para madeireiras explorarem ilegalmente a floresta na região, conforme denúncia feita pelo Greenpeace em agosto de 2007.

Dos 65 processos auditados pelo TCU nos estados do Pará, Amazonas e Acre, apenas um tinha licença ambiental e reserva legal - uma exigência do Código Florestal. O tribunal determinou que a situação desses assentamentos-fantasmas esteja regularizada até junho deste ano.

A Procuradoria da República no Pará também está acompanhando a situação dos assentamentos e entrou em 2007 com uma ação de improbidade contra o Incra.

Em agosto de 2007, o juiz federal Francisco de Assis Garcês Castro Júnior, da Subseção deSantarém, determinou a interdição de 99 projetos de assentamentocriados desde 2005 pelo Incra na região oeste do Pará. As famílias já assentadas nãoforam obrigadas a sair, mas ficaram impedidas de receberos créditos da reforma agrária e qualquer documento que atestelegalmente a posse plena dos lotes.

O relatório do Greenpeace revelou que o Incra estimulou parcerias entremadeireiras e supostas associações de assentados, em um esquema queprejudica a floresta amazônica e famílias de trabalhadores ruraissem-terra. A investigação, que durou oito meses, mostrou queo órgão federal acelerou a criação de dezenas de assentamentos em áreas ricasem recursos florestais para atender aos interesses das empresasmadeireiras. Alguns deles são assentamentos-fantasma - que existem nopapel, mas não contam com nenhum morador.

Pelo esquema, asempresas madeireiras assumem parte das obrigações na implementação dosassentamentos - como a construção de estradas e escolas, que seriamtarefas do Incra. Em troca, ficam com o direito de explorar a madeirada área. Os acordos também ajudariam o Incra a superestimar o númerototal de famílias supostamente assentadas em 2006. Das 136 mil famíliasassentadas no ano passado, 34 mil estão na região de Santarém.

Historicamente,a exploração predatória de madeira abre as portas da devastação dafloresta. A Amazônia brasileira perdeu mais de 700 mil quilômetrosquadrados de sua cobertura florestal nas últimas quatro décadas. Odesmatamento e as queimadas são a principal contribuição brasileira aoaquecimento global, colocando o País na incômoda posição de quartomaior emissor mundial de gases que provocam o efeito estufa.

Saiba mais

:

Leia o relatório Assentamentos de Papel, Madeira de Lei - Parceria entre Incra e madeireiros ameaça a Amazônia.

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