Pesca pirata

Navios de pesca "piratas" (Port Louis).

Equipados e mascarados, esvaziando os oceanos, roubando o alimento das famílias famintas - os piratas modernos ficam a grande distância do encanto dos filmes de Hollywood. Mas são uma realidade que custa muitos milhares de milhões de dólares às numerosas comunidades que não se podem dar ao luxo de serem roubadas.

A pesca pirata – designada por metáforas menos explícitas, como pesca ilegal, não relatada e não regulamentada (IUU) – é o flagelo dos oceanos. Deixa comunidades sem os alimentos e os rendimentos de que tanto necessitam, e o ambiente marítimo destruído e despojado. Em 2001, a Greenpeace estimou que existiam a navegar pelo menos 1.300 navios de pesca pirata à escala industrial.

Peixe roubado, futuros roubados

Das ilhas do Pacífico Sul às comunidades costeiras da África Ocidental, os pescadores piratas, que depois realizam os seus lucros nos portos europeus e asiáticos, pescam milhões de dólares do tão esperado rendimento que pertence legitimamente às comunidades costeiras. As Nações Unidas estimam que a Somália perde 300 milhões de dólares por ano a favor dos piratas. A Guiné perde 100 milhões de dólares. No total, perder-se-ão mais de 4 mil milhões de dólares todos os anos.

Como ser pirata

Activistas da Greenpeace em acção contra à pesca ilegal. Sempre camuflada e presente nos mares de todo o mundo, a pesca ilegal não respeita leis ou os regulamentos, muito menos os equilíbrios delicados dos ecossistemas marinhos.

A bandeira da “caveira e ossos cruzados” identifica facilmente os piratas da ficção. Em contrapartida, os piratas reais escondem a sua identidade e origem, ignoram as normas e frequentemente ostentam bandeiras de países que não fazem perguntas sobre a sua faina. Com um toque no rato do computador e por apenas 500 dólares, podem ser compradas na Internet bandeiras de países como Malta, Panamá, Belize, Honduras e SãoVicente e Granadinas.

Polícia pirata?

Em vez de fiscalizar os trapaceiros, os governos de todo o mundo pouco fazem para verificar as suas actividades ou o que chega aos seus próprios portos, apesar dos vários compromissos e programas internacionais. Os espólios dos piratas são frequentemente transferidos ilegalmente para navios-fábrica, misturados com capturas legais e depois vendidos intencionalmente em portos “legítimos” como Las Palmas e Suva.

Os países que são vítimas deste roubo substancial são habitualmente os com menos capacidade para fazerem cumprir as leis nas suas próprias águas. Mas não é impossível localizar os proprietários e agentes deste crime. São acolhidos por cerca de 80 países diferentes – incluindo a União Europeia e Taiwan, o Panamá, Belize ou as Honduras. A fiscalização internacional poderia encerrar este negócio.

Destruição ambiental

Activistas da Greenpeace protestam contra a pesca pirata.

A pesca pirata concentra os danos ambientais globais das outras pescas destrutivas. Por operar, quase literalmente, fora do radar de qualquer fiscalização, as técnicas de pesca que utiliza estão a destruir a vida nos oceanos.

Os cardumes de atum em torno da Tanzânia, Somália, Papua Nova Guiné e Tuvalu são alvejados todos os anos com redes gigantes, que os arrasam totalmente, inclusivamente ao peixe jovem que é essencial para a reprodução e futuro crescimento das populações. Peixe que não dá lucro no mercado, mas que ainda assim poderia fornecer alimento e rendimentos a outras pessoas, é deitado fora morto.

A captura acessória na pesca de palangre é outro perigo, tal como a pesca de arrasto ao camarão. Um filme da pesca de arrasto ao camarão mostra os pescadores a encherem algumas caixas com a espécie desejada e a despejar toneladas de peixe e de espécies marinhas não pretendidas para o mar. Por cada quilograma de camarão desembarcado, mais de 3 quilos de vida marinha tropical é colhida e morta. A indústria do camarão é responsável por entre 3 a 4 por cento da indústria mundial de pesca, mas é responsável por mais de 27 por cento da destruição desnecessária da vida marinha.

Acabar com a pirataria

A pesca pirata pode ser parada. Os governos podem declarar ilegais as bandeiras de conveniência e recusar a entrada às embarcações de pesca e de reabastecimento. É uma questão de vontade política para disponibilizar o tipo de fiscalização necessária para proteger o ambiente marítimo e as comunidades que dele dependem.

A galeria da vergonha

Environmental Justice Foundation

A Greenpeace e a Fundação de Justiça Ambiental trabalham juntas para denunciar as frotas de pesca pirata que operam sem sanções em todo o mundo. Juntas, as organizações internacionais do ambiente e dos direitos humanos exigem aos governos que encerrem os portos para proscrever os piratas, que lhes neguem o acesso aos mercados e que punam as empresas que os apoiam.

Novidades

 

Greenpeace começa tour no Mediterrâneo

Artigo | 6. maio, 2008 em 23:00

O Mar Mediterrâneo pode ser considerado um tesouro a nível mundial. Prados ricos em ervas marinhas e recifes rochosos dominam a zona costeira, enquanto cordilheiras de montanhas subaquáticas, águas frias e trincheiras dominam o seu leito marinho.

A Greenpeace descobre uma nova espécie

Artigo | 28. abril, 2008 em 23:00

A expedição da Greenpeace ao Mar de Bering levou à descoberta de uma espécie de esponja que a ciência desconhecia. A esponja foi recolhida utilizando pequenos submarinos tripulados e equipados para explorar as mais profundas ravinas subaquáticas...

Negócios encerrados na Brussels Seafood Expo!

Artigo | 22. abril, 2008 em 23:00

"Senhoras e senhores a vossa atenção por favor, os stands Dongwon, Mitsubishi, Moon Marine, Azzopardi e Ricardo Fuentes estão encerrados." Esta foi a mensagem difundida na Brussels Seafood Expo hoje, enquanto a Greenpeace encerrou os stands de...

O tempo está a esgotar-se para o atum

Artigo | 19. abril, 2008 em 23:00

Os stocks de atum no Oceano Pacífico estão a acabar devido à pesca excessiva praticada por frotas comerciais ilegais.

Lei internacional ignorada para continuar caça à baleia

Artigo | 1. abril, 2008 em 23:00

A convenção internacional que ajudou a salvar o Elefante e o Rinoceronte de serem extinguidos pelas mãos de caçadores furtivos, está a ser ignorada pela Agência de Pescas Japonesa, que continua a caça à baleia no Oceano Antárctico.

Morreu Lyle Thurston, activista que participou na primeira acção da Greenpeace

Artigo | 30. março, 2008 em 23:00

Lyle Thurston, um dos 12 tripulantes na primeira campanha da Greenpeace, morreu aos 70 anos com uma pneumonia, em Victoria, no Canada, a 26 de Março de 2008. "Doc" Thurston - um médico, patrono das artes e um advogado do ambiente ao longo de toda...

Japoneses assumen fiasco na caça deste ano

Artigo | 18. março, 2008 em 23:00

Os responsáveis japoneses anunciaram hoje que vai ser difícil cumprir a quota anunciada para este ano. Com a época da caça à baleia a chegar ao fim, apenas foram capturadas menos de metade das 985 baleias previstas.

Greenpeace na mostra de Boston

Artigo | 5. março, 2008 em 23:00

Um pouco por todo o mundo, há cada vez mais um consenso científico de que os nossos oceanos estão em crise. Décadas de práticas destrutivas e falta de gestão contribuíram largamente para o cenário actual. De acordo com um novo estudo publicado...

100% dos japoneses contribuem para a caça à baleia

Artigo | 26. fevereiro, 2008 em 23:00

Todos os anos, o governo Japonês gasta mais de 4.7 milhões de dólares dos impostos para subsidiar a industria de caça à baleia. Um novo estudo encomendado pela Greenpeace revela que 87% dos Japoneses não estão cientes do facto.

Greenpeace chega a Portugal

Artigo | 21. fevereiro, 2008 em 23:00

A Greenpeace lança hoje um escritório virtual em Portugal. A organização ambientalista Internacional decidiu responder aos pedidos e inscrições de 7000 portugueses através da criação de uma presença constante no país. A primeira campanha é em...

31 - 40 de 47 resultados.