A Greenpeace volta a comparar as políticas de compra dos principais grupos de distribuição alimentar para revelar quem tem feito um esforço maior para oferecer produtos de peixe sustentável aos consumidores.
É de realçar que embora já tenham sido dados alguns passos fundamentais para melhorar a oferta de peixe sustentável, a maioria das grandes superfícies ainda vende espécies de peixe presentes na Lista Vermelha da Greenpeace. Estas espécies estão ameaçadas pela pesca excessiva e/ou são capturadas por métodos que destroem o ecossistema marinho, razão pela qual é indispensável continuar a trabalhar com os supermercados para proteger os recursos marinhos dos nossos oceanos e assegurar o futuro da indústria da pesca.
O Lidl e a Sonae evoluíram consideravelmente e estão hoje em franca vantagem em relação às outras cadeias. Desde o ano passado, os dois grupos entraram em diálogo com a Greenpeace e ambos já desenvolveram políticas escritas de compra de peixe. É de realçar que a Sonae subiu de último para segundo lugar no ranking de supermercados.
As duas empresas ainda não atingiram os níveis de sustentabilidade exigidos pela Greenpeace para serem classificados a verde, tanto o Lidl como a Sonae continuam a trabalhar com a organização para melhorar e implementar gradualmente o compromisso assumido de oferecer aos seus consumidores peixe sustentável, responsável e legal.
Os Mosqueteiros, Auchan e Jerónimo Martins estão muito longe de mostrar uma abordagem responsável em relação aos produtos de peixe que vendem. Nenhum dos grupos respondeu aos diversos pedidos enviados pelos seus consumidores para que entrem em contacto com a Greenpeace e nenhum forneceu as informações requeridas pela organização para avaliar as suas políticas de compra e venda de peixe.
A falta de transparência, aliada à grande quantidade de espécies da Lista Vermelha da Greenpeace que se encontra à venda nestas superfícies e à ausência de um sistema de etiquetagem eficaz, reflete-se neste segundo ranking. É urgente que Os Mosqueteiros, Auchan e Jerónimo Martins mostrem a sua preocupação pela actual crise dos oceanos e assumam a responsabilidade de adoptar uma política de compra que garanta aos seus consumidores peixe sustentável no futuro.
Em agosto de 2008, a Greenpeace chumbou as cinco maiores cadeias de supermercados em Portugal depois de concluir que nenhum possuía uma política de compra de peixe sustentável. Desde o lançamento do primeiro ranking, a organização entrou em diálogo com alguns dos grupos económicos, como o Lidl e a Sonae, que aceitaram o desafio da Greenpeace e têm progressivamente adoptado medidas para garantir que todos teremos peixe no futuro.
Ranking 2009 |
Política de compra e venda de peixe sustentável
Retirar os produtos piscícolas insustentáveis ou ilegais
Apoiar os produtos piscícolas sustentáveis
Traçabilidade dos produtos piscícolas *
Etiquetagem dos produtos piscícolas
Venda de espécies da Lista Vermelha da Greenpeace
Transparência e informação aos consumidores
Classificação total
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|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Supermercados | a | b | c | d | e | f | g | h |
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50% | 21% | 33% | 50% | 60% | 100% | 46% |
51%
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Marca: Lidl
Sede:
Rua Pé do Mouro, 18 – Linhó
LidlPolítica atualNão comercializa peixe fresco e vende peixe salgado, entalado e congelado, proveniente de pesca selvagem e aquacultura. As espécies de peixe comercializadas são determinadas com base nos seus “Princípios básicos para a compra de peixe e crustáceos”. O Lidl procura seguir as orientações dos governos em relação aos stocks de espécies de peixe que estão consideradas criticamente ameaçadas. O Lidl está a trabalhar com os fornecedores para exigir informações sobre a origem dos produtos comercializados e garantir a legalidade do peixe que vende. Segundo informações fornecidas à Greenpeace, a empresa apoia os fornecedores que não utilizam métodos de pesca destrutivos para o ecossistema marinho. O Lidl tem divulgado publicamente informações sobre produtos de peixe certificados pelo Marine Sterwardship Council e sobre pesca sustentável. Comentários da GreenpeaceA empresa alemã apresenta uma evolução positiva em relação ao primeiro ranking, principalmente em relação à transparência das suas políticas com a publicação dos princípios básicos de compra de peixe no website. Embora a Greenpeace reconheça a importância deste documento, explica que este ainda não está ainda suficientemente desenvolvido para que possa ser considerado uma política de peixe sustentável. Por exemplo, o Lidl continua a vender Bacalhau do Atlântico, que é uma espécie reconhecida internacionalmente como ameaçada de extinção. A Greenpeace esclarece que não apoia a certificação do MSC (Marine Stewardship Council), dado que este programa ainda certifica peixe capturado através de métodos de pesca destrutivos, nomeadamente a pesca de arrasto de profundidade. Espécies encontradas |
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25% | 27% | 50% | 29% | 60% | 25% | 46% |
37%
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Marcas: Continente, Modelo e Modelo Bonjour
Sede:
Rua Alto do Montijo, lote 1/2 - Edifício Monsanto. Apartado 7647 – E.C. Alfragide
Grupo SonaePolítica atualComercializa uma vasta gama de peixes frescos, congelados, enlatados, fumados e salgados, tanto de origem selvagem como de aquacultura. Entre as espécies vendidas encontram-se a grande maioria das espécies de peixe da Lista Vermelha da Greenpeace. Após o lançamento do Primeiro Ranking de supermercados, a Sonae entrou em contacto com a Greenpeace para discutir a criação de um modelo de política de compra de peixe sustentável e assumir o compromisso de a melhorar e implementar gradualmente com base nas recomendações da organização. Segundo a Sonae, alguns dos compromissos estão já a ser implementados como, por exemplo, a inserção de cláusulas relativas à legalidade do peixe em contratos novos com fornecedores e a recusa em negociar com companhias ou navios presentes Lista Negra de piratas da Greenpeace. Comentários da GreenpeaceA Sonae Distribuição deu um passo significativo na direção certa com a criação do primeiro esboço de uma política de peixe sustentável. No entanto, a Greenpeace alerta para a diferença entre intenção e implementação e reforça a mensagem que a empresa deve continuar a trabalhar para garantir que o todos os produtos de peixe vendidos são sustentáveis, responsáveis e legais. A Greenpeace recomenda que a Sonae consulte as recomendações da comunidade científica, para além das as quotas estabelecidas por órgãos oficiais e governamentais, porque estas muitas vezes não refletem a realidade dos recursos marinhos. Por fim, o pedido urgente para que a Sonae deixe de vender espécies de peixe presentes na Lista Vermelha da Greenpeace, entre elas, o bacalhau do Atlântico, algumas espécies de camarões e raias e tubarões. Espécies encontradas |
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00% | 00% | 00% | 00% | 19% | 50% | 00% |
10%
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Marcas: Intermarché e Ecomarché e Netto
Sede:
Lugar do Marujo Bugalhos
Grupo Os MosqueteirosPolítica atualA política atual deste grupo económico é marcada pelo silêncio. Os Mosqueteiros ainda não responderam às diversas tentativas de contato da Greenpeace e continuam sem fornecer informações sobre as políticas de compra e venda de peixe aos consumidores portugueses. Comentários da GreenpeaceA Greenpeace reforça que é impossível averiguar se Os Mosqueteiros têm ou não uma política de compra de peixe e de traçabilidade dos produtos que vendem, uma vez que, caso exista, esta não está disponível para consulta do consumidor. Uma vez que o o grupo económico não forneceu as informações requeridas, os voluntários da Greenpeace visitaram vários supermercados no país para avaliar os produtos à venda nas suas prateleiras. A conclusão é que Os Mosqueteiros vendem várias espécies de peixe presentes na Lista Vermelha da Greenpeace, tanto selvagem como de aquacultura, e que as etiquetas dos produtos de peixe não têm informações suficientes para que o consumidor possa fazer uma escolha consciente e responsável sobre o peixe que compra. Espécies encontradas |
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00% | 09% | 00% | 13% | 15% | 25% | 00% |
09%
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Marcas: Pão de Açúcar e Jumbo
Sede:
Travessa Teixeira Júnior, I
Grupo AuchanPolítica atualO grupo económico Auchan vende algumas linhas de produtos certificados e, mas não tem nenhuma certificação relativa ao peixe que comercializa. A Greenpeace requeriu várias vezes à empresa informações sobre as políticas de compra de peixe, mas estas ainda não foram fornecidas, nem se encontram publicamente disponíveis. No entanto, é de referir que a Auchan informou a organização que pretende desenvolver uma política escrita de compra e venda de peixe até ao final deste ano. Comentários da GreenpeaceÉ impossível averiguar se Os Mosqueteiros têm ou não uma política de compra de peixe e de traçabilidade dos produtos que vendem, uma vez que, caso exista, esta não está disponível para consulta do consumidor. Também não é possível confirmar se a Aunchan tem ou não uma política escrita em relação à etiquetagem dos produtos, ou se estes produtos podem ser rasteados até à origem. A Greenpeace acrescenta que o grupo vende praticamente todas as espécies da Lista Vermelha nos supermercados Jumbo e Pão de Açúcar e que as etiquetas dos produtos de peixe não têm informações suficientes para o consumidor possa fazer uma compra consciente. Um aspecto positivo, que influenciou indirectamente a classificação da empresa, é a responsabilidade social da empresa em não comercializar produtos geneticamente modificados. Espécies encontradas |
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00% | 00% | 00% | 00% | 19% | 25% | 00% |
06%
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Marcas: Pingo Doce e Feira Nova
Sede:
Rua Actor António Silva, 7
Grupo Jerónimo MartinsPolítica atualO grupo Jerónimo Martins – com os supermercados Pingo Doce e Feira Nova - não respondeu às diversas tentativas de contato da Greenpeace e não disponibiliza informações sobre as suas políticas de compra e venda de peixe publicamente. Comentários da GreenpeaceNa ausência de iniciativa do grupo em fornecer as informações requeridas, os voluntários da Greenpeace visitaram vários supermercados no país para avaliar os produtos à venda nas suas prateleiras e verificaram que há várias espécies presentes na Lista Vermelha da Greenpeace à venda, provenientes de tanto pesca selvagem como de aquacultura. Também as etiquetas dos produtos de peixe não têm informações suficientes para que o consumidor possa fazer uma escolha consciente e responsável sobre o peixe que compra. O Pingo Doce publicita no seu website ser defensor dos oceanos mas não apresenta aos consumidores uma política de peixe sustentável. A Greenpeace questiona esta posição e pede ao supermercado transparência nas suas políticas de compra de peixe. Espécies encontradas |
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*garantir que os nenhum dos produtos piscícolas vendidos provém de pesca ilegal não-declarada e não-regulamentada
> 70%
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Possui uma política de compra de peixe aceitável que deve ser respeitada e melhorada no futuro. |
< 70% > 40%
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Foram tomadas medidas relativas a uma política de compra de peixe sustentável, mas são necessárias acções mais concretas para que atinja um nível aceitável. |
< 40%
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É necessário agir urgentemente para melhorar a política de compra de peixe. |
A Greenpeace esclarece que para a classificação do ranking são tidos em consideração:
Estas condições são imprescindíveis para que seja possível diferenciar as promessas das efetivas implementações dos compromissos estabelecidos entre a Greenpeace e a empresa em questão.
Aproximadamente 90% dos stocks de peixes predadores de grande dimensão já foram capturados, incluindo espécies como o atum, peixe espada, bacalhau e linguado.
Imagine o desbravar completo de uma floresta tropical inteira para apanhar meia-dúzia de coelhos – isto é a pesca de arrasto de profundidade, um métodos de captura de peixe mais destrutivos e menos selctivos.
Estimativas indicam que existem cerca de 1300 navios piratas nos nossos mares a pescar ilegal e indiscrimadamente. Pesca pirata é o nome dado pela Greenpeace à pesca ilegal, não reportada ou não regulamentada (IUU).
Os portugueses consumem mais de 1,047 milhões de Euros por ano em peixe, dos quais mais de 70% são gastos nas grandes superfícies.
A grande maioria das 500.000 a um milhão de espécies que habita o fundo do mar ainda não foi descoberta . É fundamental proteger estas maravilhas dos oceanos antes que desapareçam sem que nunca tenhamos tido oportunidade de as conhecer.