Visão de Bush sobre escudo anti-mísseis ameaça a segurança global

Notícia - 1 - mai - 2001

A visão do presidente George W. Bush sobre a expansão do sistema de defesa anti-mísseis, conhecido como "Guerra nas Estrelas", ameaça dar a partida em uma nova corrida armamentista e colocar em risco a segurança global, que o presidente americano afirma querer reforçar.

"A visão que Bush tem do projeto Guerra nas Estrelas é um resquício da Guerra Fria, que ele quer deixar para trás. O sistema proposto é tão perigoso e desestabilizador quanto qualquer iniciativa militar daquela era", disse Délcio Rodrigues, coordenador de campanhas do Greenpeace Brasil. "Se Bush realmente quer preservar ´a paz para as gerações futuras´, ele deveria abandonar o programa Guerra nas Estrelas e negociar internacionalmente uma forma de livrar o mundo das armas nucleares".

O Greenpeace iniciou uma campanha internacional contra o programa Guerra nas Estrelas. O navio da frota verde Rainbow Warrior está na área de testes do escudo anti-míssel, nas Ilhas Marshall, no Pacífico. A campanha estará concentrada no Reino Unido e Dinamarca, cujos aparatos e radares são essenciais para a continuidade do escudo americano de defesa anti-mísseis.

"Reduzir o arsenal de armas nucleares dos EUA é um dever internacional e não deveria ser usado para assegurar apoio europeu ao Guerra nas Estrelas", disse Rodrigues. "Está na hora da União Européia mostrar sua liderança e barrar os perigosos planos de continuidade do Guerra nas Estrelas".

Ao mesmo tempo em que Bush anunciou corte unilateral no arsenal do país, ele propõe um aumento no orçamento para o desenho, desenvolvimento e produção de armas nucleares em 4,5% para US$5,3 milhões.

"A promessa de Bush de corte não é uma simples redução no número de armas, mas faz parte de uma modernização do arsenal nuclear dos EUA, com aparatos novos, menores e mais aproveitáveis", disse Rodrigues. "Este movimento em direção a uma guerra nuclear pela disputa de estratégias é muito mais perigosa, e a declaração de Bush de que ele está tentando tornar o mundo mais seguro não faz sentido".

Bush deixou muito claro que ele não tem interesse no desarmamento ou na desaceleração da proliferação nuclear. Em seus primeiros cem dias de mandato, ele rejeitou a ratificação do tratado global para banir os testes nucleares, se posicionou contra a continuação das negociações com a Coréia do Norte, falou sobre a retirada dos EUA/Rússia do Tratado Anti-Mísseis Balísticos (TAB), se distanciou da Rússia e está assumindo uma posição agressiva contra a China.

"Bush não pode se posicionar como um dos responsáveis pela paz mundial, dado o seu histórico nos últimos cem dias", disse Rodrigues. "Quanto mais ele prosseguir com o programa Guerra nas Estrelas e sua política pró-nuclear, mais o mundo se aproxima de uma nova corrida armamentista".

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