Activistas da Greenpeace bloqueiam a entrada do Pingo Doce do Cais do Sodré em Lisboa

Comunicado de imprensa - 26. Maio, 2010
Activistas da Greenpeace impediram hoje a abertura do Pingo Doce do Cais do Sodré, em Lisboa, com cartazes a bloquear as entradas do supermercado com a mensagem “Pingo Doce esgota os oceanos de Janeiro a Janeiro” e dois peixes gigantes a gerar confusão entre os transeuntes. A organização ambientalista escolheu este local e hora de grande movimento para mobilizar os milhares de consumidores que passam no local e pressionar o grupo Jerónimo Martins a assumir um papel activo para garantir a sustentabilidade do peixe que vende (1).

A organização ambientalista lança o alerta de que continuar com o “business-as-usual” já não é uma opção. Com menos de 1% dos oceanos protegidos, a organização defende que é urgente parar de compactuar com as práticas de pesca destrutivas e desperdicentes que já levaram ao colapso de 1/3 dos stocks de peixe comercial e agir para travar a perda continuada da vida marinha do planeta.

“Estes supermercados gastam milhões em publicidade, mas recusam-se a assumir a responsabilidade pelo pescado à venda nas suas lojas,” explica Lanka Horstink, coordenadora da campanha de oceanos da Greenpeace em Portugal. “É fundamental que este retalhista altere a sua estratégia de negócio de modo a incorporar não só o lucro mas atender também aos interesses dos seus clientes em ter peixe no futuro.”

Durante o decorrer da acção a organização convidou ainda os moradores da zona de Lisboa a sintonizar as suas rádios na Rádio Vermelha da Greenpeace frequência 88.5 FM - e ouvir algumas das melhores mensagens enviadas pelos consumidores para o grupo Jerónimo Martins.

No terceiro Ranking dos Supermercados da Greenpeace, que analisa as práticas de compra de peixe das principais cadeias de distribuição alimentar em Portugal (2), o grupo Jerónimo Martins foi novamente o pior classificado. A organização ambientalista denuncia que das duas empresas portuguesas contempladas no estudo – Sonae e Jerónimo Martins - o detentor das insígnias Pingo Doce e Feira Nova é o único que insiste em limitar a sua actuação ao cumprimento da lei.

“A Jerónimo Martins afirma confiar na gestão da pesca da União Europeia. Mas com as quotas anuais para a Europa estabelecidas em média 48% acima das recomendações dos cientistas e mais de 80% dos stocks de peixe comerciais nas águas europeias considerados sobreexplorados, seguir as regulamentações definitivamente não basta,” esclarece Lanka Horstink, acrescentando que “no Ano Internacional para a Biodiversidade nenhuma empresa da dimensão da Jerónimo Martins pode continuar indiferente ao alerta para a crise dos recursos naturais que ecoa pelo mundo.”

A Greenpeace defende que as grandes cadeias de distribuição alimentar têm o poder económico para influenciar positivamente a indústria da pesca, exigindo saber a origem do peixe que vendem, recusando peixe ilegal ou peixe proveniente de stocks considerados esgotados ou à beira do esgotamento e evitando os métodos de pesca mais destrutivos.

Notas ao editor:

(1) A Greenpeace exige um compromisso claro do grupo Jerónimo Martins de que está disposto a rever e ajustar a sua estratégia de negócio de forma a incorporar critérios mensuráveis de sustentabilidade para o pescado que vende.

Este compromisso deve incluir:  o reconhecimento público da responsabilidade do Grupo em assumir um papel activo na preservação dos oceanos e das reservas de peixe; o desenvolvimento e publicação de uma política de compra e venda de peixe responsável ainda em 2010; a eliminação gradual das espécies da Lista Vermelha da Greenpeace ainda à venda nos supermercados do Grupo até meados de 2011, descontinuando imediatamente, como primeiro passo, a venda de todos os tubarões vulneráveis.

(2) O relatório Uma Receita para a Biodiversidade. Supermercados: ingredientes para preservar a vida dos oceanos, publicado em Maio de 2010, está disponível em: http://www.greenpeace.org/portugal/uma-receita-para-a-biodiversidade

Classificações do terceiro Ranking dos Supermercados da Greenpeace:

Lidl..... 60%
Modelo e Continente (Sonae)........40%
Jumbo e Pão de Açúcar (Auchan)...... 28%
Minipreço (Dia)...... 11%
Intermarché (Os Mosqueteiros)..... 6%
Pingo Doce e Feira Nova (Jerónimo Martins)...... 5%

Para mais informações, fotografias ou imagens de video, contactar:

Lanka Horstink, coordenadora da campanha dos Oceanos da Greenpeace em Portugal, +351 910 631 664
Lara Teunissen, responsável de comunicação da Greenpeace em Portugal, +351 917 216 829 / +31 646 162 042,

Fotografias: John Novis, Greenpeace Internacional, / +44 7801 615 889
Imagens de video: Michael Nagasaka, Greenpeace Internacional, / +447533625409

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