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Marcos Palmeira é há anos fã incondicional dos produtos orgânicos, que 
produz em sua fazenda no interior do Rio de Janeiro.

Marcos Palmeira é há anos fã incondicional dos produtos orgânicos, que produz em sua fazenda no interior do Rio de Janeiro.

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São Paulo (SP), Brasil — Marcos Palmeira é fã de carteirinha de produtos orgânicos e há anos que só consome o que for plantado e colhido segundo os mandamentos da agroecologia. Quando comprou uma pequena fazenda na região serrana do Rio de Janeiro, há mais de 10 anos, não tinha a menor idéia do que era tudo isso, mas aos poucos foi se deixando seduzir. "Descobri o mundo maravilhoso da sustentabilidade", diz o ator, que hoje produz quase 60 itens, entre verduras, legumes, frutas e laticínios. "Consumindo produtos orgânicos, você não só esta fazendo bem para a sua saúde como também ajuda na preservação do planeta e na fixação do homem no campo. É um produto ético - e ética é coisa rara hoje em dia." Confira a entrevista que Marcos Palmeira concedeu para a Revista do Greenpeace.

Quando você começou a se dedicar à agroecologia? A questão ambiental pesou na decisão? Por que?
R - Quando eu comprei a fazenda, pensava apenas em produzir leite, sem me preocupar em ser ou não orgânico por pura falta de informação. Ao notar que os produtores de verdura não consumiam o próprio produto, percebi que algo estava errado. Então resolvi correr atrás de informações sobre agroecologia. Foi quando conheci o Sr. João Carlos Ávila, da Associação de Biodinâmica  (ABD), e descobri então o mundo maravilhoso da sustentabilidade, onde o foco principal deve ser o solo e não a planta. A partir daí foquei a minha vida na agroecologia e hoje tenho um sócio, o engenheiro agrônomo senegalês Aly Ndjai, que me dá todo o suporte para que a fazenda produza mais sem afetar a sua preservação. Só a agroecologia permite isso - preservando a natureza, aumento minha produtividade.

O que você produz em sua fazenda atualmente? Quem são os seus principais clientes?
R - Hoje produzimos uma variedade de quase 60 itens, entre verduras, legumes, frutas e laticínio, que são vendidos para a rede de supermercados Zona Sul, do Rio de Janeiro, que é minha parceira desde que comecei a trabalhar com a agroecologia. Eles entregam a domicílio e alguns pontos de venda querem fazer uma feira livre com esse tipo de produto orgânico.

Qual a maior vantagem do produto orgânico sobre o convencional?
R - São várias as vantagens do produto orgânico em relação ao convencional. Consumindo produtos orgânicos, você não só esta fazendo bem para a sua saúde como também ajuda na preservação do planeta e na fixação do homem no campo. É um produto ético - e ética é coisa rara hoje em dia.

A agroecologia é viável em larga escala ou se resume à pequena produção? Por que?
R - A agroecologia é viável em qualquer tamanho de propriedade. Ela pode perfeitamente ser feita em larga escala. Se não fosse assim, o Brasil não seria o maior produtor de açúcar orgânico do mundo, de suco de laranja, e por aí vai... A agroecologia não depende de espaço, depende do entendimento do proprietário sobre os benefícios que a sua propriedade a partir do momento que adota esse sistema, além da certeza de que sua terra será produtiva para o resto da vida!

Em casa, consome apenas orgânicos? Se não, qual a proporção?
R - Em casa consumo 100% orgânico. Não é fácil, mas eu consigo - junto o que produzo com o que consigo comprar fora.

No geral, o brasileiro se alimenta bem? Melhorou ou piorou nos últimos anos?
R - O brasileiro se alimenta bem porque come pouco produto industrializado. Pela falta de condições financeiras, ele acaba recorrendo a produtos caseiros, o que faz com que sua alimentação seja relativamente boa. Mas eu acho que ainda falta salada e legumes na alimentação. Ainda consumimos muito amido, principalmente da batata e do pãozinho.

O que você sente falta no cardápio do brasileiro? Ele é equilibrado?
R - No cardápio sinto falta de mais verduras, mais frango caipira. Mas no geral, comemos bem no Brasil.

É possível viver hoje apenas consumindo produtos orgânicos?
R - Não é possível viver hoje apenas de produtos orgânicos por uma total falta de distribuição desse produto e de um incentivo maior ao produtor, o que torna o preço mais caro em relação ao  produto convencional. Nós produtores orgânicos precisamos respeitar milhões de regras de produção, enquanto que o produtor convencional ainda vive de uma relação de exploração, onde quem vende nem sempre é quem produz, mesmo que esse tenha nota fiscal de produtor.

O brasileiro se adaptaria bem a uma dieta prioritariamente de produtos orgânicos? Por que?
R - Claro que se adaptaria, porque não seria uma dieta. Orgânico não é diet, nem light. Orgânico é tudo que é produzido preservando a natureza, sem utilização de hormônios de crescimento, por exemplo. É uma produção que respeita a época dos alimentos, dando sustentabilidade ao produtor. E com os alimentos orgânicos podemos fazer qualquer receita. Eu como feijoada orgânica, empadão orgânico, lasanha orgânica, etc...