Em 2030, a energia solar poderá atender às necessidades
energéticas de dois terços da população mundial e a geração eólica
em alto-mar, no Mar do Norte, poderá fornecer energia para 71
milhões de residências na Europa. Essas são as principais
conclusões dos relatórios internacionais Geração Solar e Revolução Elétrica do Mar do Norte (textos
em inglês), lançados esta semana pelo Greenpeace.
O relatório Geração Solar, que está em sua quinta edição, foi
produzido em conjunto com a Associação Européia da Indústria
Fotovoltaica. Os números confirmam o impressionante crescimento da
energia solar no mundo e seu enorme potencial energético. Em 2030,
estima-se que estejam instalados mais de 1.800 GW de painéis
fotovoltaicos no mundo. Essa capacidade deve gerar 2.600
terawatts/hora (1 tera = mil gigas) de eletricidade por ano, ou 14%
da demanda global, atendendo a 1,3 bilhões de pessoas em áreas
cobertas por sistemas elétricos e outros 3 bilhões de pessoas em
áreas rurais sem acesso a eletricidade.
O setor fotovoltaico será também o responsável pelo crescimento
de economias locais. O número de empregados no setor, trabalhando
na fabricação, instalação e manutenção dos painéis, pode crescer
dos atuais 120 mil para 10 milhões no mundo em 2030.
"A energia solar produzida pelos painéis fotovoltaicos tem um
potencial energético enorme no Brasil e no mundo. Para viabilizar
este potencial, é essencial o apoio governamental através da
aplicação de medidas políticas como as tarifas feed in. A aplicação
deste mecanismo em diversos países tem garantido o crescimento do
setor, permitindo que o consumidor possa operar seu próprio sistema
solar em casa e ser remunerado pela geração excedente de energia",
afirma Ricardo Baitelo, da campanha de Energia do Greenpeace
Brasil.
O relatório Revolução Elétrica do Mar do Norte, coordenado pelo
3E, aponta as vantagens da interconexão de parques eólicos
offshore entre o Reino Unido, a Escandinávia, os Países
Baixos, a França e a Alemanha. A conexão reduziria a variação da
geração eólica no mar e também serviria para a distribuição de
outras energias renováveis, garantindo o fornecimento estável de
eletricidade ao sistema.
O estudo indica que a geração eólica offshore no Mar do Norte
pode gerar 250 TWh de eletricidade por ano, atendendo a 13% do
suprimento dos países da região. Um parque offshore médio produz
eletricidade durante mais de 90% do ano e a interconexão destes
parques garantiria uma capacidade firme entre 10 e 68 GW. Esta rede
forneceria energia a 71 milhões de residências e contribuiria para
a redução significativa de gases de efeito estufa.
"O potencial de geração offshore no Brasil ainda não foi
levantado, mas é certamente superior aos 143 GW do potencial de
geração eólica em terra. A utilização desta energia no futuro pode
atender a boa parte do aumento da demanda nacional nas próximas
décadas e eliminar definitivamente a necessidade de construção de
termelétricas fósseis e nucleares, no país", afirma Baitelo.
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