Activistas da Greenpeace informam os trabalhadores e os consumidores sobre a Lista Vermelha da Greenpeace. Junho de 2008.
Ampliar fotografiaPara verificar com rigor como as principais grandes superfícies de Portugal estão a tratar a questão da sustentabilidade do peixe que vendem, enviámos um inquérito1 aos supermercados que estão no ranking da Greenpeace. Até à data nem o grupo Jerónimo Martins (Pingo Doce e Feira Nova) nem Mosqueteiros (Intermarché e Ecomarché) se manifestaram. Ao evitar fornecer informações sobre as suas políticas de compra e venda de peixe os supermercados demonstram pouco interesse em trabalhar para a preservação da vida nos oceanos.
Os grandes supermercados são responsáveis pela venda de 70% do peixe consumido em Portugal e, por esta razão, têm a responsabilidade de tomar medidas adequadas para proteger os oceanos da pesca destrutiva e evitar a extinção de espécies que continuam a ser comercializadas apesar dos seus stocks estarem à beira do colapso. Se os supermercados exigirem sustentabilidade aos seus fornecedores e informarem corretamente os seus consumidores, a indústria será obrigada a alterar o seu comportamento atual e poderemos garantir o peixe para as futuras gerações.
Desde maio de 2008 que a Greenpeace tem estado em contacto com os supermercados para os alertar para a situação dramática em que se encontram os oceanos e pedir que desenvolvam políticas de compra e venda de peixe mais sustentáveis. Em junho do ano passado, lançámos a lista vermelha com as espécies mais consumidas em Portugal e que estão sob ameaça de extinção e/ou são capturadas de modo a destruir o meio ambiente marinho. Em agosto, a Greenpeace publicou o ranking de supermercados portugueses, avaliando a situação de cada uma destas empresas relativamente à sustentabilidade das suas políticas e práticas de compra e venda de peixe, e verificou que todos os supermercados estão classificados a vermelho, ou seja todos estão a contribuir largamente para a destruição dos oceanos. Este deveria ser um sinal de alerta claro para que os supermercados acelerassem o processo de mudança de sua atitude! Embora todos os supermercados estejam a ser demasiado lentos a responder a este desafio, este inquérito demonstra que há uns mais interessados do que outros.
Noutros países europeus, como é o caso da Holanda, Áustria, Alemanha e Reino Unido, algumas das principais cadeias de supermercados já desenvolveram políticas de compra e venda de peixe mais sustentáveis e continuam a trabalhar para reduzir o impacto ambiental das suas secções de peixaria. Em Portugal, alguns supermercados do ranking da Greenpeace continuam a não se manifestar relativamente a questões simples sobre os seus procedimentos de etiquetagem e sobre os cuidados que têm na selecção do peixe que colocam à venda.
(1) O inquérito da Greenpeace aos supermercados é uma ferramenta desenvolvida para recolher informações sobre como as grandes superfícies estão a tratar o peixe que comercializam. O inquérito trata de questões bastante concretas, como, por exemplo, (i) se a empresa possui ou não uma política escrita que garanta a sustentabilidade do peixe que está a comprar e a vender; (ii) se o peixe que está a vender é capturado através de práticas destrutivas ao ecossistema marinho: (iii) se o peixe provém de um stock que se encontra à beira do colapso ou já esgotado; (iv) se os produtos de aquacultura à venda nas prateleiras respeitam os requisitos de sustentabiliade; (v) se as etiquetas dos produtos de peixe contêm todas as informações necessárias para que o consumidor possa fazer uma compra consciente, entre outras questões que são fundamentais para garantir a sustentabiliade dos nossos oceanos e recursos marinhos.