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A Greenpeace concorda com disparos a baleias... com máquinas fotográficas. Contudo ficámos surpreendidos de saber que a Canon, líder mundial na produção de máquinas fotográficas digitais, não está disposta a condenar o uso dos arpões; apesar das suas campanhas publicitárias e dos patrocínios a programas dedicados à vida selvagem e ás espécies em perigo.

Escrevemos à sede da Canon no Japão e pedimos ao seu director para falar contra o programa japonês de caça à baleia. Como resposta a Canon declinou o convite para tomar posição contra a morte de milhares de baleias no santuário do Oceano Antárctico.

Em todo o mundo as câmaras da Canon disparam fotografias ás baleias em expedições de observação. No entanto no Oceano Antárctico muitas baleias são atingidas com arpões explosivos. Milhares de baleias, incluindo espécies em vias de extinção, são mortas com a desculpa de "pesquisa científica" desde que a moratória global contra a caça à baleia entrou em vigor em 1986.

A carne de baleia é vendida a uma pequena minoria de japoneses para consumo próprio -- o resto é transformado em carne para cão ou adicionado à pilha de 4.000 toneladas de carne não vendida.
As baleias podem ser estudadas sem serem mortas. O capote da "ciência" permite que uma pequena minoria de burocratas japoneses mantenha uma indústria de carne de baleia pouco lucrativa, às custas dos contribuintes japoneses. Apesar de tudo o escândalo continua porque não existe no Japão suficiente pressão interna para terminar com esta prática.



O senhor Fujio Mitarai, director da Canon no Japão, é um homem de negócios, um contribuinte e o líder de uma empresa que promove a conservação da vida selvagem. Ele é também o líder da Nippon Keidanren (Federação Japonesa de Negócios). Esta é a posição mais elevada que um director pode aspirar no mundo de negócios japonês, e significa um acesso directo ao primeiro ministro do Japão. A sua voz poderia por um fim a décadas de graxa científica e a escândalos de subsídios, e daria mais peso às pretensões da Canon para com o ambiente e com a vida selvagem.

Pedimos à Canon que assinasse a seguinte declaração e que clarificasse a sua posição:

"A Canon assume o compromisso de construir um futuro melhor  para as gerações futuras, e não apoia a caça de espécies ameaçadas ou em vias de extinção, com qualquer outra coisa que não uma câmara. A Canon acredita que a o programa de investigação letal deve terminar e ser substituído por  outro não letal."

Infelizmente a Canon tem recusado o nosso pedido dizendo "Reconhecemos totalmente a importância de proteger a vida selvagem. Temos colocado continuamente os nossos anúncios destacando as "espécies em perigo" na National Geographic desde 1981."  A carta deles conclui, "a opinião científica sobre a caça à baleia para fins de investigação varia... não iremos assinar a declaração que nos enviaram."

 

Mas as baleias necessitam de um poderoso aliado doméstico no Japão, por isso estamos a pedir aos nossos apoiantes (especialmente aos clientes da Canon) que que peçam ao senhor Mitarai para reconsiderar e para expressar a sua reprovação à investigação letal, que está a matar as baleias. Se o Japão quer fazer investigação, pode fazê-lo com câmaras e com outros meios não letais - tal como a Greenpeace o tem feito com o seu  projecto Great Whale Trail, em que utiliza a localização por satélite, identificação fotográfica e biopsias à pele.

Para preservar a nossa independência, não aceitamos donativos de empresas. A Greenpeace não é patrocinada pela Canon, nunca o foi e nunca o será. Além de que usamos câmaras da Canon - Neste momento existem nove câmaras da Canon a bordo do navio da Greenpeace Esperanza, uma das quais é usada pela Leandra, a nossa cientista a bordo. Todas estas câmaras foram aquisições pessoais ou profissionais. Não estamos a apelar a um boicote directo a produtos da Canon, pois a empresa não está envolvida na caça à baleia. Estamos a desafiar a Canon para que actue de acordo com os seus valores e para que se decida a agir pelas baleias, da mesma forma que nós procuramos inspirar as pessoas para tenham iniciativas por um mundo melhor.

Porquê a Canon?

A Canon construiu uma imagem de marca à volta das preocupações ambientais, através do patrocínio de causas ambientais, incluindo a conservação das espécies ameaçadas. A Canon tem um conjunto de anúncios na revista National Geographic intitulados "A vida selvagem como a Canon a vê". A Canon apoia grupos de defesa da vida selvagem com donativos, equipamento e conhecimentos técnicos.

Acreditamos que quando uma empresa obtem dividendos e imagem de marca associando-se a causas ambientais, tem a responsabilidade de se manifestar por essas causas. Confiamos que a maioria do pessoal da Canon, como uma das principais "marcas de vida selvagem", partilha connosco a preocupação com a vida selvagem em geral, e com as baleias em particular. As baleias não devem morrer desnecessariamente pela "ciência".
 
A Canon diz no seu site que quer "entregar uma Terra maravilhosa ás futuras gerações".



Uma multinacional que se apresenta a si própria como defensora da vida selvagem, preocupada com as espécies em perigo e defensora do mundo natural deveria fazer mais do que expressar esses valores em imagens, publicidade e patrocínios. A Canon deve usar o seu imenso poder para comunicar e intervir para que tenhamos um mundo melhor.

Todos os dias os nossos apoiantes perguntam: Porque não um boicote?


A Greenpeace não apoia um boicote generalizado aos produtos do Japão porque sabemos que a maioria dos japoneses não apoia a caça à baleia. Somos contra a caça à baleia, não contra o Japão.

Acreditamos que um boicote generalizado seria difícil de executar, causaria prejuízos a pessoas que não apoiam a caça à baleia e seria ineficaz a deter esta prática.

Canon advertisement in National Geographic


Sabemos que há sentimentos profundos entre os nossos apoiantes que os levam a participar num boicote pessoal aos produtos japoneses. Durante a época da caça à baleia recebemos as suas mensagens quase todos os dias a anunciar as suas intenções e a perguntar porquê a Greenpeace não promove este boicote. Mesmo sem qua haja um boicote organizado, a caça à baleia causa danos à imagem do Japão e aos potenciais clientes de produtos japoneses.
 
Por exemplo:.
 
Há alguns meses soubemos que uma mulher escreveu para a Toyota do seu país, a Nova Zelândia, a dizer que não irá substituir o seu Prius por um novo carro Toyota, porque enquanto empresa Japonesa a Toyota, está implicitamente associada ao programa de caça à baleia do Japão. A Toyota da Nova Zelândia respondeu dizendo "por favor tenha a certeza de que a Toyota da Nova Zelândia e a Toyota Japão não concordam com a caça à baleia, seja para fins comerciais, de pesquisa ou científicos"  No entanto a Toyota do Japão distanciou-se desta posição. Este exemplo demonstra o tipo dano que a caça à baleia pode causar às empresas japonesas que operam no ocidente.
 
Quando procurámos multinacionais japonesas que pudessem defender o fim da caça à baleia, a Canon surgiu como uma escolha óbvia.

"A minha família e eu adoramos câmaras da Canon, sempre utilizámos esta marca, e iremos gostar ainda mais se a Canon provar que está empenhada em construir um mundo melhor para as gerações futuras, e que não fica indiferente à caça de espécies ameaçadas ou em vias de extinção com qualquer outra coisa que não uma câmara.

A Terra seria incrivelmente menos bela sem baleias."

Ler mais cartas enviadas à Canon



A caça à baleia: mais problemas do que vantagens


Alguns diplomatas japoneses consideram a caça à baleia como um problema diplomático. A decisão japonesa, neste momento suspensa, de adicionar as baleias-jubarte à lista de espécies a caçar levou a reclamações formais de vários aliados do Japão. O "Los Angeles Times" citou um diplomata que pediu para permanecer anónimo, em que afirma que a caça a baleia não está a fazer nada bem à diplomacia japonesa.  Para muitas pessoas o Japão não está a ponderar adequadamente os seus interesses, e uma minoria está a impor um percurso arriscado a das nossas relações mais queridas.
 
Enquanto presidente da Federação Japonesa de Negócios, o senhor Mitarai é responsável, não apenas pela imagem da Canon, mas também pelo bem estar colectivo dos negócios Japoneses no Japão e no estrangeiro -- e a caça à baleia é uma fraqueza para as marcas japonesas e para a sua rentabilidade.
 
Se pensas que o senhor Mitarai deve defender activamente as baleias no santuário do Oceano Antárctico podes escrever para ele. Clica neste link