Segundo Ranking de Supermercados Portugueses da Greenpeace
Em Agosto de 2008, a Greenpeace chumbou as políticas de peixe das cinco principais cadeias de supermercados portugueses. Há progressos nesta segunda avaliação?
Sim, esta segunda avaliação mostra precisamente os avanços que a campanha obteve num ano de atividades no país. Duas empresas, o Lidl e a Sonae, já criaram uma Política de Peixe Sustentável e estão hoje a estudar com a Greenpeace formas de melhorar e implementar essa política. O Lidl já não se encontra no espectro vermelho de pontos e a Sonae subiu da última posição para ocupar o segundo lugar do ranking. No entanto, embora os avanços sejam de fato significativos, todos os supermercados do ranking ainda têm um longo caminho a percorrer para garantir aos seus consumidores peixe sustentável, responsável e legal.
Porque é que a Greenpeace só está a avaliar as políticas dos grandes grupos como Sonae, Lidl, Jerónimo Martins, Aunchan e Os Mosqueteiros?
Os últimos estudos científicos indicam que os recursos marinhos do planeta correm o risco de um colapso global e irreversível e que é urgente que os gigantes da indústria da pesca alterem a sua lógica de lucro para uma lógica de preservação. As grandes cadeias de distribuição alimentar têm o poder económico para influenciar a indústria e a responsabilidade social de o fazer. Setenta por cento do peixe comercializado em Portugal é vendido nestas grandes superfícies e a Greenpeace acredita que cabe a estes grupos defender os direitos dos consumidores e proteger um recurso que é de todos: o peixe.
Quais são os critérios que a Greenpeace usa para avaliar as políticas de peixe destes grupos?
A Greenpeace usa sete grandes critérios que avaliam as políticas e os produtos de peixe à venda em cada supermercado. Em primeiro lugar, apuramos se a empresa possui ou não uma Política de Peixe Sustentável escrita e se vende espécies de peixe que constam da Lista Vermelha da Greenpeace (tanto de peixe selvagem quanto de aquacultura). Em seguida, analisamos o compromisso da empresa em não vender peixes de stocks que estejam ameaçados ou que sejam capturados de modo destrutivo para o ecossistema marinho. Verificamos ainda se o peixe proveniente de viveiros cumpre os critérios de aquacultura sustentável e respeita os direitos humanos.
Outros critérios dizem respeito às medidas adotadas pelos supermercados para garantir que não estão a alimentar indústrias da pesca ilegal. Referem-se também às etiquetas de todos os produtos de peixe, para avaliar se contêm informações necessárias, como os nomes comuns e científicos das espécies, zona, data, stock e modo de captura, para que o consumidor possa fazer uma escolha consciente e responsável. A Greenpeace considera a transparência e visibilidade das Política de Peixe Sustentável da empresa peças fundamentais para uma boa classificação.
O que é para a Greenpeace uma política de peixe sustentável?
Peixe sustentável é aquele cuja captura não destroi o meio ambiente marinho e não contribui para o desequilíbrio dos ecossistemas dos oceanos, além de garantir o modo de subsistência das populações costeiras que têm na pesca a sua tradição e meio de sobrevivência. Nesse sentido, a Greenpeace considera que uma política de peixe sustentável deve atender aos seguintes critérios:
- Retirar o pior - Terminar a venda de peixe insustentável
- Apoiar o melhor - Apostar continuamente no aumento da oferta de peixe sustentável.
- Melhorar o resto – Trabalhar com os fornecedores, com a indústria da pesca, governo, ONGs e cientistas para melhorar a administração e sustentabilidade das pescarias e aquaculturas.
- Melhorar a rastreabilidade dos produtos e combater a pesca ilegal, não-reportada e não-regulamentada - Vender apenas peixe cuja traçabilidade até ao barco de captura é possível e cujo cumprimento das quotas de captura pode ser comprovado.Não vender peixe de barcos e/ou operadores piratas que estejam presentes na Lista Negra da Greenpeace http://blacklist.greenpeace.org. Não vender peixe cujo transbordo em alto mar não foi inspecionado por observadores 100% independentes.
- Informar os consumidores - Etiquetar o peixe com os nomes comuns e científicos (em Latim), as zonas de captura, o nome do stock, o equipamento de pesca utilizado e o método exato de captura. Em relação ao peixe de aquacultura, informar qual o país de origem, o método de produção e se a espécie é doméstica ou foi introduzida na área onde foi cultivada.
- Ser transparente - Tornar a política de peixe pública e disponibilizar informações aos consumidores e clientes.
Para consultar um modelo de política sustentável, visite o nosso website em http://www.greenpeace.org/portugal/ranking2/modelo-politica-retalhistas.
Quais são as espécies de peixe que a Greenpeace pede aos supermercados para deixarem de vender. E porquê?
A Greenpeace está a pedir aos supermercados que retirem das prateleiras espécies de peixe cuja captura (peixe selvagem) ou cultivo (peixe de viveiro) tenham um impacto negativo no ecossistema marinho. O ano passado publicámos a Lista Vermelha de Peixes para Portugal, que serve de guia para os supermercados e consumidores avaliarem se as espécies de peixe que vendem e compram são provenientes de stocks que estão gravemente ameaçados devido à sobrepesca, entre eles o bacalhau do Atlântico e várias espécies de atum e camarões, por exemplo. Estudos científicos indicam que 90 por cento dos grandes peixes predadores já foi pescado e é urgente salvaguardar a recuperação destas populações antes que se extingam para sempre.
Há uma razão específica para a Greenpeace lançar o segundo ranking no Porto?
A presença da Greenpeace em Portugal é de âmbito nacional. O Porto é a maior cidade do norte do país e a Greenpeace quer mobilizar a população desta região para agir em defesa dos nossos oceanos e melhorar o mercado de peixe em Portugal. È de realçar que formámos recentemente um grupo de voluntários ativistas no Porto que tem trabalhado com grande entusiasmo para sensilbilizar a população do norte para a crise dos nossos recursos marinhos.
A Greenpeace vai lançar um terceiro ranking? Quando?
Os rankings de supermercados elaborados pela Greenpeace têm o intuito de informar o consumidor dos avanços de cada superfície em relação à criação de uma política de compra e venda de peixe sustentável. Nesse sentido, pretendemos atualizar o ranking à medida que as negociações com as empresas avancem e progressos sejam visíveis. O consumidor tem o direito de saber quem está a melhorar e quem continua sem se preocupar.
Esta campanha está a ser desenvolvida noutros países europeus como o Reino Unido, Espanha, Holanda, Alemanha, entre outros. Como estão os supermercados portugueses em relação a outros grupos europeus?
A campanha para Mercados de Peixe Sustentável da Greenpeace teve início em 2007 no Reino Unido. Entretanto cresceu para outros países da Europa e mais tarde chegou também à Nova Zelândia e aos Estados Unidos. Desde o início da campanha que diversas cadeias de supermercados criaram e implementaram políticas de peixe sustentável e deixaram de comercializar as espécies listadas em vermelho naqueles países. Em Portugal, duas das cinco cadeias de supermercados analisadas já começaram a elaborar uma política de peixe sustentável, uma delas já se encontra no espectro laranja do ranking, mas todas precisam de continuar a trabalhar para que os portugueses possam consumir o peixe sustentável que já está à venda noutros países.
Os progressos da campanha no Reino Unido, por exemplo, onde nove das maiores cadeias de supermercados já adotaram políticas de peixe sustentável, mostram que é possível adotar uma abordagem responsável e alimentar uma indústria de pesca que proteja os nossos recursos marinhos.
O que pede a Greenpeace aos consumidores portugueses?
A Greenpeace pede aos consumidores que exijam de seus supermercados uma política de compra de peixe sustentável e que comercializem apenas peixe legal e responsável. Pedimos ainda que exijam informações claras sobre o peixe que compram, desde os nomes comuns e científicos das espécies até os stocks de onde foram capturadas e qual o método de captura. Não temos dúvidas que com estas informações os consumidores irão passar a fazer escolhas mais conscientes e responsáveis.
Pesca pirata: pesca ilegal, não reportada ou não regulamentada.
O que é peixe pirata ou pesca pirata?
A pesca pirata é um negócio multi-milionário que minimiza todos os esforços realizados para se proteger e administrar os stocks de peixe e que tem efeitos devastadores na biodiversidade dos ecossistemas marinhos, que já se encontram sob grave ameaça devido à sobrepesca mundial. Esta prática é responsável pelo esvaziamento dos nossos oceanos e por colocar em sério risco as populações costeiras, que têm na pesca seu modo de subsistência e a sua principal fonte de alimentação. Navios que pescam ilegalmente fazem-no fora das quotas legais e em locais onde a pesca é proibida e utilizam ainda equipamentos ilegais de captura.
Cada vez se fala mais da crise dos oceanos. É mesmo verdade que os recursos marinhos estão a desaparecer?
Infelizmente, a realidade atual dos oceanos mostra que têm de ser tomadas medidas drásticas e urgentes para salvar os recursos marinhos. Dados da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO, na sigla em inglês) mostram que ¾ dos stocks mundiais de peixe com valor comercial estão completamente explorados ou sobreexplorados e que 88% das populações de peixe de águas comunitárias são vítimas da sobrepesca. Isto significa que se não agirmos já, corremos o risco de extinguir a vida de um dos ecossistemas mais ricos do nosso planeta: os mares e oceanos. É alarmante pensar que cada vez que respiramos são destruídos o equivalente a dez campos de futebol do fundo marinho.
Greenpeace em Portugal: Campanha para Peixe Sustentável
Porque é que a Greenpeace só está a desenvolver esta campanha em Portugal?
Os oceanos estão a sofrer com a sobrepesca e com o modo destrutivo do ecossistema marinho com que a indústria pesqueira captura seus peixes. Dados da FAO mostram que 77% dos stocks de peixe com valor comercial já estão sobreexplorados ou mesmo esgotados1, enquanto práticas destrutivas de captura têm vindo a diminuir a capacidade dos oceanos de repor seus recursos. Portugal é um dos maiores consumidores de peixe per capita do mundo, com um consumo aproximado de 50Kg por pessoa a cada ano, e tem um papel fundamental a desempenhar para que a crise dos oceanos possa ser revertida.
A Greenpeace tem muitos apoiantes no país?
A Greenpeace tem em Portugal dois grupos de voluntários, um em Lisboa e um no Porto, com cerca de 110 pessoas a participarem e apoiarem as atividades da campanha no país. Além dos voluntários, o ano passado a Greenpeace já contava com 35.000 ciberativistas portugueses a participar nas atividades online desenvolvidas pela organização.
O que são ciberativistas? E qual a diferença entre ciberativistas e voluntários?
Ciberativistas são pessoas comprometidas com as causas da Greenpeace e que têm uma participação ativa através de atividades online. Os voluntários são pessoas que integram os grupos formados pela Greenpeace, em Lisboa e no Porto, e que têm treino específico para participar em atividades da organização que exigem a presença física das pessoas. Hoje, em Portugal, há dois grupos de voluntários formados, um na região de Lisboa e outro na região do Porto, num total de 110 pessoas. Aqueles que quiserem participar das ciberações ou fazer parte do grupo de voluntários da Greenpeace em Portugal podem subscrever a nossa newsletter em http://www.greenpeace.org/portugal/subscrever-newsletter e passar a receber informações sobre atividades e encontros.
(1) Estado mundial da pesca e da aquaculture 2006. Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), Roma, 2007.