Dez activistas da Greenpeace, dos quais quatro portugueses, foram detidos depois de quase doze horas de protesto em frente à sede do grupo Jerónimo Martins. Ontem de madrugada, a Greenpeace bloqueou, parcialmente, a entrada do edifício com um tripé de mais de nove metros de altura e pendurou um banner gigante na fachada da sede do grupo com a mensagem “Jerónimo Martins destrói os oceanos”.
Cada vez que respiramos, o equivalente a dez campos de futebol do fundo marinho são destruídos por práticas de pesca insustentáveis. Quanto tempo mais vai demorar até que os supermercados portugueses adotem medidas reais para proteger os nossos recursos marinhos?
Roma, Itália - A Greenpeace apresentou evidências perante a Comissão de Pescas da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), reunida em Roma, de que a empresa espanhola Vidal Armadores S.A. recebeu mais de 3.5 milhões de Euros em subsídios do governo espanhol, apesar de estar envolvida na pesca pirata. Além disso, a empresa continua a receber ajuda do governo espanhol, recebendo contratos e licenças para pescar noutros países.
Será que os supermercados portugueses têm algo a esconder sobre as suas políticas de compra e venda de peixe ou será que simplesmente se esqueceram de responder às perguntas da Greenpeace? Seja qual for o motivo, a conclusão a que chegamos é a mesma: Algumas das grandes superfícies de Portugal não estão interessadas em descobrir até que ponto as suas políticas estão a contribuir para a destruição dos oceanos e não respeitam o direito dos seus consumidores de fazerem uma escolha informada e responsável sobre o peixe que compram.
Consumidores portugueses ainda não podem consumir peixe com a garantia de que este não é proveniente de pesca pirata. As maiores cadeias de distribuição alimentar de Portugal não forneceram à Greenpeace informações conclusivas sobre as embarcações que capturaram o peixe que vendem.
Vergonhoso. Um desastre. O organismo internacional responsável por gerir o que resta dos stocks de atum no Mar Mediterrâneo e na zona Este do Oceano Atlântico ignorou os pareceres científicos, as exigências dos colaboradores da Greenpeace em todo o mundo e os apelos dos governos do Brasil, Canadá, México, Noruega, África do Sul e Estados Unidos para salvar esta pesca do colapso.