Jerónimo Martins envia esclarecimento pouco esclarecedor!

Ciberactivistas da Greenpeace recebem finalmente resposta aos email enviados

Artigo - 20. Julho, 2009
Jerónimo Martins envia esclarecimento, pouco esclarecedor, sobre a sustentabilidade dos produtos da pesca do Pingo Doce aos consumidores e ciberactivistas da organização, em reacção ao protesto pacífico da Greenpeace em frente à sede do grupo em Lisboa, no passado dia 2 de Julho.

2 de Julho - Activistas da Greenpeace realizam protesto não violento junto da sede do grupo Jerónimo Martins em Lisboa.

Após meses de espera, a acção directa e não violenta da Greenpeace levou finalmente a Jerónimo Martins a responder os seus clientes. No esclarecimento, a provedora do cliente menciona o Relatório & Contas de 2008 da retalhista, do qual destaca: Jerónimo Martins reconhece a importância da Biodiversidade para a sustentabilidade das comunidades e visa contribuir para a protecção da mesma.

A provedora refere ainda dois produtos de pesca da marca Pingo Doce para sustentar as suas políticas de conservação, com a provedora a realçar que o atum enlatatado da marca Pingo Doce mereceu inclusive o certificado Dolphin Safe. Este é sem dúvida um pequeno passo na direcção certa, mas será o suficiente? 

Peixe sustentável? 


Existem dois tipos de atum enlatado da marca Pingo Doce à venda nestes supermercados.

Embora um deles tenha, de facto, merecido o certificado Dolphin Safe, este selo apenas garante ao consumidor que a captura acidental de golfinhos é nula ou reduzida e não protege nenhuma outra espécie do ecosistema - como aves marinhas, tartarugas, tubarões ou atuns juvenis. Para além disso, se consultarmos uma lata deste produto, os ingredientes indicam que pode conter até três espécies diferentes de atum, duas das quais estão ameaçadas - Thunnus obesus e Thunnus albacares

No outro exemplo de atum enlatado da marca Pingo Doce, não encontramos sequer referência à espécie de atum contida na lata e continuamos sem saber qual a proveninência do produto ou método de captura usado Para garantir a sustentabilidade de qualquer produto de pesca, é fundamental saber a espécie, o stock de onde provém e o método de captura. 

Por fim, a provedora refere que o bacalhau da Noruega do Pingo Doce é um produto sustentável, afirmando que estes stocks já não se encontram ameaçados. No entanto, o que a provedora não menciona é que a pesca do bacalhau na Noruega é feita com redes de arrasto de profundidade.

Este é um método altamente destrutivo para o ecossistema marinho, que resulta num alto índice de captura incidental de outras espécies, como o bacalhau costeiro que, segundo o Centro de Infomação sobre Biodiversidade Norueguês, é uma das espécies de bacalhau ameaçadas de extinção.

Palavras não chegam para salvar oceanos!


A Greenpeace congratula que a administração do grupo reconheça o papel crucial dos ecosistemas marinhos para a sustentabilidade e sobrevivência das comunidades costeiras. No entanto, insiste que “palavras não chegam para salvar os oceanos” e é fundamental que estes princípios tenham uma implementação práctica.

Estes exemplos são só uma gota de água no oceano de peixe que a Jerónimo Martins disponibiliza nas prateleiras dos seus supermercados e não podem ser considerados representativos de uma conduta efectivamente pautada por critérios de sustentabilidade.

Protesto da Greenpeace em frente à sede da Jerónimo Martins


Na madrugada de dia 2 de Julho, 20 activistas da Greenpeace montaram um protesto pacífico em frente à sede do grupo Jerónimo Martins, a denunciar que o grupo continua sem adoptar uma política responsável que proteja os recursos marinhos do planeta. 

Ao fim de 12 horas de protesto, 10 activistas da Greenpeace foram detidos e o grupo Jerónimo Martins perdeu uma vez mais a oportunidade de mostrar aos consumidores portugueses que assume a sua responsabilidade em garantir que todos temos peixe no futuro. 

Envia um fax ao Presidente do Grupo Jerónimo Martins

Junta-te ao protesto! Escreve ao Presidente do grupo Jerónimo Martins - Luís Palha da Silva - a pedir que passe de palavras à acção e assuma verdadeiramente a responsabilidade de proteger os recursos naturais que comercializa.

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