O Greenpeace comemorou a decisão da Estônia de abrir um inquérito sobre o navio cargueiro tóxico Probo Koala, de bandeira panamenha, que fez tráfico ilegal de lixo tóxico e jogou carga contaminada na Costa do Marfim, provocando a morte de oito pessoas e contaminando mais de 40 mil em agosto último.

O Greenpeace fez um bloqueio no porto de Paldiski, na Estônia, onde o Probo Koala estava ancorado, e impediu que o navio saísse de lá por três dias, exigindo a apreensão da embarcação e de documentos a bordo, assim como a abertura de inquérito contra a empresa holandesa que fretara o navio em agosto para a viagem à Costa do Marfim.
O governo da Costa de Marfim, por sua vez, também exigiu que as autoridades da Estônia investigassem o navio. “O Probo Koala é a cena de um crime internacional e precisa ser amplamente inspecionado para que se estabeleçam todos os culpados dos eventos trágicos da contaminação tóxica letal na Costa do Marfim”, disse Helen Perivier, coordenadora da campanha de tóxicos do Greenpeace Internacional.
“Apenas através de um amplo inquérito os culpados poderão ser punidos e se fará justiça às vítimas da contaminação. Só assim conseguiremos aprender lições para impedir que eventos como esse voltem a ocorrer”, concluiu.
O escândalo do lixo tóxico jogado na Costa do Marfim veio à tona em setembro, quando foram relatadas as primeiras mortes, e aconteceram protestos nas ruas de Abidian contra o governo, responsabilizado pela permissão de entrada do navio. Apesar dos protestos, o Probo Koala teve permissão de sair das águas do país, mas foi finalmente bloqueado pelo Greenpeace no porto da Estônia na última segunda-feira.
Os resultados preliminares da investigação das autoridades estônias indicam que a contaminação encontrada no navio pelo ministério do Meio Ambiente é similar à encontrada na Costa do Marfim. O Greenpeace acredita que é imprescindível que a Estônia aceite o pedido da Costa do Marfim de manter o navio apreendido em seu porto até que o processo criminal tenha sido concluído.