Skip navigation.
Cerca de 200 activistas da Greenpeace de 14 países da Europa 
bloquearam as sete entradas para o edifício do Conselho Europeu. A 
acção decorreu enquanto os ministros das pescas da União Europeia se 
reuniam para definir quotas de pesca.

Cerca de 200 activistas da Greenpeace de 14 países da Europa bloquearam as sete entradas para o edifício do Conselho Europeu. A acção decorreu enquanto os ministros das pescas da União Europeia se reuniam para definir quotas de pesca.

Ampliar fotografia
Mais fotografias

Muitos ecologistas marinhos acreditam que, actualmente, a maior ameaça individual para os ecossistemas marinhos é a sobrepesca. O nosso apetite por peixe está a ultrapassar os limites ecológicos dos oceanos, com impactos devastadores para os ecossistemas marítimos. Os cientistas têm avisado que a sobrepesca resulta em alterações profundas nos nossos oceanos, modificando-os talvez para sempre. Sem mencionar as nossas receitas culinárias, que no futuro poderão apenas apresentar o peixe e batatas como uma iguaria rara e dispendiosa.

O peixe não tem hipóteses


Na maioria dos casos, é dado acesso aos recursos piscícolas à indústria pesqueira sem que impacto dessa pesca possa ser avaliado, sendo os regulamentos da actividade, de qualquer forma, penosamente desajustados.

A realidade da pesca moderna é o facto de a indústria ser dominada por embarcações de pesca que excedem largamente a capacidade da natureza em repor o peixe. Os navios gigantes, que usam sonares de ponta na busca de peixe, podem localizar cardumes com precisão, de modo rápido e exacto. Os navios estão transformados em gigantescas fábricas flutuantes – com instalações de processamento e embalagem do peixe, enormes sistemas de congelamento e poderosos motores para arrastar os enormes aparelhos de pesca pelo fundo do oceano. Em resumo: o peixe não tem hipóteses.

Exame à saúde da vida nos oceanos


As populações de predadores de topo, indicador chave da saúde dos ecossistemas, estão a desaparecer a um ritmo assustador, e 90 por cento dos peixes de grande dimensão que muitos de nós adoramos comer, caso do atum, do peixe-espada, do espadarte, do bacalhau, do halibute, da raia e da solha - foram dizimados desde que a pesca industrial de grande escala se iniciou nos anos 50. O desaparecimento dessas espécies de predadores de topo pode provocar alterações em ecossistemas de oceanos interiores, onde o peixe com valor comercial pode vir a ser substituído por peixes mais pequenos e que se alimentem de plâncton. Este século pode mesmo vir a assistir à substituição do peixe consumido pelos humanos por grandes cardumes de medusas.

Estas alterações colocam em risco a estrutura e o funcionamento dos ecossistemas marinhos, e ameaçam desse modo o sustento dos que dependem dos oceanos, tanto actualmente como no futuro.

Colapso das pescas


A sobreexploração e a má gestão da pesca já levaram a alguns colapsos de pescas impressionantes. A pesca do bacalhau ao largo da Terra Nova, Canadá entrou em colapso em 1992, levando à perda de cerca de 40.000 empregos na indústria. As populações de bacalhau no Mar do Norte e no Mar Báltico estão a evoluir no mesmo sentido e estão próximas da quebra total.

Em vez de tentar encontrar uma solução a longo prazo para esses problemas, a indústria da pesca volta agora os olhos na direcção do Pacífico – mas essa não é a resposta. Os políticos continuam a ignorar os avisos dos cientistas sobre o modo como os recursos piscícolas continuam a ser geridos e a necessidade de a pesca das espécies ameaçadas ser feita de modo sustentável.