Marceo Furtado, diretor de campanhas do Greenpeace Brasil, está em Bali para a Conferência da ONU sobre o clima e lá conferiu de perto a atividade do Greenpeace na abertura da reunião.
Assim que o mais importante encontro em dez anos sobre o clima
se iniciou em Bali, nesta segunda-feira, o Greenpeace deu seu
recado: 'Não cozinhem o clima!' Um termômetro gigante em cima de um
globo em chamas, vigiado por um preocupado urso polar, foi colocado
do lado de fora do prédio da conferência para alertar os delegados
participantes da reunião da ONU que é preciso impedir que as
temperaturas do planeta atinjam níveis perigosos.
O termômetro ficará no local nas próximas duas semanas, que é o
tempo de duração da conferência.
"Por anos os governos do mundo nos deixaram na mão falhando em
lidar com o problema das mudanças climáticas. Nos deixaram cada vez
mais expostos à maior ameaça da humanidade", afirmou Stephanie
Tunmore, do Greenpeace Internacional.
"Em Bali, os governos têm que pôr logo a mão na massa - e agir
de acordo com as
alarmantes evidências científicas sobre as mudanças climáticas
discutidas duas semanas atrás em Valência, na reunião do
IPCC.
Milhões de pessoas, especialmente em países mais pobres, já
estão sofrendo os impactos das mudanças climáticas, como
tempestades e inundações."
O diretor de campanhas do Greenpeace Brasil, Marcelo Furtado,
lembrou que o Brasil é parte do problema "e deve, portanto, assumir
sua parcela de responsabilidade na luta contra o aquecimento
global".
"O Governo brasileiro precisa mudar a retórica do 'direito de
poluir para crescer' e participar ativamente na luta contra o
aquecimento global. Devemos assumir o compromisso pelo desmatamento
zero, que garante a conservação de florestas com o a Amazônica e
elimina nossa maior fonte de emissões", afirma Marcelo.
Furtado cobra a implementação imediata de uma política nacional
de mudanças climáticas. "A solução não está do outro lado do mundo,
mas bem ao alcance das mãos do governo brasileiro", afirma.
Pelo menos 20% das emissões globais de gases do efeito estufa
provêem da destruição das florestas tropicais. No Brasil, esta
conta é ainda mais perversa. Cerca de 75% das emissões brasileiras
de gases que provocam o aquecimento global são decorrentes dos
desmatamentos, principalmente na Amazônia, e mudanças no uso do
solo.
A Amazônia já perdeu 17% da cobertura florestal original e uma
área similar se encontra severamente degradada. Se soluções não
forem encontradas e implementadas nos próximos dez anos, a floresta
poderá estar irreversivelmente ameaçada, com conseqüências
desastrosas para a biodiversidade e o clima do planeta.
"A Amazônia está indo para o espaço, desmatada e queimada para
dar lugar a pastos para gado, como ocorre na Flona do Jamanxim, ou
campos de soja", disse Paulo Adário, coordenador da campanha da
Amazônia do Greenpeace. "É responsabilidade do governo parar
imediatamente esse processo. Não há mais tempo a perder: a redução
de emissões brasileiras de gases que provocam o aquecimento global
passa por zerar o desmatamento na Amazônia o mais rapidamente
possível. O Brasil não pode mais queimar o futuro do planeta",
acrescentou.
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nossa página especial da campanha Desmatamento Zero.
Para manter a temperatura do planeta em níveis seguros, as
emissões globais de gases do efeito estufa têm que cair a partir de
2015. Isso significa um compromisso maior dos países
industrializados em cortar suas emissões em pelo menos 30% até 2020
e 80% até 2050. Em termos mundiais, as emissões têm que ser
reduzidas pela metade até 2050. Isso tudo sob a segunda fase do
Protocolo de Kyoto, que deverá estar em vigor a partir de 2012.
O Greenpeace quer que os governos reunidos neste encontro em
Bali estabeleçam um prazo de dois anos para acordar um plano de
ação que precisamos para a sobrevivência do planeta. Este deve ser
um plano de ação que corte drasticamente as emissões de
combustíveis fósseis e acabe
com o desmatamento, um grande contribuidor de emissões de CO2.
Isso não é negociável.
Em Bali, os governos têm que concordar com os elementos chaves
desse plano de ação e criar uma agenda detalhada para assegurar que
suas negociações estejam concluídas em 2009.
Os países desenvolvidos, responsáveis por mais de 80% de todas
as emissões produzidas pelos seres humanos atualmente na atmosfera,
precisam encontrar meios de ajudar o mundo em desenvolvimento para
lidar com os impactos das mudanças climáticas e obter tecnologia
limpa.
"Também temos que ver mais países em desenvolvimento concordando
em atacar suas próprias emissões", afirma Yang Ailun, do Greenpeace
China.
O acordo de 2009 deve também prever o financiamento dessa
adaptação, um mecanismo para a transferência de tecnologia limpa e
um mecanismo separado para o desmatamento
de florestas tropicais, que contribuem com cerca de 1/5 das
emissões de gases do efeito estufa no mundo hoje.
O Greenpeace acredita que é possível impedir que os piores
impactos das mudanças climáticas coloquem em risco a vida de
milhões de pessoas. Isso requer uma revolução no modo como usamos e
produzimos energia, e um forte compromisso em acabar com o
desmatamento em todo o mundo.
Saiba mais:
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pela metade as emissões de gases do efeito estufa até 2050, usando
fontes renováveis de energia.