A organização ambientalista lança o alerta de que continuar com o “business-as-usual” já não é uma opção. Com menos de 1% dos oceanos protegidos, a organização defende que é urgente parar de compactuar com as práticas de pesca destrutivas e desperdicentes que já levaram ao colapso de 1/3 dos stocks de peixe comercial e agir para travar a perda continuada da vida marinha do planeta.
“Estes supermercados gastam milhões em publicidade, mas recusam-se a assumir a responsabilidade pelo pescado à venda nas suas lojas,” explica Lanka Horstink, coordenadora da campanha de oceanos da Greenpeace em Portugal. “É fundamental que este retalhista altere a sua estratégia de negócio de modo a incorporar não só o lucro mas atender também aos interesses dos seus clientes em ter peixe no futuro.”
Durante o decorrer da acção a organização convidou ainda os moradores da zona de Lisboa a sintonizar as suas rádios na Rádio Vermelha da Greenpeace frequência 88.5 FM - e ouvir algumas das melhores mensagens enviadas pelos consumidores para o grupo Jerónimo Martins.
No terceiro Ranking dos Supermercados da Greenpeace, que analisa as práticas de compra de peixe das principais cadeias de distribuição alimentar em Portugal (2), o grupo Jerónimo Martins foi novamente o pior classificado. A organização ambientalista denuncia que das duas empresas portuguesas contempladas no estudo – Sonae e Jerónimo Martins - o detentor das insígnias Pingo Doce e Feira Nova é o único que insiste em limitar a sua actuação ao cumprimento da lei.
“A Jerónimo Martins afirma confiar na gestão da pesca da União Europeia. Mas com as quotas anuais para a Europa estabelecidas em média 48% acima das recomendações dos cientistas e mais de 80% dos stocks de peixe comerciais nas águas europeias considerados sobreexplorados, seguir as regulamentações definitivamente não basta,” esclarece Lanka Horstink, acrescentando que “no Ano Internacional para a Biodiversidade nenhuma empresa da dimensão da Jerónimo Martins pode continuar indiferente ao alerta para a crise dos recursos naturais que ecoa pelo mundo.”
A Greenpeace defende que as grandes cadeias de distribuição alimentar têm o poder económico para influenciar positivamente a indústria da pesca, exigindo saber a origem do peixe que vendem, recusando peixe ilegal ou peixe proveniente de stocks considerados esgotados ou à beira do esgotamento e evitando os métodos de pesca mais destrutivos.
Notas ao editor:
(1) A Greenpeace exige um compromisso claro do grupo Jerónimo Martins de que está disposto a rever e ajustar a sua estratégia de negócio de forma a incorporar critérios mensuráveis de sustentabilidade para o pescado que vende.
Este compromisso deve incluir: o reconhecimento público da responsabilidade do Grupo em assumir um papel activo na preservação dos oceanos e das reservas de peixe; o desenvolvimento e publicação de uma política de compra e venda de peixe responsável ainda em 2010; a eliminação gradual das espécies da Lista Vermelha da Greenpeace ainda à venda nos supermercados do Grupo até meados de 2011, descontinuando imediatamente, como primeiro passo, a venda de todos os tubarões vulneráveis.
(2) O relatório Uma Receita para a Biodiversidade. Supermercados: ingredientes para preservar a vida dos oceanos, publicado em Maio de 2010, está disponível em: http://www.greenpeace.org/portugal/uma-receita-para-a-biodiversidade
Classificações do terceiro Ranking dos Supermercados da Greenpeace:
Lidl..... 60%
Modelo e Continente (Sonae)........40%
Jumbo e Pão de Açúcar (Auchan)...... 28%
Minipreço (Dia)...... 11%
Intermarché (Os Mosqueteiros)..... 6%
Pingo Doce e Feira Nova (Jerónimo Martins)...... 5%
Para mais informações, fotografias ou imagens de video, contactar:
Lanka Horstink, coordenadora da campanha dos Oceanos da Greenpeace em Portugal, +351 910 631 664
Lara Teunissen, responsável de comunicação da Greenpeace em Portugal, +351 917 216 829 / +31 646 162 042, 
Fotografias: John Novis, Greenpeace Internacional,
/ +44 7801 615 889
Imagens de video: Michael Nagasaka, Greenpeace Internacional,
/ +447533625409