Comunicado de imprensa - 20. Julho, 2009
Em resposta ao comunicado de dia 3 de Julho do grupo Jerónimo Martins, a Greenpeace clarifica que a acção directa e pacífica em frente à sede do grupo, no passado dia 2 de Julho, em Lisboa, foi a solução adoptada para pressionar o grupo de distribuição alimentar a reunir com a organização e discutir formas de melhorar a sustentabilidade das suas políticas de compra e venda de peixe(1).
A comprovar a relevância do protesto não violento da Greenpeace, está o esclarecimento enviado no dia seguinte pela provedora do cliente do gupo, que responde, pela primeira e com meses de atraso, aos milhares de pedidos de informação de consumidores e ciberactivistas da organização.
No comunicado, o grupo Jerónimo Martins afirma assumir como inquestionáveis os valores da preservação ambiental e pautar a actuação dos seus supermercados por elevados critérios de sustentabilidade. A Greenpeace congratula esta posição, mas reitera que “palavras não chegam para salvar os oceanos” e insiste que os princípios anunciados pela Jerónimo Martins devem ter uma implementação práctica.
Uma investigação da Greenpeace aos supermercados Pingo Doce e Feira Nova(2) permite concluir que:
- estes supermercados vendem 12 das 14 espécies de peixe presentes na Lista Vermelha da Greenpeace, que estão ameaçadas de extinção e/ou são capturadas através de métodos destrutivos. Entre elas, as espécies de atum Thunnus obesus e Thunnus albacares.
- as etiquetas dos produtos de pesca (congelados, enlatados e fresco) destes supermercados têm pouca ou nenhuma informação que possibilite o consumidor de fazer uma escolha responsável.
Há uma procura crescente dos consumidores por produtos de pesca sustentáveis. O grupo Jerónimo Martins deve seguir o exemplo de outros líderes de distribuição alimentar europeus que continuam a trabalhar com a Greenpeace para elevar os seus padrões de sustentabilidade.
A Marks & Spencer desenvolveu uma política de compra e venda de peixe sustentável com o aconselhamento da Greenpeace e já não comercializa espécies de peixe ameaçadas ou capturadas através de métodos de pesca destrutivos para o ecosistema(3). A Waitrose revelou recentemente que, devido à sua política de peixe sustentável, as vendas dos produtos de pesca subiram 15% no mês de Junho, comparando com 2008(4).
A Greenpeace é uma organização independente que faz campanha para defender o meio ambiente e procura encontrar soluções para um futuro mais sustentável. A organização conta com uma equipa de investigadores experientes e utiliza como referência os dados científicos da Organização para a Alimentação e Agricultura (FAO), da Comissão Europeia e das organizações regionais de pesca, com as quais trabalha activamente para proteger os recursos marinhos do Planeta.
Comunicado do grupo Jerónimo Martins - 3 de Julho de 2009: http://www.jeronimomartins.pt/pt/relacoes_investidores/documents/comunicado_jm_3009.07.03.pdf
Notas ao editor:
(1) Histórico da campanha para Mercados de Peixe Sustentável da Greenpeace em Portugal, disponível em: http://www.greenpeace.pt/calendario
(2) Segundo Ranking de Supermercados da Greenpeace em Portugal (Maio 2009):
http://www.greenpeace.org/portugal/ranking2
(3) Exemplo da Marks & Spencer (inglês): http://www.greenpeace.org.uk/oceans/sustainable-seafood/league-table-2006-marks-spencer
(4) Artigo da International Supermarkets News sobre as vendas de peixe da Waitrose (inglês): http://www.internationalsupermarketnews.com/index.php/the-news/1491-waitrose