Na manhã desta terça-feira, o Greenpeace foi às ruas de
Florianópolis a fim de chamar a atenção para os problemas que a
instalação de novas termelétricas a carvão pode trazer ao meio
ambiente e à saúde das pessoas. Representando as vítimas da
indústria do carvão no sul do Estado de Santa Catarina, os cerca de
20 ambientalistas caminharam do Mercado Público até a sede da
Fundação do Meio Ambiente de Santa Catarina (Fatma), órgão estadual
responsável pelo controle de poluição das usinas Jorge Lacerda 1 e
2 (Capivari de Baixo, SC), e pelo licenciamento ambiental da
planejada usina Usitesc (Treviso,SC). Esta foi a primeira atividade
do Greenpeace para a Semana do Meio Ambiente deste ano.
Recentemente, o governo Lula anunciou acordos para a construção
de novas usinas no sul do país, o que corresponde a um grande
retrocesso do ponto de vista energético e ambiental. Já em Bonn
(Alemanha), começa hoje a conferência internacional de energias
renováveis, que reúne mais de 1.000 representantes de governos,
indústrias e ONGs, com o objetivo de debater formas sustentáveis de
implementação dessas fontes energéticas.
"Há uma forte contradição no governo brasileiro
entre o que se prega nos debates internacionais e o que se pratica
no dia-a-dia. O Brasil vai a Bonn falar de modernidade, dizer que
há novas maneiras de realizar o comércio no mundo e se
auto-proclamar campeão das energias renováveis -- mas no entanto,
na calada da noite, anunciou a construção de uma usina a carvão
mineral em Cachoeira do Sul (RS) e aventou com a possibilidade de
retomada do programa nuclear brasileiro", afirmou o coordenador da
Campanha de Energia do
Greenpeace, Sérgio Dialetachi.
"A emissão de poluentes pela usina Jorge Lacerda, a maior
termelétrica a carvão do país, está comprometendo seriamente os
recursos hídricos, a Mata Atlântica, o solo e o ar da região sul de
Santa Catarina", disse o coordenador da ONG Sócios da Natureza, de
Araganguá (SC), Tadeu Santos. "Além disso, as usinas em
funcionamento ainda não estão regularizadas. Mesmo assim já estão
querendo instalar uma nova termelétrica".
Além de firmarem posição contra a construção de
novas usinas a carvão mineral e contra a falta de controle
ambiental daquelas já em operação no país, os ambientalistas
criticaram a postura dos países ricos. Ao chegarem em frente do
prédio da Fatma, abriram uma grande faixa em que se lia "Energias
Limpas Lá... Poluição Aqui". A frase é um confronto do discurso dos
países desenvolvidos em favor das energias limpas, face a suas
práticas comerciais, pelas quais continuam a impor aos países em
desenvolvimento projetos sujos e ultrapassados, como usinas
nucleares ou a carvão.
O ato de hoje em Florianópolis faz parte das atividades
programadas pela Coalizão Carvão Não!, formada pelo Greenpeace,
Sócios da Natureza, Federação de Entidades Catarinenses, Associação
Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural, Amigos da Terra/Brasil e
outras ONGs e movimentos sociais na semana passada. Ainda dentro da
programação, Sérgio Dialetachi deverá entregar entre terça e
quarta-feira o livro "Carvão - O Combustível de Ontem" a
autoridades de Santa Catarina.