Activistas da Greenpeace são detidos em acção na Torre de Belém

Artigo - 30. Novembro, 2009
Hoje de manhã, enquanto a XIX Cimeira Iberoamericana começava, nove activistas da Greenpeace, incluindo dois portugueses, penduraram na Torre de Belém, em Lisboa, duas faixas gigantes com a mensagem “o nosso clima, a vossa decisão”.

No decurso da XIX Cimeira Iberoamericana de Chefes de Estado e de Governo, nove activistas da Greenpeace penduram na Torre de Belém dois banners com 75m2 com o lema: "O nosso clima, a vossa decisão".

Com a acção, a Greenpeace lançou o apelo aos chefes de estado presentes na cimeira para colocarem as alterações climáticas na agenda da reunião. Os activistas foram entretanto retirados do local e detidos pela polícia portuguesa.

A sete dias do início da Conferencia da ONU sobre Alterações Climáticas, em Copenhaga, os líderes reunidos no Estoril deixaram as alterações climáticas fora da agenda principal. O encontro de alto nível reúne 22 países Ibero Americanos e conta com a presença de 14 Chefes de Estado, entre eles os presidentes Lula e Zapatero e o primeiro-ministro Sócrates. As alterações climáticas foram relegadas a um encontro paralelo de empresários.

“Inovação” para salvar clima


Com este protesto pacífico, a Greenpeace pede que se repita o exemplo dado na semana passada pelos países da América Central. No dia 20 de Novembro estes países assinaram uma posição comum de clima que exige dos países desenvolvidos o compromisso com objectivos ambiciosos e juridicamente vinculativos de redução de 45% das emissões em 2020, tendo como referência 1990, para manter o aumento da temperatura média abaixo de 1,5ºC. Também exige o compromisso de colocar na mesa incentivos financeiros para que os países em desenvolvimento possam reduzir as suas emissões e conseguir atingir a desflorestação zero.

Este encontro pretende tratar de dois temas muito próximos, inovação e conhecimento, que são elementos fundamentais para lidarmos e evitarmos o caos climático. O mundo não pode deixar um tema tão importante como este ser discutidp apenas por algumas corporações. Especialmente quando as “inovações” serão muito necessárias para mudar os padrões de desenvolvimento, tanto nos países ricos como nos emergentes.

O nosso clima, a vossa decisão


É urgente ver verdadeira liderança no encontro dos países Ibero Americanos, principalmente pelas nações industrializadas do grupo. O presidente Zapatero e o primeiro-ministro Sócrates devem posicionar-se em nome do grupo e fazer frente à União Europeia, adoptando as exigências dos países da América Central de ter reduções ambiciosas de emissões e compromissos financeiros. Desta maneira, estarão a lançar um desafio ao presidente Obama para aumentar o ainda insignificante nível de ambição em relação às reduções de emissões e compromissos financeiros.

A Greenpeace também exige que o presidente Lula exerça a sua influência na reunião, conseguindo apoio para um mecanismo financeiro, baseado principalmente num fundo global, que permita a países como o Brasil, Indonésia, Congo e Papua Nova Guiné protegerem as suas florestas e acabar com a desflorestação até 2015. A Greenpeace considera que um acordo juridicamente vinculativo deve ser o resultado das negociações em Copenhaga. Este acordo, não só possível, como é parte crucial do desafio para que se evitem alterações climáticas catrastóficas. O único ingrediente que falta para um resultado de sucesso é a vontade política dos países desenvolvidos.