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3. Quais são os impactos ambientais causados pela construção de grandes usinas hidrelétricas?
As grandes usinas hidrelétricas causam fortes impactos ambientais, sociais e econômicos. Agricultores são expulsos de suas terras, áreas naturais são alagadas, o micro-clima é alterado, espécies animais e vegetais são afetadas, etc.
Nem mesmo as pequenas hidrelétricas escapam às nossas preocupações pois, ao colocarmos várias pequenas hidrelétricas em um único rio, podemos estar acumulando pequenos impactos que, ao serem somados, representariam grandes danos.
4. Uma grande barragem pode ser mais prejudicial que uma usina nuclear?
Os danos causados pela radiação são infinitamente mais traumáticos do que os causados pela instalação de hidreléticas. O potencial de destruição de um acidente em uma usina nuclear é muitas vezes maior do que o de uma hidrelétrica. Chernobyl provocou sérios efeitos em um raio equivalente a 450 km ao redor da usina.
A variedade dos danos causados pela radiação também é extremamente maior. O governo do Ucrânia relacionou 300.000 mortes ao acidente de Chernobyl e considera cerca de 3 milhões de pessoas como vítimas oficiais da explosão.
5. Como é formado o lixo atômico?
No interior dos reatores, à medida que ocorre a fissão dos átomos (ruptura do núcleo de uma molécula pelo bombardeamento de neutrons, liberando grande quantidade de energia), geram-se muitos elementos radioativos. Estes resíduos constituem o chamado lixo atômico.
O reator de Chernobyl, por exemplo, acumulava cerca de uma tonelada de elementos residuais altamente radioativos a cada ano. Alguns fragmentos desse lixo tornam-se estáveis em pouco tempo (minutos ou dias), entretanto, existem outros que levam centenas ou até milhares de anos para deixar de emitir radiação. É o caso, por exemplo, do césio, do estrôncio e do plutônio. Este último, além de extremamente tóxico e perigoso, leva cerca de 500 mil anos para se tornar inócuo.
6. Um dos grandes problemas gerados pelos reatores nucleares é o destino do lixo nuclear: onde guardá-lo durante um enorme período de tempo, de modo a não produzir danos às pessoas e ao ambiente?
O tempo que uma certa amostra de átomos radioativos leva para se desintegrar varia muito, de segundos até bilhões de anos, dependendo do seu núcleo. Este tempo de desintegração é chamado de meia-vida, isto é, o intervalo de tempo no qual metade dos núcleos inicialmente instáveis de uma amostra se desintegram. Um dos materiais radioativos liberados em Chernobyl (e causador do acidente em Goiânia), o Césio 137, por exemplo, tem meia-vida de 30 anos. Isso significa que mesmo depois de passados 30 anos desse acidente, ainda restará metade do número de átomos de Césio 137 depositados no solo. Passados mais 30 anos (60 ao todo), restará um quarto do número inicial e assim por diante.
Até hoje não existem soluções adequadas e definitivas para isso. Não se trata apenas de um problema científico e tecnológico, mas envolve questões de outras naturezas. Dez mil anos é um período de tempo maior que a duração de civilizações conhecidas. Quem pode saber o que será do planeta num prazo tão longo? Por quantas mudanças políticas e sociais, interesses econômicos, guerras e alterações nos ecossistemas terá passado o mundo durante todo esse tempo? Por mais eficazes que sejam as soluções que possam vir a ser implementadas, ainda assim é de se perguntar se estas poderão garantir a segurança por muitas gerações.
Na maior parte das usinas nucleares, esses resíduos são temporariamente armazenados em tanques ou piscinas de resfriamento no próprio edifício do reator, aguardando um destino permanente.
7. Quais são as energias renováveis utilizadas no Brasil?
O potencial eólico do Brasil já está todo mapeado e será possível gerar uma boa quantidade de eletricidade, principalmente no Nordeste e no Rio Grande do Sul. As empresas fabricantes de turbinas eólicas já estão se instalando no país e a Universidade Federal de Pernambuco transformou-se em um grande centro de pesquisa na área, com seus professores ministrando aulas em todo o mundo.
A energia solar se divide em térmica, que usa aquecedores de água colocados sobre os telhados das casas (tecnologia mais antiga, já bastante empregada no Brasil), e a fotovoltaica, que gera energia elétrica a partir da luz solar (já bastante desenvolvida na Europa).
A biomassa pode produzir energia de diferentes formas, desde o velho álcool vindo da cana-de-açúcar até o biodiesel que já está movimentando caminhões e ônibus com óleos vegetais (como dendê, babaçu, mamona e o usado para fritar as batatinhas de uma cadeia internacional de fast-food), passando pelo gás retirado do lixo de aterros sanitários. As pequenas centrais hidrelétricas, se bem planejadas e distribuídas, podem ser uma solução barata. O problema está em colocá-las em áreas muito sensíveis ou em uma seqüência muito numerosa em um mesmo rio - a soma de vários pequenos impactos se transformaria em um grande dano.
Há, ainda, outras formas de renováveis que não se aplicam ao Brasil: geotérmica (aproveitando o calor de geisers e lavas vulcânicas), de marés (gerando energia com a variação do nível das marés durante as 24 horas do dia), de ondas (que transforma a passagem das ondas do mar em energia), térmica marítima (que gera corrente elétrica a partir da diferença de temperatura da água do mar na superfície e nas profundezas), entre outras.
Também existem motores que funcionam com hidrogênio, com ar comprimido, com células de combustível (onde a reação química vinda da junção de 2 ou mais compostos produz calor), etc.
A eficiência energética é um outro aspecto da questão que deveria ser levado a sério. O apagão nos ensinou que nossas máquinas gastam muito mais energia do que deveriam e que nós consumimos muito mais eletricidade do que precisamos. É possível trocarmos máquinas velhas por outras, mais modernas, que consumam bem menos energia. É possível mudarmos nossos hábitos e evitarmos os desperdícios de luz.
A repotencialização também é uma tendência importante no ramo energético. A simples troca das turbinas das nossas hidrelétricas mais antigas por equipamentos mais avançados, sem causar novos danos ambientais ou sociais, sem a necessidade de novas barragens ou a formação de novos lagos, geraria uma maior quantidade de eletricidade com o mesmo volume de água represado hoje.
8. Que risco o transporte de plutônio pode causar ?
O Greenpeace esta absolutamente convencido de que este tipo de transporte impõe enormes risco ao meio ambiente e a nossa sobrevivência. E ai vão alguns fatos sobre este tipo de comercio.
Este transporte só está ocorrendo, devido a uma falsificação deliberada praticada pela British Nuclear Fuel Ltda. na fabricação deste material o MOX (óxido misto de urânio e plutônio) que foi enviado em 1999 pelos britânicos para ser usado nas usinas nucleares japonesas. No entanto, foi descoberto que dados importantes de controle de segurança na fabricação do material haviam sido falsificados. Os japoneses exigiram o retorno do material como condição para a assinatura de novos contratos de produção de MOX com a BNFL. Se estes forem assinados, cerca de 100 novos transportes de plutônio poderão cruzar os oceanos nas próximas décadas.
O carregamento é conseqüência do programa japonês de uso de plutônio como combustível para a produção de energia em usinas nucleares. Para obter o plutônio, que não existe na natureza, o Japão envia o combustível nuclear gasto em sua usinas nucleares convencionais para reprocessamento na França e Inglaterra. Na França, a operação é feita pela Cogema, em sua usina de La Hague. Na Inglaterra, o reprocessamento é feito pela British Nuclear Fuel Limited (BNFL), na usina de Sellafield.