Amazônia, sua linda!

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Notícia - 5 - set - 2015
No Dia da Amazônia, lembramos porque a floresta é tão importante e porque temos o dever de defendê-la

Serra da Araca, no Amazonas. (© Markus Mauthe / Greenpeace)

A Amazônia ocupa quase metade do território brasileiro, 49,29% do país. Por um capricho do destino, somos os guardiões de 60% desta que é a maior floresta tropical do mundo. Um tesouro incalculável e único em sua sociobiodiversidade.

A bacia amazônica escoa pelo continente sul-americano 20% de toda a água doce disponível no mundo. Sua enorme riqueza compreende ainda 10% das plantas do planeta - aproximadamente 40 mil espécies - além de servir de habitat para mais de 400 espécies de mamíferos, cerca de 1.300 espécies de aves e milhões de insetos. Este lugar, aparentemente selvagem, abriga também um enorme contingente humano. Mais de 24 milhões de pessoas vivem na Amazônia, incluindo comunidades tradicionais, povos indígenas e ao menos 50 grupos que vivem isolados, ainda sem contato com o mundo “moderno”.

Casal de araras vermelhas sobrevoa o Parque Estadual do Cristalino, no Mato Grosso. (© Greenpeace/Daniel Beltrá)

Mas apesar de sua grandiosidade e importância, a gigante verde, nosso maior patrimônio, continua a cair.  Já desmatamento quase 20% deste importante bioma. Só no ano passado, a Amazônia brasileira perdeu o equivalente a 701 mil campos de futebol de florestas. Tamanha destruição que não dá para entender!

Este modelo predatório de desenvolvimento está ancorado em uma visão que coloca a Amazônia apenas como uma região rica em recursos, esperando para ser explorada - terra para produção agropecuária, água para produção de energia e exploração de minérios. Visão reforçada por poderosos interesses econômicos e defendida no Congresso pela chamada bancada ruralista, que trabalha incessantemente para minar instrumentos efetivos de combate ao desmatamento, como as unidades de conservação e terras indígenas. Segundo dados do Sistema de Detecção do Desmatamento na Amazônia Legal em Tempo Real – DETER, divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisa Espaciais (INPE),  houve um aumento de 69% nos alertas de desmatamento na região, entre agosto de 2014 a julho de 2015.

Hoje já podemos sentir os primeiros reflexos desta destruição desenfreada, com a maior crise hídricajá enfrentada pelo País. Enquanto regiões ao leste do Brasil registram secas recordes, o norte e o extremo sul sofrem com o excesso de chuvas e cheias de rios. Por isso, preservar a Amazônia não é importante apenas para quem vive e depende da floresta, mas um interesse de todos.

O Greenpeace está presente na Amazônia desde 1999, e de lá para cá foram muitas vitórias. Em 2003 conseguimos barrar o comércio de mogno, incluindo esse tipo de madeira na lista internacional de espécies ameaçadas. Em 2004 auxiliamos o povo Deni no processo de autodemarcação de suas terras, o que impediu que a madeireira malaia WTK explorasse 151 mil hectares de florestas onde viviam os indígena, e na criação de unidades conservação na terra do meio no Pará.

O veleiro do Greenpeace, Rainbow Warrior, navegou pelo Rio Amazonas em 2012. (© Rodrigo Baléia/Greenpeace)

Em 2006, após extensa pesquisa, conseguimos provar a ligação do desmatamento com o cultivo de soja na Amazônia, o que levou a criação da Moratória da Soja. O acordo de mercado vem garantido que a expansão de soja na Amazônia ocorra sem desmatamento. Em 2009 expomos como a atividade pecuária inundava o mercado nacional e internacional com desmatamento. A denúncia fez com que os três maiores frigoríficos do Brasil se comprometessem com o Desmatamento Zero e, desde então, estas empresas não compram de fazendas que tenham desmatado após 2009. Os acordos encabeçados pelo Greenpeace são reconhecidos internacionalmente como algumas das iniciativas de maior sucesso no combate ao desmatamento na região.

Mais recentemente, em 2012, durante a Rio+20, nosso Diretor Executivo Internacional, Kumi Naidoo, foi recebido pelas principais lideranças políticas do país em plena corrida eleitoral e ouviu de diversos parlamentares como o trabalho do Greenpeace em investigar e expor os crimes e danos ambientais ajudou a aumentar a governança na Amazônia, além de contribuir para a consolidação da democracia no Brasil. 

Mas a destruição continua e isso é inadmissível, seja por conta da violência no campo que vem a reboque do desmatamento, ou pelos graves efeitos sobre o clima e perda da biodiversidade. Diversos cientistas já comprovaram que é possível dobrar a produção agropecuária sem nenhum desmatamento e é por isso que pretendemos entregar no Congresso, ainda esse ano, um projeto de lei que prevê o Desmatamento Zero. A proposta já conta com o apoio mais de 1,3 milhão de brasileiros.

Neste Dia da Amazônia, mostre o seu amor pela nossa floresta e assine em apoio a lei do Desmatamento Zero. A Amazônia levou milênios para se transformar no que é hoje e devemos garantir que a humanidade não destrua esta criação em sua breve estada neste planeta.

Vista do Rio Negro na Serra do Araca, Amazonas (© Markus Mauthe/Greenpeace)

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