Supermercados: para quando uma política de peixe sustentável?

Artigo - 19. Maio, 2009
Cada vez que respiramos, o equivalente a dez campos de futebol do fundo marinho são destruídos por práticas de pesca insustentáveis. Quanto tempo mais vai demorar até que os supermercados portugueses adotem medidas reais para proteger os nossos recursos marinhos?

Beatriz Carvalho, responsável de campanha de mercados para peixe sustentável da Greenpeace em Portugal, a entregar troféu "Espinha de Ouro 2009" no Pingo Doce da Boavista no Porto. O prémio foi atribuído ao Grupo Jerónimo Martins pela fraca prestação dos seus supermercados na avaliação das políticas de compra e venda de peixe.

Uma segunda avaliação das políticas de compra dos cinco principais grupos de distribuição alimentar revela que o Lidl e a Sonae (Modelo e Continente) já estão a desenvolver uma política sustentável de peixe. Os dois grupos melhoraram consideravelmente desde o lançamento do primeiro estudo e a Sonae subiu de último para segundo lugar no ranking.

No entanto, há quem ainda não responda aos milhares de pedidos de consumidores preocupados. Os grupos Os Mosqueteiros (Intermarché e Ecomarché), Auchan (Jumbo e Pão de Açúcar) e Jerónimo Martins (Pingo Doce e Feira Nova) continuam sem mostrar uma abordagem responsável em relação ao peixe que vendem.

Dos resultados da análise é de realçar que, embora haja melhorias consideráveis na política de venda de peixe de alguns supermercados, todos continuam a vender espécies cuja captura ou cultivo (no caso do peixe de cativeiro) tem um impacto negativo no ecosistema marinho ou que são provenientes de stocks que se encontram gravemente ameaçados. Entre elas, o bacalhau do Atlântico, o atum, o linguado, o peixe espada branco, salmão, tamboril e várias espécies de pescada e camarões.

E a Espinha de Ouro 2009 vai para...

Ativistas da Greenpeace com troféu "Espinha de Ouro 2009" em frente ao Pingo Doce da Boavista no Porto. Prémio atribuído ao grupo Jerónimo Martins por ser o último classificado no ranking que compara as políticas de peixe dos supermercados em Portugal.

Ao Pingo Doce - que diz preservar os oceanos - a Greenpeace pede que passe de palavras à ação! A vida marinha do nosso planeta está a ser destruída a um ritmo alucinante e os supermercados portugueses têm um papel importante a desempenhar na defesa da sustentabilidade da pesca e dos oceanos. Noventa por cento dos grandes peixes predadores já foi pescado. É crucial que estas empresas adotem medidas reais para proteger os oceanos já!

Para assinalar o último lugar do ranking ocupado pelo grupo Jerónimo Martins, “peixes ativistas” da Greenpeace visitaram o Pingo Doce da Boavista, no Porto, e entregaram à gerência da loja o troféu Espinha de Ouro 2009, símbolo da fraca prestação dos seus supermercados. Como já era esperado, a gerente da loja recusou o prémio, numa atitude já característica do Pingo Doce: recusar o diálogo.

Os “peixes” alertaram a gerência das ameaças que correm, enquanto os clientes da loja recebiam informações sobre a crise dos oceanos num panfleto de sensibilização: “Peixe Doce: Sabe bem, mas há tão pouco”. A resposta ao alerta foi muito positiva e inclui algumas afirmações como: “eu vinha comprar peixe, mas depois de ler o vossa informação, resolvi não o fazer!”

Será que o peixe que compramos é legal?

Ativista da Greenpeace com folheto informativo "Peixe Doce - Sabe bem mas há tão pouco".

Um outro aspecto importante da avaliação da Greenpeace é a transparência das políticas de compra. Todos os anos são vendidos em Portugal mais de um milhão de euros em peixe, dos quais setenta por cento é vendido nas grandes superfícies. Mas há uma questão simples que nenhum destes gigantes da indústria alimentar responde: de onde vem todo este peixe?

Cerca de vinte por cento do peixe que circula no mercado europeu tem origem ilegal. Os quatro navios piratas do grupo Silva Vieira que foram acorrentados ao porto de Aveiro, em Outubro passado, são a prova de que Portugal não é exceção. Dos supermercados portugueses só o Lidl, que continua a ocupar o primeiro lugar no ranking, afirma exigir aos fornecedores a rastreabilidade do peixe que vende.

A lista de navios e companhias piratas da Greenpeace é um excelente recurso para estas empresas selecionarem apenas fornecedores de peixe responsáveis. É crucial e urgente que os supermercados garantam que nenhum de nós está a comprar peixe ilegal e a alimentar este negócio obscuro que vende a vida marinha do nosso planeta no mercado negro.

Entra em acção!

Diz aos supermercados do Grupo Jerónimo Martins que não fiquem para trás!

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