Ativistas do Greenpeace ateiam fogo em uma tora de árvore amazônica no rio Reno, em Bonn. O Greenpeace quer que o governo alemão dê 2 bilhões de euros por ano para proteger as florestas primárias tropicais remanescentes no planeta.
O governo da Alemanha comprometeu 500 milhões de euros pelos
próximos quatro anos para financiar a conservação da biodiversidade
através de uma rede de áreas protegidas. A partir de 2013, o país
colocará 500 milhões de euros por ano no fundo para conservar as
florestas. O anúncio foi feito nesta quarta-feira pela chanceler
alemã Ângela Merkel, durante abertura da sessão ministerial da 9ª
Conferência das Nações Unidas da Convenção sobre Biodiversidade
(CBD), que se encerra na próxima sexta-feira (31/5), em Bonn, na
Alemanha.
"Merkel enviou um sinal forte e muito importante para a
conservação da biodiversidade, que é também um vislumbre de
esperança para as florestas e os ecossistemas marinhos do mundo",
disse Martin Kaiser, chefe da delegação do Greenpeace em Bonn.
"Ao se comprometer com um fundo para financiar o estabelecimento
de uma rede de áreas protegidas, a Alemanha mostra que realmente
está trabalhando para proteger as florestas, o clima e nossa
biodiversidade".
"Esperamos agora que Merkel e o ministro de Meio Ambiente,
Sigmar Gabriel, possam desbloquear as negociações em Bonn para
alcançar o objetivo de proteger as florestas e garantir os direitos
dos povos indígenas e comunidades locais. Os países ricos devem
seguir o exemplo da Alemanha para ampliar este fundo".
O Greenpeace demanda de governos o compromisso financeiro na
ordem de 30 bilhões de euros para financiar uma rede global de
áreas protegidas florestais e reservas marinhas. Esta é uma das dez
principais demandas para esta conferência da CBD.
Na madrugada desta quarta-feira, 50 ativistas do Greenpeace, em
10 botes infláveis, atearam fogo em uma tora de cinco metros no rio
Reno, em Bonn, para chamar atenção para a destruição das florestas
tropicais de todo o mundo e para o seu papel no agravamento das
mudanças climáticas. A tora foi posicionada em uma plataforma no
centro do rio Reno, próximo ao local onde a Convenção está sendo
realizada. Uma faixa colocada na balsa dizia: "As florestas estão
queimando. Salve o Clima", em sete diferentes idiomas. A árvore é
um remanescente da espécie angelim vermelho que foi derrubada na
Amazônia em 2003.
Segundo o coordenador da Campanha da Amazônia, Paulo Adario,
"proteger as florestas é uma das formas mais efetivas e econômicas
de reduzir as mudanças climáticas. No entanto, a cada dois segundos
uma área de floresta do tamanho de um campo de futebol é destruída.
A grande maioria das florestas tropicais remanescentes está nos
países em desenvolvimento, como o Brasil, a Indonésia e o Congo,
que, geralmente, não têm recursos financeiros para proteger a
biodiversidade. Portanto, é vital que os países ricos se
comprometam com um aumento significativo de recursos para estes
países, de modo que eles possam implementar uma rede de áreas
protegidas e uma efetiva governança. A Convenção de Biodiversidade
não pode falhar: o tempo está se esgotando para nossas
florestas".
Durante as duas últimas semanas, mais de 5 mil delegados de 191
países estiveram reunidos na Convenção discutindo medidas para
aumentar a conservação da biodiversidade do planeta, como a
implementação de áreas de proteção marinhas e terrestres e medidas
de combate ao desmatamento ilegal.
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