Seguindo a tendência dos últimos anos e contrariando o suposto renascimento nuclear difundido pela indústria, a geração anual de energia nuclear continua a cair. Em 2009, a produção caiu 2%.

Segundo o site World Nuclear News, uma das razões para esta queda é o prolongado desligamento de grandes reatores do Japão, após um terremoto em 2007, que causou o vazamento de material radioativo e incêndio na maior central nuclear do mundo. A Central Nuclear Kashiwazaki Kariwa é responsável por cerca de 2% da capacidade nuclear global e ficou completamente fora de operação por muitos meses.

Dois reatores voltaram a operar em 2009, mas cinco ainda estão em manutenção, apresentando altas perdas econômicas para o país e mostrando o quanto a energia nuclear é insegura energética e economicamente. Em episódios como este, de acidentes ou falhas que levam ao desligamento de usinas, freqüentes em todo o mundo (este ano já aconteceu nas duas usinas de Angra), a compensação energética é feita através das termelétricas fósseis, sujas e caras como suas primas nucleares, que andam sempre em conjunto.

Diferente do que dizem por aí, nuclear não substitui definitivamente as
termelétricas fósseis, mas caminha de mãos dadas. Ainda em 2009, quatro reatores foram encerrados, enquanto apenas dois novos entraram em operação. Nesse mesmo ano, foram instalados 37GW de usinas eólicas ao redor do mundo, equivalente a potência de cerca de 57 usinas de Angra 1.

 
*Por: André Amaral, Coordenador da Campanha de Nuclear do Greenpeace