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O presidente francês Jacques Chirac decidiu hoje mandar o navio de guerra Clemenceau de volta à França, depois de uma longa batalha do Greenpeace para que o navio não deixasse o país antes de ser descontaminado. Depois de várias ações do Greenpeace e mensagens para Chirac, que causaram um grande constrangimento internacional, o Clemenceau teve que dar meia volta e retornar para a França.
“O governo francês foi obrigado a abandonar seus planos de despejar lixo tóxico na Índia. Essa é uma grande vitória para o meio ambiente, para a Índia e para o direito internacional”, disse Pascal Husting, diretor-executivo do Greenpeace França.
A França queria levar 27 mil toneladas de resíduos químicos para a Índia, onde trabalhadores sem a devida proteção iriam entrar em contato com substâncias tóxicas como amianto, ascarel, chumbo e mercúrio.
Em dezembro, O Greenpeace impediu a saída do Clemenceau do porto francês de Toulon. Em janeiro, um barco com ativistas do Greenpeace abordou o navio em pleno mar Mediterrâneo, impedindo sua passagem pelo Canal de Suez. O governo francês interveio e conseguiu do Egito a permissão para o Clemenceau seguir viagem.
Enquanto isso, na Índia, crescia a mobilização da opinião pública para impedir a entrada do Clemenceau. Neste mês, a corte indiana ordenou que o navio de guerra mantivesse distância das águas indianas, em decisão judicial final. Ao mesmo tempo, ciberativistas ao redor do mundo bombardeavam o governo francês com envio de e-mails, exigindo o retorno do navio à França.
Hoje, às vésperas de uma visita oficial de Chirac à Índia, o presidente francês anunciou que o porta-aviões retornaria à França.
Enquanto todos saboreiam a vitória do caso Clemenceau, que se tornou símbolo da injustiça moral dos países industrializados, despejando seu lixo tóxico em outras partes do mundo, devemos lembrar que essa é só a ponta do iceberg. Todo ano, uma grande frota de navios velhos contendo substâncias tóxicas, como amianto, ascarel e metais pesados, partem de países ricos para ser sucateada no Terceiro Mundo.
Nós acreditamos que os governos devem observar o precedente do caso Clemenceau e passar a respeitar as leis internacionais que proíbem o despejo de lixo tóxico dos países ricos nos países pobres.