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Lisboa — Activistas da Greenpeace dificultaram hoje o “business as usual” do grupo Jerónimo Martins, em Lisboa. Com um tripé de cerca de nove metros de altura a bloquear parcialmente a entrada na sede do grupo e um banner gigante suspenso na fachada com a mensagem “Jerónimo Martins destrói os oceanos”, a organização ambientalista exige que este adopte, de imediato, uma postura responsável em relação ao peixe que vende.

“Há mais de um ano que estamos a tentar entrar em diálogo com o grupo Jerónimo Martins e até hoje sem sucesso”, explicou Paloma Colmenarejo, da campanha dos oceanos da Greenpeace. “Os oceanos estão em crise e é urgente passar das palavras à acção. Estamos aqui hoje para que o grupo se comprometa a assumir a responsabilidade de preservar os recursos marinhos(2).”

A Greenpeace adiantou que desde o início da campanha já conseguiu estabelecer contacto com todos os grupos de distribuição alimentar, excepto com o grupo Jerónimo Martins(1). Com vinte activistas em posição, a organização revelou ter intenções de ficar no local até que o grupo se comprometa a dar passos concretos para a implementação de uma política de compra e venda de peixe sustentável e transparente e a deixar de vender espécies ameaçadas (3), entre elas, o tubarão - uma espécie em alto risco devido à sobrepesca e pesca acidental.

“É inadmissível que o grupo, que se considera líder do mercado de distribuição alimentar em Portugal, seja o único que até agora ainda não mostrou preocupação pela crise que os oceanos enfrentam”, continuou Paloma Colmenarejo. “Com mais de 350 lojas em todo país, o Jerónimo Martins tem a responsabilidade de usar o seu poder económico para inverter a lógica do “lucro a qualquer custo” do mercado de peixe, defender os nossos recursos naturais e apoiar as pequenas indústrias nacionais sustentáveis.”

A organização ambientalista afirma que o preço da destruição, sem precedentes, dos recursos marinhos é alto. Milhões de pessoas em todo o mundo correm o risco de ver desaparecer os recursos de que dependem - e os portugueses não são excepção. A Greenpeace acrescenta que ainda é possível inverter esta tendência se estas grandes empresas assumirem uma postura responsável em relação aos produtos que comercializam(4).

Esta acção, que contou pela primeira vez com a participação em grande escala de activistas portugueses em colaboração com a Greenpeace Internacional, decorreu poucas semanas depois da organização ter lançado um segundo estudo de supermercados em Portugal(6) que coloca o grupo Jerónimo Martins, com os supermercados Pindo Doce e Feira Nova, em último lugar em relação às políticas de compra e venda de peixe.

BRIEF Oceanos & Jerónimo Martins:
http://www.greenpeace.org/portugal/imprensa/info/brief-jeronimo-martins

Notas ao editor:


(1) Histórico da campanha para Mercados de Peixe Sustentável da Greenpeace em Portugal, disponível em: http://www.greenpeace.pt/calendario

(2) Pedidos da Greenpeace ao grupo Jerónimo Martins

O grupo de distribuição alimentar Jerónimo Martins deve reconhecer de imediato e por escrito a sua responsabilidade na preservação dos oceanos. O presidente do grupo Jerónimo Martins, Luís Palha da Silva, deve ainda concordar em reunir com a Greenpeace e passar das palavras à acção, através:

• do compromisso em subscrever a 5 princípios de uma política sustentável de compra e venda de peixe(3). Entre eles, o suspender a venda de espécies de peixe ameçadas, apoiar a comercialização das espécies mais sustentáveis, melhorar a rastreabilidade e etiquetagem dos produtos, promover e implementar prácticas sustentáveis.
• do retirar imediato das prateleiras de 3 espécies da Lista Vermelha de Peixes da Greenpeace (4);
• do compromisso em rever todas as espécies de peixe que comercializa, de acordo com os princípios adoptados para uma política sustentável de compra e venda de peixe sustentável, até meados de 2010.

Exemplo de Modelo de Política Sustentável:

http://www.greenpeace.org/portugal/ranking2/modelo-politica-retalhistas

(3) Lista Vermelha de Peixes da Greenpeace:

http://www.greenpeace.org/portugal/lista-vermelha

(4) De acordo com estatísticas da FAO, mais de ¾ dos stocks mundiais de peixe já estão explorados, sobreexplorados ou esgotados; 88% dos peixes de águas comunitárias são vítimas da sobrepesca e aproximadamente 90% dos stocks de peixes predadores de grande dimensão, como o atum, peixe espada, bacalhau e linguado, já foram capturados.

(5) Todos os anos são gastos, em Portugal, mais de 1.047 milhões de euros em peixe, dos quais mais 70% são vendidos nas grandes superfícies. A Greenpeace defende que o poder económico das grandes cadeias de supermercados lhes confere a responsabilidade de proteger os recursos naturais que comercializam. Os estudos científicos mostram que, através de uma gestão sustentável, os stocks de peixe considerados hoje sobreexplorados ou quase esgotados, têm a capaciadade de recuperar.

(6) Segundo Ranking de Supermercados da Greenpeace em Portugal (Maio 2009): http://www.greenpeace.org/portugal/ranking2

Contactos para mais informações ou imagens:


Lara Teunissen, porta voz da Greenpeace em Portugal, +351 917216829 ou +31 646162042
Paloma Colmenarejo, campanha dos oceanos da Greenpeace, +34 61 8548 193
Nina Thuellen, responsável pela campanha para peixe sustentável da Greenpeace Internacional, +43 664 5484 553
Greenpeace International Picture Desk: John Novis, + 44 (0) 7801 615 889 ou pdeskint@greenpeace.org