Indústria de pesca bilionária à beira do colapso

Artigo - 14. Outubro, 2008
Uma das maiores indústrias na pesca está à beira do colapso. O escamudo-do-alasca*, peixe largamente utilizado para fazer sandes no McDonalds, usado em receitas de peixe com batatas, palitos de peixe e imitações de caranguejo, viu a sua população decrescer 50% desde o ano passado.

O nosso apetite por peixe está a superar os limites suportáveis pelo meio ambiente, e tem impactos devastadores nos ecossistemas marinhos. Cientistas estão a avisar que as consequências da sobrepesca causam alterações profundas nos nossos oceanos, talvez alterando-os para sempre.

A redução das populações deve-se sobretudo à enorme quantidade dessa espécie que está a ser capturada no Mar de Bering do Alasca. Todos os anos, navios fábrica retiram do mar mais de um milhão de toneladas de escamudo, e impedem que ele consiga se reproduzir com a rapidez necessária para ter os seus stocks recuperados .

Tal como as instituições financeiras de Wall Street entraram em colapso devido à falta de supervisão e ao desgoverno, também a pesca do escamudo está a caminho do desastre. Para conseguir evitar o colapso, o Conselho de Gestão das Pescas do Norte do Pacífico tem que agir rapidamente e decidir a redução dos limites de pesca na sua próxima reunião, que irá acontecer em Dezembro. Somente assim será possível elevar o escamudo para níveis populacionais mais saudáveis.

Uma indústria bilionária


A indústria de pesca do escamudo é um negócio bilionário. Na actualidade, os interesses económicos dessa indústria sobrepõem-se ao senso comum, e, a cada ano, as empresas querem capturar o máximo de peixe possível e obter lucros sempre mais elevados. Apesar dos sinais de aviso e das recomendações dos cientistas para que se reduzam as capturas, a indústria continua a pescar de forma altamente destrutiva.

Qual a quantidade de escamudo que está a ser pescada? Imagine que os peixes capturados em 2004 fossem colocados em fila: esta linha daria a volta ao Planeta Terra mais de 38 vezes! Os stocks simplesmente não conseguem aguentar tamanha pressão.

Dos quatro stocks de escamudo do Alasca existentes, dois estão totalmente esgotados e o terceiro é apenas uma fracção do que foi outrora. Apesar dos sinais de aviso, incluindo cinco anos consecutivos em que se verificaram baixas taxas de sobrevivência dos juvenis, a indústria continuou a perseguir o escamudo nas zonas de desova, capturando enormes quantidades de fêmeas antes que estas pudessem se reproduzir. Esta prática predatória agrava o problema, pois não permite que escamudo cresça, atinja a maturidade reprodutiva, reproduza-se e que o ciclo se perpetue para dar continuidade à espécie.

Ecossistema do Mar de Bering


Os cientistas e os conservacionistas avisaram que, a menos que o Conselho reduza a pressão sobre o escamudo - uma espécie forrageira vital para a alimentação das focas, baleias e dos ameaçados leões marinhos de Steller – todo o ecossistema do Mar de Bering pode estar em perigo. O seu colapso seria fatal para os pescadores e para as comunidades piscatórias tradicionais, que dependem do oceano e da pesca para a sua alimentação e subsistência.

É necessária uma acção rápida


Os interesses da indústria da pesca tiveram um papel importantíssimo na definição da situação actual. O Conselho de Gestão de Pescas do Oceano Pacífico está dominado por representantes deste sector, alguns dos quais ignoram as leis de conflito de interesses, e habitualmente votam contra medidas que afectariam os seus lucros se fossem implementadas.

Em Dezembro próximo, o Conselho de Gestão das Pescas do Pacífico do Norte irá decidir um novo limite para a pesca do escamudo em 2009. Para restaurar a saúde dos stocks deste peixe, o limite tem que ser reduzido à metade, a captura em zonas de desova tem que ser proibida e têm que ser criadas reservas marinhas que protejam os habitats que estão em estado crítico.

Testemunhos - Mais informação sobre o trabalho da Greenpeace para proteger o Mar de Bering.

*Theragra chalcogramma - O escamudo-do-alasca pode aparecer também com a designação comercial escamudo ou ainda  Juliana.

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