Manila, Filipinas —
Greenpeace denuncia o processo de aprovação e regulamentação de transgênicos no país asiático, mostrando que cerca de 80% dos integrantes de órgãos e entidades responsáveis pelas regras de entrada de organismos geneticamente modificados tem ligações estreitas com a indústria de biotecnologia.
Praticamente todas as pessoas envolvidas com a aprovação e regulamentação de organismos geneticamente modificados nas Filipinas fazem parte de grupos defensores de transgênicos financiados direta ou indiretamente por corporações de biotecnologia, ou já estiveram envolvidos em projetos de pesquisa e atividades de promoção desses organismos patrocinados por grupos de lobby pró-transgênicos ou diretamente pelas empresas desenvolvedoras dessa tecnologia. A denúncia foi feita nesta terça-feira pelo Greenpeace em Manila, durante uma coletiva de imprensa.
“Todo o sistema regulatório para os organismos geneticamente modificados no país é obsceno. Os órgãos regulatórios estão comprometidos com as empresas. Como esse sistema regulatório pode reivindicar qualquer tipo de credibilidade?” afirmou Daniel Ocampo, da campanha de Engenharia Genética do Greenpeace Sudeste Asiático.
“A convergência dos interesses corporativos e o processo regulatório é revelador e mostra o quão vulneráveis nossos especialistas estão.
Durante os últimos anos, o Greenpeace tem notado como os órgãos regulatórios de transgênicos nunca rejeitaram a aplicação de um organismo geneticamente modificado de qualquer grande corporação de biotecnologia, apesar de muitos casos documentados que questionam sua segurança e mostram a rejeição em outros países, mesmo naqueles onde foram desenvolvidas tais tecnologias.
“Agora o público sabe porque: o Departamento de Agricultura e seus órgãos regulatórios preferem observar apenas os interesses das corporações multinacionais, em vez das preocupações dos agricultores com a saúde pública e biossegurança, como deveria ser”, afirma Ocampo. “O Departamento de Agricultura é um fracasso e o sistema implantado para proteger a saúde pública e o meio ambiente está , na verdade, protegendo os interesses das multinacionais desenvolvedoras de transgênicos em sua busca por novos mercados para seus produtos.”