Greenpeace mobiliza milhares de portugueses para salvar oceanos profundos

Comunicado de imprensa - 29. Outubro, 2009
A campanha de sensibilização Oceanos em Perigo da Greenpeace terminou hoje na cidade do Porto. Durante duas semanas, uma equipa de activistas da organização visitou dezenas de supermercados em oito cidades do país e mobilizou milhares de portugueses para dar voz às profundezas dos oceanos.

Com o lema “No fundo do mar, nem tudo o que vem à rede é peixe”, uma equipa de activistas da Greenpeace percorreu o país mascarados de peixes e peixeiras para alertar consumidores e retalhistas para a devastação dos ecossistemas marinhos e pressionar as grandes superfícies para que parem de vender as espécies de peixe de profundidade mais vulneráveis (1).

“Estes são peixes de crescimento lento e reprodução tardia que não se adequam à pesca industrial voraz (2). Para além disso, a sua captura implica muitas vezes a destruição de habitats marinhos sensíveis e ainda inexplorados,” diz Lanka Horstink, coordenadora da campanha dos oceanos da Greenpeace em Portugal.

“O objectivo desta campanha foi fazer a ligação entre a devastação dos oceanos e o que se encontra à venda nas peixarias das grandes superfícies. Conseguimos levar a mensagem a vários pontos do país. Mais de 3.500 portugueses assinaram a nossa petição dirigida aos supermercados e nosso site bateu o recorde de visitantes,” continua Lanka Horstink.

Segundo a organização ambientalista, o Lidl é a única cadeia de distribuição alimentar em Portugal que assume o compromisso de parar de vender espécies de peixe de profundidade. Nas visitas aos supermercados dos restantes grupos Auchan, Sonae, Os Mosqueteiros e Jerónimo Martins - foram frequentemente encontrados peixes como o tamboril, o peixe espada preto, peixes vermelhos (red fish), pescada argentina, pota argentina e algumas espécies de raias e tubarões.

O grupo Auchan comunicou entretanto que vai suspender a venda de espécies de tubarão ameaçadas, iniciativa que a Greenpeace congratula e vê como um primeiro passo para a implementação de uma política de compra de peixe responsável. Já o grupo Jerónimo Martins responde apenas que cumpre as normais legais previstas.

“As cadeias de supermercados podem tomar a decisão de defender um recurso que é de todos e actuar de acordo com a informação científica disponível e a sua consciência social. A Greenpeace acredita que a Jerónimo Martins tem aqui a oportunidade de seguir o exemplo de outras cadeias de liderar uma mudança política (3),” responde a coordenadora da campanha.

A campanha Oceanos em Perigo da Greenpeace foi lançada em Lisboa no dia 16 de Outubro (4). Esta tour percorreu 19 cidades em França, Portugal e Espanha - os três países europeus mais activos na pesca de profundidade em alto mar.

“Portugal sendo uma nação de pesca por excelência e tendo a maior zona económica exclusiva da Europa, que faz fronteira com centenas de quilómetros de alto mar, está numa posição privilegiada para assumir liderança na preservação e exploração sustentável dos oceanos do Planeta,” conclui Lanka Horstink.

Notas ao editor:


(1) A Roadtour Oceanos em Perigo da Greenpeace em Portugal visitou Lisboa, Almada, Setúbal, Faro, Coimbra, Aveiro, Gaia e Porto. Itinerário da campanha disponível em: http://www.greenpeace.org/portugal/participa/oceanos-em-perigo/

(2) Lista e informações sobre espécies de peixe de profundidade vulneráveis à venda em Portugal, como os peixes vermelhos, disponível em: http://www.greenpeace.org/portugal/procura-se-vivo/peixes-vermelhos

(3) Link para petição online da Greenpeace dirigida aos retalhistas: http://www.greenpeace.org/portugal/participa/proteger-o-fundo-do-mar

(4) A Greenpeace está em Portugal a fazer campanha para que as grandes superfícies, responsáveis por 70% do peixe que se vende em Portugal, assumam um papel relevante na protecção dos oceanos. Todos os anos são gastos, em Portugal, mais de 1.047 milhões de euros em peixe. A organização defende que o poder económico das grandes cadeias de supermercados lhes confere a responsabilidade de proteger os recursos naturais que comercializam.

(5) Comunicado de lançamento da campanha Oceanos em Perigo em Portugal: http://www.greenpeace.org/portugal/imprensa/arquivo/pesca-profundidade-onga-portuguesas

Contactos para mais informações ou entrevistas:


Lanka Horstink, coordenadora da campanha dos oceanos da Greenpeace em Portugal, 910 631 664

Lara Teunissen, porta-voz da Greenpeace Internacional em Portugal, 917 216 829 ou +31 6 4616 2041

Contacto para imagens da campanha:
Greenpeace International Picture Desk:
John Novis, + 44 (0) 7801 615 889 ou

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