Depois de 40 dias de expedição científica, o que descobrimos sobre esse ecossistema que não para de nos supreender.

Já faz tempo que assumimos aqui nosso crush pelo recife dos Corais da Amazônia. E nossa segunda expedição para estudá-los e vê-los debaixo d'água acabou há alguns dias. A conclusão é que esse caso de amor só aumenta conforme conhecemos esse ecossistema mais e mais. 

No começo de abril, o navio Esperanza chegou ao Brasil e nosso time embarcou com muitas perguntas sobre os Corais da Amazônia. Por 40 dias, navegamos em um mar agitado e enfrentamos um clima hostil na costa norte do Brasil e da Guiana Francesa. Todo o esforço valeu a pena. Voltamos para casa sabendo muitos segredos dos Corais da Amazônia.

1. Os Corais da Amazônia são maiores do que imaginávamos

Imagem dos Corais da Amazônia na Guiana Francesa (©Greenpeace)


Os primeiros estudos sobre o ecossistema estimavam que sua área era de 9,5 mil quilômetros quadrados. Mas o artigo publicado em abril, e fruto da nossa expedição de 2017, mostra que estávamos subestimando esse tamanho: Os Corais da Amazônia podem ter 56 mil quilômetros quadrados – o tamanho do estado do Rio de Janeiro. Isso é seis vezes mais do que a primeira estimativa.

2. O recife dos Corais da Amazônia existe também dentro de um dos blocos da Total

Imagem dos Corais da Amazônia dentro de um dos blocos de exploração da empresa Total (©Greenpeace)


O plano da petrolífera francesa Total, de explorar petróleo perto dos Corais da Amazônia, sempre foi um absurdo. E agora que sabemos que o recife é maior do que imaginávamos, a ameaça também cresceu. Com o navio Esperanza, fomos até um dos blocos em que a empresa pretende perfurar e descobrimos que ali existe uma formação recifal. Nosso achado invalida o Estudo de Impacto Ambiental da empresa, que afirmava que a distância do recife mais próximo até a área de perfuração era de 8 quilômetros. Até o Ministério Público Federal do Amapá recomendou que o Ibama não deixe a Total começar a explorar petróleo ali.

3. O recife se estende até a Guiana Francesa

Recife similar aos Corais da Amazônia encontrado na Guiana Francesa (©Greenpeace)


Nós também não sabíamos até agora que o recife ia tão longe! Provamos que há uma formação de recifes similar aos Corais da Amazônia no nosso país vizinho Guiana Francesa. Quando mergulhamos com nossas câmeras ali, descobrimos um fundo do mar cheio de vida! Isso mostra o quão especial é esse ecossistema. Se a Total explorar petróleo na costa do Brasil e um vazamento acontecer, há chances de que o óleo alcance as águas da Guiana Francesa, ameaçando uma parte do recife que ainda mal conhecemos.

4. Um vazamento de petróleo na região seria devastador

Várias esponjas encontradas na área norte do recife dos Corais da Amazônia. (Foto: ©Marizilda Cruppe/Greenpeace).

Descobrir tudo isso não foi fácil. As condições climáticas na região dos Corais da Amazônia e as fortes correntes do mar ali foram grandes desafios de nossa expedição. Demoramos dias para conseguir usar nossas ferramentas e registrar o setor norte do recife. Se estar com um grande navio e fazer imagens é difícil naquela região, imagine conter uma mancha de petróleo vazando no meio do oceano?

5. O número de defensores dos Corais da Amazônia só aumenta

Equipe a bordo do navio Esperanza para a expedição aos Corais da Amazônia, na costa norte do Brasil. (Foto: ©Marizilda Cruppe/Greenpeace)

A melhor parte dessa nossa incrível jornada é saber que não estamos sozinhos. Mais de 2 milhões de pessoas ao redor do mundo estão falando para a Total ficar longe desse lugar incrível. E não vão desistir até que os planos de perfuração ali sejam finalmente cancelados. Nossa petição continua se disseminando e, se você já assinou, compartilhe com seus amigos.