“Aqui é minha casa quatro horas por dia”. As palavras foram ditas por Vinicius de Oliveira Melo, 35 anos, bem longe de casa. Pendurado a sete metros de altura, ele é um dos ativistas que estão se revezando para impedir a saída do navio Clipper Hope, próximo a São Luis do Maranhão.

O cargueiro rumava para o porto de Itaqui, onde seria carregado com ferro gusa – matéria-prima do aço – manchado por desmatamento e trabalho escravo. Nos últimos sete dias de bloqueio, Vinicius se acostumou à rotina. Com uma garrafa de água, algumas frutas e muita disposição, ele tem encarado a tarefa numa boa.

“No início foi um pouco complicado. Mas quando você já conhece os barulhos que a âncora faz, os movimentos, depois de algumas horas você começa a se sentir bem”, garante o carioca. Escalador e guia turístico no Rio de Janeiro, Vinicius está participando de sua terceira ação no Greenpeace. 

Desde 2009 como voluntário, foi justamente por um navio – o Arctic Sunrise – que ele teve seu primeiro contato com a organização. Trabalhando no Pier Mauá, por onde chegam as embarcações no Rio, ele viu o Arctic Sunrise chegando na expedição daquele ano. Pediu para ajudar, ganhou sinal verde e no fim de cada expediente no Pier, se juntava à tripulação para varrer o navio, recolher o lixo, pintar uma coisa aqui, outra ali.

Quando o navio estava para partir, Vinicius ajoelhou aos pés do capitão pedindo para seguir viagem junto. Não deu, mas o capitão avisou: “Entre no grupo de voluntários e espere uma oportunidade”. Três anos depois, aqui está ele, a bordo do Rainbow Warrior. “Consegui realizar o sonho”, disse. “Na verdade, ele ainda está sendo realizado, pois não acabou”, disse, antes de voltar para sua “casa”, a sete metros de altura.