Greenpeace pede moratória para pesca de arrasto no Oceano Árctico

Comunicado de imprensa - 1. Julho, 2010
Greenpeace divulga novas imagens de criaturas únicas que habitam as profundezas do Oceano Árctico, obtidas com câmeras submersas de alta tecnologia (1). As imagens revelam criaturas de crescimento lento que sobrevivem neste ambiente inóspito coberto de gelo entre Outono e Primavera, como anêmonas-do-mar, tunicatas e corais moles.

As alterações climáticas têm vindo a ameaçar cada  vez mais a vida marinha que habita o Oceano Árctico. O aumento das temperaturas, as alterações das correntes e a acidificação dos oceanos estão a afectar este ecossistema pristino. Simultaneamente, o recuar do gelo no pólo Norte tem permitido aos grandes arrastões aventurarem-se por territórios até hoje inexplorados. Para proteger as criaturas que habitam as profundezas deste oceano, a Greenpeace está a pedir uma moratória internacional para todas as actividades industriais na pesca de arrasto.

“A Greenpeace pede protecção imediata destas águas até que seja adoptado um regime de gestão internacional que protege efectivamente o Oceano Árctico,” explica Frida Bengtsson, da campanha dos oceanos da Greenpeace Nórdica. “Qualquer pescaria que esteja a emergir neste oceano deve ser imediatamente proibida até que a comunidade científica tenha oportunidade de investigar este ecossistema e a forma como está a ser afectado pelas alterações climáticas.”

A pesca de arrasto pode devastar uma quantidade incrível desta vida marinha de crescimento lento. No entanto, proibir a pesca de arrasto acima dos 80 graus não implica um impacto económico significativo para a indústria da pesca. Portugal tem licença para pescar nas águas do Mar de Barents, com uma frota que inclui nove arrastões e uma quota de 4.730 toneladas por ano. A maior parte do bacalhau consumido em Portugal vem do Mar de Barents. Como medida imediata de protecção, a Greenpeace defende que esta área deve ser interdita às frotas de arrastões que pescam no Mar Barents.

“Neste momento, nada impede a frota portuguesa de seguir o exemplo dos arrastões noruegueses e russos e começar a pescar mais a norte,” alerta Lanka Horstink, responsável pela campanha de oceanos da Greenpeace em Portugal. “Com os cientistas a alertar para o colapso iminente da maioria dos stocks de bacalhau existentes, é fundamental proteger o último refúgio desta espécie dominante no mercado de peixe português (2), recusando o peixe proveniente deste território ou bacalhau que tenha sido capturado por arrasto de fundo.”

A Greenpeace pede às grandes cadeias de distribuição alimentar, responsáveis por 70% das vendas de peixe em Portugal, que contribuam para a conservação deste habitat pristino, recusando comercializar peixe, em particular bacalhau, proveniente desta área e optando por fornecer bacalhau de stocks considerados mais saudáveis e que não estejam associados à pesca de arrasto de fundo (3).

Novas imagens e vídeo da vida marinha das profundezas do Oceano Árctico, obtidas com câmeras submersas, disponíveis em:

Fotografias:

http://photo.greenpeace.org/GPI/C.aspx?VP3=ViewBox_VPage&ALID=27MZIFI6XGK3&CT=Album

Video:

http://www.youtube.com/watch?v=0s-HH8aVE9c-broadcast

Notas ao editor:


(1)O navio da Greenpeace, Esperanza, está neste momento no Oceano Árctico a documentar as operações de pesca na região. Comunicado de imprensa de dia 10 de Junho: http://www.greenpeace.org/portugal/imprensa/arquivo/navio-greenpeace-espedicao-oceano-arctico

Para mais informações sobre a “Expedição do Árctico” visiteÇ http://www.greenpeace.org/portugal/arctico-sob-pressao

(2)O bacalhau é um elemento importantíssimo na culinária tradicional portuguesa, representando mais de um terço de todo o pescado consumido em Portugal. Os portugueses são os maiores consumidores per capita a nível mundial, consumindo cerca de 60.000 toneladas de bacalhau por ano (peso seco, correspondendo a cerca de 200.000t  em fresco), 90% do qual é vendido salgado e seco.

(3)A Greenpeace recomenda aos retalhistas e consumidores que evitem o bacalhau do Mar do Norte, Atântico Noroeste a Leste do Canadá, Kattegat, do Báltico Oeste ou de pescarias em que sejam capturados acidentalmente peixes vermelhos, bacalhau polar ou bacalhau costeiro da Noruega. Dos stocks de bacalhau existentes, estão considerados em bom estado os stocks do Nordeste Árctico (Mar de Barents), Islândia e, até certo ponto, da zona Este do Báltico. O bacalhau do Pacífico também pode ser visto como uma alternativa sustentável, com excepção do proveniente das águas do Canadá, onde a pesca de arrasto é o método dominante.

Entre os métodos de pesca mais suaves, alternativos à pesca de arrasto de fundo, existe a pesca à linha de mão e o palangre artesanal. No entanto, também o cerco demersal (rede de cerco dinamarquesa) e o palangre de maior dimensão podem ser considerados alternativas menos destructivas, desde que aliados a técnicas de mitigação das capturas e cujas operações sejam acompanhadas por observados independentes.

Contactos para mais informações:


Lara Teunissen, responsável de comunicação da Greenpeace em Portugal, +351 91 7216829 ou +31 646162042

Lanka Horstink, responsável pela campanha de oceanos da Greenpeace em Portugal, +351 91 0631664

Outros contactos:


Para imagens de vídeo, contactar: Maarten van Rouveroy, Greenpeace Internacional, +31 6 46 19 73 22

Para fotografias, contactar: Emma Stoner, Greenpeace International, +447554934750
 

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