Com o lema “No fundo do mar, nem tudo o que vem à rede é peixe”, uma equipa de activistas da Greenpeace percorreu o país mascarados de peixes e peixeiras para alertar consumidores e retalhistas para a devastação dos ecossistemas marinhos e pressionar as grandes superfícies para que parem de vender as espécies de peixe de profundidade mais vulneráveis (1).
“Estes são peixes de crescimento lento e reprodução tardia que não se adequam à pesca industrial voraz (2). Para além disso, a sua captura implica muitas vezes a destruição de habitats marinhos sensíveis e ainda inexplorados,” diz Lanka Horstink, coordenadora da campanha dos oceanos da Greenpeace em Portugal.
“O objectivo desta campanha foi fazer a ligação entre a devastação dos oceanos e o que se encontra à venda nas peixarias das grandes superfícies. Conseguimos levar a mensagem a vários pontos do país. Mais de 3.500 portugueses assinaram a nossa petição dirigida aos supermercados e nosso site bateu o recorde de visitantes,” continua Lanka Horstink.
Segundo a organização ambientalista, o Lidl é a única cadeia de distribuição alimentar em Portugal que assume o compromisso de parar de vender espécies de peixe de profundidade. Nas visitas aos supermercados dos restantes grupos Auchan, Sonae, Os Mosqueteiros e Jerónimo Martins - foram frequentemente encontrados peixes como o tamboril, o peixe espada preto, peixes vermelhos (red fish), pescada argentina, pota argentina e algumas espécies de raias e tubarões.
O grupo Auchan comunicou entretanto que vai suspender a venda de espécies de tubarão ameaçadas, iniciativa que a Greenpeace congratula e vê como um primeiro passo para a implementação de uma política de compra de peixe responsável. Já o grupo Jerónimo Martins responde apenas que cumpre as normais legais previstas.
“As cadeias de supermercados podem tomar a decisão de defender um recurso que é de todos e actuar de acordo com a informação científica disponível e a sua consciência social. A Greenpeace acredita que a Jerónimo Martins tem aqui a oportunidade de seguir o exemplo de outras cadeias de liderar uma mudança política (3),” responde a coordenadora da campanha.
A campanha Oceanos em Perigo da Greenpeace foi lançada em Lisboa no dia 16 de Outubro (4). Esta tour percorreu 19 cidades em França, Portugal e Espanha - os três países europeus mais activos na pesca de profundidade em alto mar.
“Portugal sendo uma nação de pesca por excelência e tendo a maior zona económica exclusiva da Europa, que faz fronteira com centenas de quilómetros de alto mar, está numa posição privilegiada para assumir liderança na preservação e exploração sustentável dos oceanos do Planeta,” conclui Lanka Horstink.
Notas ao editor:
(1) A Roadtour Oceanos em Perigo da Greenpeace em Portugal visitou Lisboa, Almada, Setúbal, Faro, Coimbra, Aveiro, Gaia e Porto. Itinerário da campanha disponível em: http://www.greenpeace.org/portugal/participa/oceanos-em-perigo/
(2) Lista e informações sobre espécies de peixe de profundidade vulneráveis à venda em Portugal, como os peixes vermelhos, disponível em: http://www.greenpeace.org/portugal/procura-se-vivo/peixes-vermelhos
(3) Link para petição online da Greenpeace dirigida aos retalhistas: http://www.greenpeace.org/portugal/participa/proteger-o-fundo-do-mar
(4) A Greenpeace está em Portugal a fazer campanha para que as grandes superfícies, responsáveis por 70% do peixe que se vende em Portugal, assumam um papel relevante na protecção dos oceanos. Todos os anos são gastos, em Portugal, mais de 1.047 milhões de euros em peixe. A organização defende que o poder económico das grandes cadeias de supermercados lhes confere a responsabilidade de proteger os recursos naturais que comercializam.
(5) Comunicado de lançamento da campanha Oceanos em Perigo em Portugal: http://www.greenpeace.org/portugal/imprensa/arquivo/pesca-profundidade-onga-portuguesas
Contactos para mais informações ou entrevistas:
Lanka Horstink, coordenadora da campanha dos oceanos da Greenpeace em Portugal, 910 631 664
Lara Teunissen, porta-voz da Greenpeace Internacional em Portugal, 917 216 829 ou +31 6 4616 2041 
Contacto para imagens da campanha:
Greenpeace International Picture Desk:
John Novis, + 44 (0) 7801 615 889 ou 