Greenpeace escala Torre Vasco da Gama em protesto contra desflorestação em África

Artigo - 7. dezembro, 2007
A Greenpeace Internacional desafiou hoje os líderes políticos europeus e africanos, que participam na cimeira em Lisboa, a assumir um papel activo para parar a desflorestação tropical que é responsável por pelo menos um quinto das emissões de gases responsáveis pelo efeito de estufa.

Acção na Torre Vasco da Gama em Lisboa, durante a cimeira UE África em Lisboa. Os activistas da Greenpeace penduraram um banner gigante na torre. Os banners com a mensagem "Salvemos o clima, salvemos as florestas africanas" foram colocados de forma a serem visíveis durante a abertura da conferência conjunta entre líderes Europeus e Africanos.

Os activistas escalaram a torre Vasco da Gama e colocaram um banner que dizia “Save the Climate – Save African forests” (Salve o Clima, Salve as florestas Africanas) e desafiaram os lideres a tomar um compromisso imediato para proteger as florestas africanas. "A faixa tem 30 metros de comprimento e nove de largura, e pretende chamar à atenção de todos para a necessidade de acabar com a desflorestação das florestas africanas, praticada também por grandes empresas de portuguesas" disse Stephan van Praet, Coordenador de Campanha das Florestas Africanas da Greenpeace Internacional. “A segunda fase do protocolo de Quioto ainda está a cinco anos de distância e há necessidade de medidas urgentes de protecção à floresta africana e é necessário acabar com as operações ilegais e destrutivas”, acrescentou.

Um estudo recente da Greenpeace explica como é que a mudança climática é uma ameaça para África, provocando um aumento significativo do número de eventos como as secas e as cheias.  As florestas tropicais intactas de África são um regulador da queda de chuva na região, assumindo uma função de armazenamento de carbono, que de outra forma seria lançado como CO2 que contribui para o aquecimento global. As florestas também ajudam a quebrar uma maior aceleração do processo de mudanças climáticas.

Activistas sobem ao teleférico no Parque das Nações para colocar banners próximo da Cimeira EU/África

A Greenpeace quer que os lideres governamentais em Lisboa enviem uma mensagem para as suas delegações na conferência das Nações Unidas acerca do Clima, que decorre em Bali, Indonésia, para que incluam a redução dos gases responsáveis pelo efeito de estufa derivados da desflorestação nas negociações para o alargamento do protocolo de Quioto. “Os lideres europeus e africanos têm que mandar sinais claros para Bali acerca da importância de acabar com a desflorestação”, disse Van Praet. “Nações com grandes superfícies de floresta, como na África Central, irão beneficiar imenso se o alargamento de Quioto incluir um novo mecanismo de financiamento internacional para proteger as florestas e assegurar rendimentos às comunidades locais”, concluiu.

No início desta semana, em Bali, a Greenpeace propôs um mecanismo de redução das emissões provenientes da desflorestação tropical, combinando um financiamento do sector privado e dos governos centrais que iria premiar e incentivar reduções na desflorestação em países em via de desenvolvimento.

Os países Europeus, como maiores emissores de gases e consumidores de madeiras tropicais, têm a responsabilidade de  ser mais activos no suporte às nações africanas no desenvolvimento de medidas para a protecção da floresta. Uma das prioridades é a legislação para prevenir a venda ilegal de madeira no mercado europeu. Esta medida iria fazer com que a credibilidade da Europa fosse realçada no que respeita ás mudanças climáticas e á destruição das florestas, defende a Greenpeace.

A Greenpeace acredita que é possível evitar que as piores manifestações das mudanças climáticas - como episódios metereológicos, crises de água potável e fome crescente – coloquem milhões de pessoas em risco. Para isso é necessária uma revolução na produção e uso de energia e um compromisso para parar a desflorestação ao nível mundial em 10 anos. Os governos têm que comprometer-se a maiores reduções nas emissões de CO2 na segunda fase do protocolo de Quioto, de forma a prevenir a subida das temperaturas, sublinha a Greenpeace.