Família coleta água na região de Caetité: Ministério Público Federal da Bahia vai convocar audiência pública para discutir denúncia de contaminação da água local por urânio. INB, responsável pela mineração, diz que não há problema algum.
O Instituto de Gestão das Águas e Clima (Inga), da secretaria de
Meio Ambiente da Bahia, divulgou nesta terça-feira o resultado das
análises que promoveu em amostras de água da região de Caetité. Dos
sete poços analisados, um apresentou contaminação por urânio em
limite acima do permitido pela resolução do Conselho Nacional de
Meio Ambiente (Conama) 357/05. O Inga fez a coleta na semana do dia
22 de outubro em pontos usados pela população do município para
consumo e uso na lavoura.
O poço em que foi encontrada a água contaminada por técnicos do
Inga era utilizado para consumo por cinco famílias do distrito de
Juazeiro, no município de Caetité. O governo da Bahia interditou o
poço e vai fornecer água para as cerca de 20 pessoas. As famílias
terão assistência por parte da Secretaria de Saúde do município e
do Estado da Bahia.
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presidente Lula, ao ministro da Ciência e Tecnologia, e aos
representantes da INB e Comissão Nacional de Energia Nuclear
(CNEN).
O Greenpeace denunciou, no último dia 16 de outubro, a
contaminação da água de Caetité por urânio no lançamento do
relatório Ciclo do Perigo - Impactos da Produção de
Combustível Nuclear no Brasil. Foram oito meses de
investigação, com a coleta de amostras de água na área de
influência direta da mineração e beneficiamento de urânio realizada
pela estatal Indústrias Nucleares do Brasil (INB).
A coleta das amostras de água para consumo humano e animal foi
feita por uma equipe do Greenpeace em abril de 2008, em pontos
localizados dentro de um raio de 20 quilômetros ao redor da
mineração de urânio da INB em Caetité. As amostras foram
encaminhadas a um laboratório independente credenciado no Reino
Unido para a realização de análises. Pelo menos duas amostras de
água apresentaram contaminação por urânio muito acima dos índices
máximos sugeridos pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo
Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama).
"É mais um indício de que há sérios problemas na região e por
isso queremos uma investigação urgente por parte do Ministério
Público Federal para identificar a fonte exata e a extensão dessa
contaminação", afirma Rebeca Lerer, coordenadora da campanha de
Energia do Greenpeace.
"Os dados levantados pelo Inga confirmam a contaminação e
esperamos que os verdadeiros impactos e riscos da produção de
urânio em Caetité sejam esclarecidos na audiência pública marcada
para o próximo dia 7 (sexta-feira), na cidade."
O Greenpeace contribuiu para a análise feita pelos técnicos do
Inga, fornecendo as coordenadas geográficas de onde colheu suas
amostras de água, bem como detalhes da metodologia usada nas
análises.
Apesar de afirmar que realiza "milhares de testes" na região, a
INB até o momento não apresentou dado algum do monitoramento que
diz fazer da qualidade da água da região.
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