A maioria dos membros da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança insiste em agir às cegas. Na última reunião, realizada em Brasília ontem, além de aprovar a quinta variedade de algodão transgênico do país, a comissão passou muito perto de “abrir a porteira das aprovações”, sem exigência de análise prévia específica de biossegurança.
Esta norma valeria para transgênicos provenientes de cruzamentos entre variedades transgênicas previamente autorizadas pelo colegiado, e foi questionada pelo Ministério do Meio Ambiente, em carta à CTNBio.
A carta foi entregue foi assinada pelo representante do MMA na comissão, Paulo Kageyama, e por Bráulio de Souza, diretor de conservação e biodiversidade da pasta. O Ministério Público também acompanha o debate, já que a análise de transgênicos “caso a caso” é requisito expresso claramente na lei brasileira de biossegurança, dentre as atribuições da CTNBio.
Dessa vez foi por pouco: entre discussões e discordâncias, Walter Colli, presidente da Comissão, optou por prorrogar a decisão sobre a norma para uma data após a consulta pública. "É inconcebível a aprovação de transgênicos sem estudo prévio. Membros irresponsáveis da CTNBio pressionam por uma série de aprovações, ao invés de se debruçarem na questão da contaminação, que é o assunto mais importante neste momento em que o milho transgênico começa a ser colhido" afirmou Rafael Cruz, coordenador da campanha de transgênicos do Greenpeace.
Caso aprovada, a norma colocará mais uma vez em risco o meio ambiente e a saúde humana. Os efeitos causados por organismos geneticamente modificados são desconhecidos - o que só se agrava nas espécies originárias de cruzamentos entre eles, considerados a “segunda geração” pelas empresas.
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