Usinas a carvão mineral motivam atividade do Greenpeace em Florianópolis

Notícia - 31 - mai - 2004
Combustível é ultrapassado, além de ser a mais poluente de todas as fontes fósseis; na Alemanha, lideranças discutem energias limpas

Na manhã desta terça-feira, o Greenpeace foi às ruas de Florianópolis a fim de chamar a atenção para os problemas que a instalação de novas termelétricas a carvão pode trazer ao meio ambiente e à saúde das pessoas. Representando as vítimas da indústria do carvão no sul do Estado de Santa Catarina, os cerca de 20 ambientalistas caminharam do Mercado Público até a sede da Fundação do Meio Ambiente de Santa Catarina (Fatma), órgão estadual responsável pelo controle de poluição das usinas Jorge Lacerda 1 e 2 (Capivari de Baixo, SC), e pelo licenciamento ambiental da planejada usina Usitesc (Treviso,SC). Esta foi a primeira atividade do Greenpeace para a Semana do Meio Ambiente deste ano.

Recentemente, o governo Lula anunciou acordos para a construção de novas usinas no sul do país, o que corresponde a um grande retrocesso do ponto de vista energético e ambiental. Já em Bonn (Alemanha), começa hoje a conferência internacional de energias renováveis, que reúne mais de 1.000 representantes de governos, indústrias e ONGs, com o objetivo de debater formas sustentáveis de implementação dessas fontes energéticas.

"Há uma forte contradição no governo brasileiro entre o que se prega nos debates internacionais e o que se pratica no dia-a-dia. O Brasil vai a Bonn falar de modernidade, dizer que há novas maneiras de realizar o comércio no mundo e se auto-proclamar campeão das energias renováveis -- mas no entanto, na calada da noite, anunciou a construção de uma usina a carvão mineral em Cachoeira do Sul (RS) e aventou com a possibilidade de retomada do programa nuclear brasileiro", afirmou o coordenador da Campanha de Energia do

Greenpeace, Sérgio Dialetachi.

"A emissão de poluentes pela usina Jorge Lacerda, a maior termelétrica a carvão do país, está comprometendo seriamente os recursos hídricos, a Mata Atlântica, o solo e o ar da região sul de Santa Catarina", disse o coordenador da ONG Sócios da Natureza, de Araganguá (SC), Tadeu Santos. "Além disso, as usinas em funcionamento ainda não estão regularizadas. Mesmo assim já estão querendo instalar uma nova termelétrica".

Além de firmarem posição contra a construção de novas usinas a carvão mineral e contra a falta de controle ambiental daquelas já em operação no país, os ambientalistas criticaram a postura dos países ricos. Ao chegarem em frente do prédio da Fatma, abriram uma grande faixa em que se lia "Energias Limpas Lá... Poluição Aqui". A frase é um confronto do discurso dos países desenvolvidos em favor das energias limpas, face a suas práticas comerciais, pelas quais continuam a impor aos países em desenvolvimento projetos sujos e ultrapassados, como usinas nucleares ou a carvão.

O ato de hoje em Florianópolis faz parte das atividades programadas pela Coalizão Carvão Não!, formada pelo Greenpeace, Sócios da Natureza, Federação de Entidades Catarinenses, Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural, Amigos da Terra/Brasil e outras ONGs e movimentos sociais na semana passada. Ainda dentro da programação, Sérgio Dialetachi deverá entregar entre terça e quarta-feira o livro "Carvão - O Combustível de Ontem" a autoridades de Santa Catarina.

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