O plutônio que será transportado entre o Reino Unido e a França vem do complexo nuclear Sellafield, situado em Cumbria - costa noroeste da Inglaterra (na foto).
Nos próximos dias, o navio Atlantic Osprey transportará centenas
de quilos de dióxido de plutônio em pó do complexo nuclear
Sellafield, situado em Cumbria - costa noroeste da Inglaterra -
para o porto de Cherbourg, na França, onde tem chegada prevista
para a madrugada do dia 17 para o dia 18 de março. Uma vez em solo
francês, a carga radioativa seguirá para a planta de
reprocessamento de plutônio em La Hague em caminhões comuns que não
possuem certificação para transportar esse tipo de carga.
Este transporte vem sendo preparado há aproximadamente dois anos
e é parte do acordo firmado entre o governo do Reino Unido e a
gigante estatal francesa Areva. A Areva cedeu dióxido de plutônio
para a fabricação de "óxido misto" (ou MOX, na sigla em inglês) no
Reino Unido. O MOX é utilizado como combustível nas instalações
nucleares européias e o transporte dessa semana será dos resíduos
do MOX usado nas centrais nucleares britânicas.
Um dos maiores especialistas ingleses em terrorismo nuclear, Dr.
Frank Barnaby, afirmou que um grupo terrorista razoavelmente
equipado não teria dificuldades para fabricar uma bomba e causar
uma explosão nuclear com esse tipo de material. Segundo o
Greenpeace, a falta de segurança no transporte do material
radioativo expõe os altos riscos a que ficam sujeitos o meio
ambiente e a população e revela o lado obscuro da indústria
nuclear.
Energia nuclear não é solução
Na contramão do que defendem governos e indústrias
pró-nucleares, o cenário mais otimista mostra que seria possível,
no máximo, triplicar o número de usinas atômicas no mundo todo até
2030.
"Ainda que alcançasse esse patamar, a renascença nuclear
reduziria as emissões de CO2 na atmosfera em apenas 9%, e ao custo
astronômico de € 780 bilhões, valor equivalente a todos os
investimentos necessários para estabelecer metas concretas para
energias renováveis e de eficiência energética", disse o
coordenador da campanha antinuclear do Greenpeace França, Yannick
Rousselet.
Vale ressaltar que os custos econômicos, ambientais e sociais da
estocagem de enormes quantidades de lixo radioativo, os riscos de
acidentes e da proliferação nuclear, sem contar as emissões
indiretas de gases estufa do ciclo de construção, manejo e
descomissionamento de uma usina nuclear, não são contabilizados
pela indústria nuclear. Confira o nosso
relatório Cortina de Fumaça, que revela detalhes das emissões
de CO2 da energia nuclear.
"Mesmo que os argumentos oficiais digam se tratar de uso civil
da energia nuclear, eles são utilizados apenas para proteger a
imagem da Areva e da EDF - Électricité de France - a maior empresa
geradora e distribuidora de eletricidade da França e uma das
maiores do mundo", continuou Rousselet. "Não é nada positivo que
problemas relacionados à tecnologia nuclear, como os riscos de
proliferação, venham à tona, especialmente no momento em que o
governo francês se empenha em vender EPRs (Evolutionary Pressurized
Reactors, reatores de água pressurizada de terceira geração) a
vários países do mundo, inclusive nações politicamente instáveis
como a Líbia".
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