A exemplo da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), sete
dos 11 ministros do Conselho Nacional de Biossegurança (CNBS) ignoraram
farta documentação com evidências contra os milhos transgênicos da
Bayer (Liberty Link) e Monsanto (MON810) e autorizaram nesta
terça-feira em Brasília o plantio e comercialização no país dessas duas
variedades geneticamente modificadas.
O Greenpeace repudia a decisão do Conselho e vai iniciar campanha para
alertar a população brasileira sobre os riscos desses produtos, além de
cobrar autoridades e empresas o respeito à lei de rotulagem, que exige
a identificação de todos os produtos fabricados no país com 1% ou mais
de matéria-prima transgênica.
A lei, em vigor desde 2004, só começou a
ser cumprida este ano, e mesmo assim por apenas duas empresas – Cargill
e Bunge – para um produto apenas: óleo de soja.
“Infelizmente os ministros do Conselho cometeram o mesmo erro de
cientistas da CTNBio ao ignorarem tantos documentos importantes que
colocam em dúvida a segurança desses milhos. Alguns países europeus
proibiram nos últimos meses a comercialização desses produtos
justamente por conta dos problemas apontados por essa documentação”,
aponta Gabriela Vuolo, coordenadora da campanha de Engenharia Genética
do Greenpeace Brasil.
“A biossegurança brasileira está desde já ameaçada e nos resta agora
cobrar com firmeza o governo e as empresas para que identifiquem todos
os produtos fabricados a partir de matéria-prima transgênica. A
população tem o direito de saber exatamente o que está consumindo”, diz
Vuolo.
Votaram a favor da liberação do plantio e comercialização dos milhos
transgênicos no Brasil os ministros da Agricultura, Ciência e
Tecnologia, Relações Exteriores, Desenvolvimento, Defesa, Justiça e
Casa Civil. Votaram contra os representantes das pastas de Saúde, Meio
Ambiente, Desenvolvimento Agrário, e Aqüicultura e Pesca.
“O resultado da votação deixa claro que no Brasil, infelizmente, a
saúde e o meio ambiente estão a reboque da ciência, tecnologia e do
agronegócio”, avalia Gabriela Vuolo.
O Greenpeace enviou no último dia 8 de janeiro uma carta aos 11
ministros do CNBS com vários documentos que apontam sérios problemas
para o meio ambiente e saúde causados pelos milhos da Bayer e da
Monsanto - estudos de contaminação genética provocada por lavouras de
milho transgênico, evidências científicas sobre o risco à saúde e ao
meio ambiente causado pelas variedades geneticamente modificadas
aprovadas no Brasil, e relatórios de governos europeus justificando o
motivo da proibição dessas variedades nos respectivos países.
As variedades autorizadas no Brasil pelo CNBS foram proibidas em
inúmeros países. No Reino Unido, por exemplo, a própria Bayer retirou
seu pedido de liberação comercial, já que não podia garantir a
segurança do milho Liberty Link. No caso do MON810, a lista de países
europeus em que ele está proibido é extensa e relevante: Alemanha,
Áustria, França (maior país agrícola da Europa), Grécia, Hungria,
Polônia e Suíça.
Confira alguns dos documentos enviados aos ministros do CNBS:
Sumário Executivo do Relatório de Contaminação:
revisão anual de casos de contaminação, plantios ilegais e efeitos
colaterais negativos dos organismos geneticamente modificados.
Monitoramento de variedades geneticamente modificadas: documento aponta erros e ilegalidades no processo de liberação do milho MON810 na Europa.
Ciência ruim, decisões ruins: documento com evidências contra o milho transgênico da Bayer.
O milho transgênico está acabando com os cultivos de milho ecológico:
matéria do jornal espanhol “El País” sobre o grave problema de
contaminação vivido pelos produtores de milho não-transgênico na
Espanha.
Sumário Executivo do relatório do governo da Áustria sobre milho transgênico:
relatório das evidências científicas com as últimas descobertas sobre
as medidas de segurança na Áustria para as linhagens de milho
geneticamente modificado MON810 e Liberty Link.
Documento do governo da Grécia proibindo o milho MON810:
texto ressalta que dados científicos confirmam o risco imediato ao
ambiente e talvez à saúde causado pela variedade transgênica.
Carta do governo da Hungria proibindo o milho MON810: texto do Ministro do Meio Ambiente da Hungria enviado para a Diretoria de Meio Ambiente da Comissão Européia.
Estudos científicos sobre os prováveis efeitos nocivos do milho MON810: lista e resumo dos principais estudos publicados sobre os potenciais impactos ambientais do milho da Monsanto.
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