Greenpeace "fecha" o Conselho das Pescas da União Europeia

Ministros Europeus das Pescas à espera de serem despedidos

Artigo - 14. dezembro, 2007
Cerca de 200 activistas de 14 países da União Europeia bloquearam esta manhã as sete entradas do edifício do Conselho da União Europeia, no qual os Ministros das Pescas iam reunir-se para decidir as quotas anuais. Os activistas construiram um muro de 30 metros de cumprimento e 2,5 metros de largura em frente à entrada principal do edifício com a mensagem: "Conselho fechado até que os stocks de peixe recuperem"

200 activistas de 14 países diferentes da União Europeia bloquearam as sete entradas do edifício do Conselho da União Europeia. No edifício ía decorrer a reunião para decidir as quotas anuais de pesca.

Se o Conselho Europeu das Pescas fosse uma companhia privada, os seus directores executivos já deviam ter sido despedidos  por incompetência e negligência há muito tempo. O conselho falhou em assegurar lucros ao sector pesqueiro, protecção ambiental, gestão sustentável, e na manutenção dos stocks de peixe. "É tempo para uma nova gestão", disse Iris Menn, uma das coordenadoras da Campanha de Oceanos da Greenpeace.

Os activistas construíram um muro em frente à entrada principal do edifício, com a mensagem "Shut Down until Fish Stocks Recover" (Conselho fechado até que os stocks de peixe recuperem)  Contudo o mais provável é que o Conselho das Pescas simplesmente ceda às pressões da indústria da pesca, ignore os avisos dos cientistas e encoraje a continuação da pesca até os oceanos estarem vazios.

A posição do conselho ao longo dos últimos anos  não deixa espaço  para ter esperança que as negociações deste ano possam trazer medidas que promovam pescas sustentáveis, nas quais a biodiversidade e os stocks de peixe possam ser mantidos. Relembre-se que pescas sustentáveis do ponto de vista económico, não significam pescas sustentáveis do ponto de vista ambiental.  

 

O Conselho das Pescas decide todos os anos as quotas de pesca permitidas (TACs) . A Greenpeace acredita que o processo de decisão da Europa necessita de uma revisão imediata.

"O Conselho das Pescas tem sido uma catástrofe para as pescas", diz Saskia Richartz, conselheira da Greenpeace para as políticas do mar. "Se não são feitas mudanças e o poder é transferido para os Ministros do Ambiente da Europa, as pescas europeias enfrentam um colapso a nível económico e ao nível da biodiversidade"

Desde o início dos anos 80 que a incompetência por parte do Conselho das Pescas tem resultado num alarmante declínio dos stocks de peixe nos mares Europeus. Ano após ano, os Ministros das Pescas da Europa têm ignorado recomendações científicas e recomendações da Comissão Europeia, concordando com quotas que têm destruido o bom estado das pescas e a biodiversidade dos mares Europeus. Um estudo recente, encomendado pela Direcção Geral para as Pescas e Assuntos do Mar da Comissão Europeia, sugere que as pescas da Europa estão entre as mais insustentáveis e as menos lucrativas do mundo.

A Greenpeace acredita que as futuras decisões nas actividades da pesca nos mares Europeus devem ser submetidas a escrutínio público e devem incluir o seguinte:

  • Os estados membros devem criar uma rede de grande escala de reservas marinhas: áreas extremamente protegidas, vedadas a todas as actividades extractivas e destrutivas, incluindo as pescas. A rede de reservas deve ser suficientemente extensa para manter espécies e processos ecológicos ao longo do tempo. Investigações indicam que cerca de 20 a 50 por cento do mar deve ser protegido desta forma. O tempo limite que os estados membros têm para estabelecer esta rede terminou há mais de uma década, em 1998. De todas as formas, os estados membros continuam a insistir em benefícios a curto prazo, sem terem em conta as leis de conservação da comunidade
  • Todas as quotas totais devem ser estabelecidas ao mesmo nível, ou inferior, às recomendações dos cientistas. Para todos os stocks de peixe que estejam perto de um limite de segurança biológica, a pressão das pescas tem de ser reduzida a níveis muito baixos e deve ser aumentada quando a recuperação estiver assegurada, de forma muito lenta . Todos os stocks devem ser geridos num nível inferior à produção sustentável máxima; e

  • A partir do próximo ano, as quotas, que têm de ser estabelecidas de acordo com as pontos acima referidos, devem ter em conta os standards de conservação marinha da UE e em particular as regras das zonas protegidas.




Cerca das 10:30, os 200 activistas foram presos e o muro foi derrubado pela polícia Belga. O Conselho das Pescas vai continuar a não fazer o trabalho que deve.

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