Um dos membros da tripulação do Waipori, um arrastão da Nova Zelândia, deita ao mar um pedaço enorme de coral capturado a grande profundidade nas redes do navio.
Portugal —
A campanha da Greenpeace já está em marcha para mobilizar os consumidores portugueses e dar voz aos oceanos em perigo. Acompanhados por uma trupe de criaturas marinhas, os activistas da organização estão precorrer o país de norte a sul lançando o alerta para a destruição causada pela pesca de profundidade em alto mar.
A Roadtour da Greenpeace já está
em marcha para mobilizar os consumidores portugueses e dar voz aos oceanos em
perigo. Acompanhados por uma trupe de criaturas marinhas, os activistas da
organização estão precorrer o país de norte a sul lançando o alerta para a
destruição causada pela pesca de profundidade em alto mar.
A campanha começou ontem em
Lisboa, numa conferência de imprensa simbólicamente realizada num antigo
arrastão a vapor, que se encontra agora reformado. Na conferência, estiveram
presentes especialistas em biologia marinha e representantes de diversas
organizações não-governamentais de ambiente para reforçar a urgência da mensagem.
“Loja de peixe” da Greenpeace alerta consumidores
Com uma “Loja de peixes” ambulante,
a Greenpeace mostra aos consumidores alguns das espécies de profundidade que se
encontram à venda no mercado português e alerta para o valor incalculável deste
peixes de crescimento lento e reprodução tardia. O supermercado Pingo Doce do
Cais do Sodré foi o primeiro a ser visitado pelos activistas. Hoje, foi a vez
de Almada receber uma visita da campanha.
Nas profundezas dos oceanos o
ritmo de vida abranda significativamente - uma espécie que vive mais de 50 anos
e só se reproduz a partir dos 13 anos de idade, como o caso dos peixes
vermelhos, não pode ser vítima da pesca industrial voraz, explicam os
activistas.
No entanto, é possível
encontrar muitas destas espécies à venda em vários supermercados do país. Por
exemplo, o Intermarché visitado em Sobreda vendia pelo menos 6 das 13 espécies
identificadas pela Greenpeace, entre elas o tubarão lixa, a pota Argentina, a
pescada branca e peixes vermelhos.
“Cartão vermelho” para a pesca de arrasto
A pesca de arrasto de
profundidade é considerada uma das prácticas de pesca mais destrutivas que
existe e representa hoje a maior ameaça à biodiversidade dos ecossistemas
marinhos. Durante a campanha, a Greenpeace está a pedir aos consumidores que
passem um “cartão vermelho” à destruição em alto mar e enviem um apelo aos
supermercados para que deixem de vender estas espécies.
A Greenpeace defende que se queremos garantir uma
exploração saudável e duradoura dos recursos marinhos do planeta, é fundamental
parar de comercializar estas espécies de peixe e adoptar medidas concretas e
globais para proteger as águas internacionais de práticas de pesca destrutivas.
Porque os políticos não podem continuar superficiais
Para reforçar a mensagem de que é urgente e fundamental
proteger os ecossitemas marinhos, a Greenpeace e dez organizações não governamentais de ambiente (ONGAS) com
presença em Portugal, enviaram ontem um apelo conjunto ao Governo português para
que apoie o fim da pesca destrutiva em águas internacionais, no âmbito da
Assembleia Geral das Nações Unidas, que se vai reunir na primeira quinzena de
Novembro.
Ajuda-nos a proteger um dos últimos refúgios de vida marinha do planeta!