O Greenpeace devolveu nesta quarta-feira à empresa Garoto, em Vitória (ES), um tonel repleto de ovos de chocolate da marca
recolhidos em um supermercado de Porto Alegre (RS) na última sexta-feira (14/03). Eles foram rotulados e colocados em um tonel identificado com um triângulo amarelo e um T no meio.
A empresa bem que tentou atrapalhar o protesto, colocando um carro de
som na entrada de sua sede, que estava trancada -
confira detalhes no Blog de Transgênicos. Um representante da
Garoto recebeu a coordenadora da campanha de Engenharia Genética do
Greenpeace, Gabriela Vuolo, e aceitou o tonel com os produtos, mas por
uma porta lateral, longe da vista do público.
Desde 2004 o Brasil tem uma lei que exige a rotulagem de todo produto
alimentício fabricado com 1% ou mais de matéria-prima transgênica.
Procurada desde o início da publicação do Guia do Consumidor (em 2002),
a Garoto só se manifestou no início deste mês, seis anos depois. No
entanto, em sua carta, continua não informando se utiliza ou não
ingredientes transgênicos para fabricar seus chocolates.
"O consumidor tem, garantido por lei, o direito de saber se a empresa
utiliza ou não ingredientes transgênicos para fabricar seus produtos"
afirma Gabriela Vuolo. "Nesta Páscoa, o consumidor precisa ficar atento
aos chocolates que vai escolher porque algumas marcas podem conter
transgênicos. Na dúvida, o ideal é consultar o
nosso Guia do Consumidor e entrar em contato com as fabricantes".
A devolução dos chocolates à Garoto faz parte da série de
atividades que o Greenpeace promoveu
em diversas cidades do país durante a Semana do Consumidor (de 8 a 15
de março), para alertar a população brasileira sobre os riscos que os
produtos transgênicos representam ao meio ambiente. Além disso, o
Greenpeace também está expondo a postura das principais empresas de
alimentos do país quanto à informação que disponibilizam à população
sobre utilização de transgênicos na fabricação de seus produtos.
Na segunda-feira passada (10/3),
ativistas do Greenpeace protestaram na sede da Vigor, em São Paulo,
se acorrentando na porta principal da sede da empresa para pressioná-la
a informar se usa ou não matéria-prima transgênica. Na terça-feira,
voluntários do grupo ambientalista promoveram uma
devolução em massa de
óleos de soja da Bunge e Cargill rotulados como transgênicos.
Quarta-feira a atividade aconteceu no Rio de Janeiro: ativistas foram a
um supermercado de Botafogo, na zona sul da cidade,
rotular produtos da
Bunge e Cargill que ainda não têm o símbolo de transgênico nas
embalagens - margarinas, maioneses e molhos para salada - conforme
determina a lei. Na sexta-feira recolhemos e lacramos os chocolates da
Hershey's e da Garoto, suspeitos de serem transgênicos. Segunda-feira,
dia 16,
entregamos um tonel à Hershey’s, que não quis receber os
chocolates recolhidos e não protocolou a carta que os ativistas foram
entregar à empresa, afirmando que está em contato com a Cargill
(fornecedora de sua matéria-prima) para verificar se os ingredientes
são ou não transgênicos.
Guia do Consumidor: o direito à informação e à escolha
Uma das principais ferramentas durante as atividades programadas é o
Guia do Consumidor do Greenpeace, que desde 2002 tem ajudado os
consumidores brasileiros a se informarem sobre a real composição dos
produtos vendidos no país. Mais de 100 empresas de alimentos foram
contatadas e questionadas sobre a utilização de ingredientes
transgênicos em seus produtos. As empresas que não respondem ou que não
fazem controle adequado para evitar a contaminação por matéria-prima
geneticamente modificada são listadas no guia impresso.
No
site do Greenpeace é possível consultar a
lista completa de empresas que já se comprometeram a não usar
transgênicos em sua linha de produção e também diversas ferramentas
disponíveis para consumidores que queiram evitar os transgênicos. Há receitas, entrevistas e idéias de atitudes cotidianas para consumir
responsavelmente.
Leia também:Confira aqui, no Blog de Transgênicos, detalhe da nossa campanha.